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Annabeth's Pov

Hoje, quando eu acordei, a primeira visão que tive quando abri as cortinas foi o céu nublado de Nova York. As nuvens cobriam o céu, escondendo o sol, mas ainda assim o dia estava abafado.

Isso explicaria o suor que sinto escorrer nas minhas costas pelo lugar abafado e pequeno em que estou. A cadeira mal acolchoada junto à mesa com uma toalha por cima, que se encontra entre a sala com um sofá e a televisão e a pequena cozinha. Daqui eu consigo ver duas portas no pequeno corredor. Só um quarto e um banheiro. O espaço não é ruim pra uma pessoa morar sozinha, mas comparado com a minha primeira casa, é consideravelmente menor.

Provavelmente é o que a mulher consegue pagar com o salário da lanchonete em que trabalha na esquina aqui da rua.

A mesma mulher que está se sentando na minha frente com uma xícara de café nas mãos. Uma xícara que eu recusei quando ela me ofereceu, porque acho que esqueceu que eu nunca gostei de café.

Seus cabelos loiros como os meus estão presos em um coque baixo, se eu olhar bem na raiz consigo ver os fios brancos se misturando com os loiros; assim como as rugas ao lado dos seus olhos, mesmo quando ela não está sorrindo, as fortes linhas de expressão em sua testa e ao lado da boca. Suas mãos possuem uma tremedeira quase imperceptível e seus olhos…os olhos da mesma cor que os meus, cinza, estão cansados. Não só de uma noite sem dormir, mas uma vida inteira.

— Não achei que você fosse vir atrás de mim…nem que leria a minha carta. — diz antes de dar um gole na sua bebida e subir o olhar para mim — É por isso que está aqui, certo? Você leu a minha carta?

Eu li.

E suas palavras ainda rodeiam a minha mente desde então. Por isso decidi vir atrás dela depois de perguntar a Íris onde ela morava, porque minha irmã sabia. Ela conversou com nosso pai sobre isso, mas também não fez questão de fazer algo a respeito.

Porque não importa para minha irmã que Atena esteja no Brooklyn. Que esteve aqui desde então, há menos de 3 horas de distância de nós.

— Também não acreditei quando seu pai apareceu na lanchonete me procurando. Achei que nunca mais o veria. Como ele está?

Franzo o cenho.

Ela não sabia que ele estava doente? Achei que pela aparência dele, ela ao menos desconfiaria.

— Meu pai morreu. — minha voz sai mais seca do que pretendia ao falar. Soa como se não doesse mais. É uma dor mais suportável, amena, mas sempre presente. Junto com a saudade.

Eu realmente queria que ele estivesse aqui agora para conversarmos sobre isso.

Seus olhos se arregalam de surpresa e seus lábios se entreabrem. Atena parece realmente sentida.

Ela é realmente capaz de sentir empatia?

— Annabeth, eu sinto muito… — seus olhos se afastam dos meus por alguns segundos — Eu não fazia ideia.

— É, eu também sinto. — murmuro — Não vim aqui falar sobre o meu pai.

— Veio falar sobre o que eu escrevi na carta. — presume abaixando a cabeça e encostando as costas na cadeira totalmente, como se ainda estivesse processando a notícia sobre meu pai.

— Também, mas eu percebi que nunca falei o que precisava dizer pra você. — seu olhar se levanta devagar — Eu achei que não precisava, que já tinha seguido em frente mas estava mentindo pra mim mesma.

Atena concorda devagar e bebe mais do seu café. O silêncio entre nós é desconfortável, pesado e inquietante. Apesar de não demonstrar na minha expressão, estou uma confusão de pensamentos e sentimentos dentro de mim. Minha mente está gritando sem parar, meu subconsciente está criando imagens onde eu e ela começamos a discutir ou em que ela diz coisas que me machucam. Meu coração está apertado em meu peito e tento ignorar, inutilmente, a dor que se alastra por meu corpo ao encarar Atena.

Mutual • PercabethHistórias para pegar e não largar. Descubra agora