Annabeth’s Pov
Brinco com o pequeno envelope em minha mão enquanto sinto o olhar calmo da minha terapeuta em cima de mim. Ela ainda não me perguntou do que se trata e eu também não comecei a falar desde que lhe desejei um bom dia. Mas eu provavelmente deveria começar logo antes que nosso tempo acabe e eu não consiga sair daqui com isso devidamente terminado.
Levanto meu olhar para encontrar a cor de mel. Seu cabelo preto cacheado está solto hoje, ela usa seu típico colar do Cristo Redentor, um ponto turístico da sua cidade natal. A primeira vez que a vi já sabia que não era estadunidense. Sua pele é muito bronzeada comparado com a minha e sei que se eu pegasse o sol do seu país, com certeza eu ficaria com a pele vermelha e não bronzeada como ela. Já brincamos com isso, inclusive. Meus olhos caem em suas mãos, onde eu sei que vou encontrar uma aliança em seu dedo anelar esquerdo, a mesma aliança que sua esposa usa.
— Martina está bem, ela comentou de você esses dias, inclusive. — diz sem sotaque pelos 10 anos que vive em Nova York, ao perceber meu olhar em sua mão.
— Manda um beijo para ela. — murmuro e levanto meu olhar de novo e vejo seu aceno devagar.
— Quer falar sobre essa carta?
— Eu te contei que meu pai foi atrás da Atena antes de morrer? — ela pisca. Já sei a resposta para essa pergunta — Quando ele nos contou que estava morrendo, também disse que contratou um detetive particular para encontrá-la.
— Você gostou disso?
— Não, eu odiei ele ter feito isso. Eu o odiei por sequer pensar em procurar por ela. Não precisávamos dela. Nós somos adultos e nós superamos aquela época.
— Superamos mesmo? Porque você não me contou que ele a procurou, não conversou sobre como isso te afetou. — eu sei — Por que ele queria encontrar Atena?
— Ele queria um desfecho antes de morrer. — jogo a carta no sofá ao meu lado — Eu entendi isso depois da raiva, ele queria apenas olhar no rosto dela de novo, talvez entender o porquê ela foi tão negligente.
— Ele conseguiu o que queria?
Não preciso pensar para responder.
— Eu não sei. Não conversei com ele sobre isso, eu não quis saber sobre nada disso. — engulo em seco.
— Você parece arrependida dessa escolha.
— Queria poder conversar com ele agora. Sobre essa carta, sobre a conversa que ele teve com ela. Ele a perdoou? Ele conseguiu perdoá-la? Como ele conseguiu fazer isso quando parece tão difícil pra mim? — olha para as minhas mãos antes de sussurrar — Sinto falta dele.
— Você já abriu?
— Não. Pensei em rasgar e jogar fora ao invés de abrir. — ela estreita os olhos.
— Vai fazer você se sentir melhor? — fecho os olhos quando meu subconsciente me diz o que eu já sabia.
— Não, queria que fizesse, mas sei que se eu fizer isso vou me arrepender.
— Então por que não abre? — porque sou uma covarde — É isso que você acha?
Pisco.
Eu pensei que tinha dito isso só na minha mente, mas aparentemente sussurrei.
É o que eu sei.
Não consigo ler essa carta porque não consigo pensar na pessoa que a escreveu sem sentir raiva ou desapontamento. Eu esperava mais dela, esperava a proteção dela e Atena me decepcionou. Me machucou.
Não consigo encarar isso. Não consigo encarar o meu passado.
Porra.
Solto uma risada amarga.
— Eu estou me sentindo tão hipócrita agora.
— Por que? — nego com a cabeça.
— Porque eu odiei o fato do Percy não encarar o seu passado e não se abrir comigo, eu julguei desde então que ele era covarde por isso. Mas quem sou eu pra falar alguma coisa? Quem sou eu pra julgar ele por isso sendo que não consigo ler uma maldita carta?
— Você é uma pessoa que esperava mais dele. Você esperava que ele se abrisse com você como você fez com ele. — aceno.
— Agora parece que eu só estava o pressionando. Talvez eu estava mesmo. Talvez pedi muito na hora errada. Talvez ele só não confie em mim. Talvez estávamos fadados a isso desde o início.
— Ou talvez ele se sinta como você se sente em relação a Atena. Você não quer encarar o seu passado mais do que já o fez. — pior que faz sentido.
—São muitos talvez. — ela acena em concordância.
Solto um suspiro.
— Eu estou cansada disso. Não aguento mais esse fantasma na minha vida, Alana. — umedeço os lábios e nego com a cabeça — Eu tenho 22 anos, eu estou conquistando tudo o que eu sempre sonhei, tenho minha irmã, o Tyson, o Nicolas. Tenho uma família que eu escolhi chamar de minha, porra, eu sou milionária, as coisas estão dando certo para mim…mas, ainda assim…
— Se sente presa no mesmo lugar quando se trata da Atena? — aceno — E o que você quer fazer sobre isso, Annabeth?
Eu não quero mais andar com esse peso nos meus ombros. Quero realmente seguir em frente e superar o quanto me machucou ela não ter me protegido, porque mesmo que tenha doído o que Kyle fez e deixado marcas em mim, no fundo, a ferida maior foi ela não ter feito o seu papel de mãe. A pessoa que eu amava não ter me defendido. Esse é o motivo da minha mágoa e rancor. É o que eu não consigo encarar por muito tempo sem quebrar.
Até hoje.
— Eu quero pôr um fim nisso. — consigo ver um brilho de satisfação em seus olhos, como se ela estivesse esperando por esse momento há muito tempo.
— Quer ler isso aqui ou em casa?
Eu sei que se decidir fazer isso sozinha a coragem pode acabar indo embora. Meu subconsciente pode começar a falar demais e me fazer desistir dessa decisão. Eu só posso fazer isso com a Alana junto.
— Aqui. — a morena inclina a cabeça para o lado e aponta para o pequeno envelope com um olhar gentil.
— Abra a carta, Annabeth.
Olho para o papel branco ao meu lado e respiro fundo, esticando meu braço o suficiente para pegar e trazer até a minha frente.
Com um último olhar para Alana, eu abro o envelope e retiro o papel branco dobrado, reconhecendo a letra escrita com o meu nome.
E por fim, começo a ler a carta de Atena enquanto memórias da minha infância invadem a minha mente e eu consigo ouvir sua voz, como se estivesse narrando cada palavra enquanto está sentada na minha frente.
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A Annabeth dando mais um passo para seguir em frente, eu tenho muito orgulho dela!
Espero que vocês tenham gostado, não esqueçam de comentar e dar estrelinha <3
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Mutual • Percabeth
FanfictionPercy e Annabeth não se gostavam, mesmo nunca tendo trabalhado juntos e agora vão ter que atuar no mesmo filme. Sob o olhar das câmeras, da mídia e dos segredos do passado que os atormentam, vão descobrir que são mais parecidos do que pensavam.
