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Annabeth's Pov

Solto um suspiro frustrado enquanto amasso mais uma folha de papel e jogo no chão da sala de Percy. Isso não está dando certo. Não estou conseguindo desenhar. Minha mente está girando a 180 por hora, não parando em um pensamento com coerência. Vejo ele se aproximando com dois copos em cada mão, me entregando um.

Faço menção de levar até a boca, mas logo sinto o cheiro.

— Você fez chá para mim? — pergunto erguendo os olhos, enquanto Percy se senta à minha frente encostado no outro braço do sofá.

— Sim, você parecia um pouco estressada.

— Você odeia chá. — ele pisca devagar para mim.

— E você gosta. É por isso que eu fiz cappuccino para mim e chá para você. — é possível um coração derreter no seu peito ao mesmo tempo que bate mais forte? — Não é chá de hibisco dessa vez, prometo.

Abro um sorriso com a lembrança.

— Obrigada. — levo o copo até a boca e sinto o gosto de camomila — Desculpa se estou sendo insuportável.

— Você não está.

— Não costumo ficar assim quando menstruo, mas hoje a minha cabeça não para quieta um segundo e acabou que fiquei mal humorada. — justifico mesmo assim.

— Relaxa, continuo gostando de você do mesmo jeito. Se essa é a sua preocupação. — brinca antes de beber mais do seu cappuccino. Solto uma risada antes de beber mais um pouco.

Vejo Percy apoiar o seu copo em cima da mesinha e pegar seu violão novamente, voltando a dedilhar a mesma melodia que tocou para mim pela primeira vez em seu quarto, dessa vez é a música inteira. Tento fazer o mesmo que ele e me concentrar no meu desenho, que já falhei três vezes. O lápis se arrasta pelo papel criando forma da casa devagar, a mesma casa que ficamos quando viajamos.

Deixo a melodia que Percy está ensaiando me preencher, até acalmar meus pensamentos, pelo menos o máximo que consiga. Eu sei porque minha mente está agitada. Eu sonhei que hoje que ele terminava tudo entre nós. Até mesmo a nossa amizade. Só porque eu perguntei se poderíamos oficializar isso. Foi um sonho bobo que ficou preso na minha memória e aumentou minha vontade de falar sobre isso. Eu nem sei se quero oficializar, deuses, eu só quero ter tudo esclarecido, eu quero que nós dois estejamos na mesma página aqui.

Porque eu sei que não estou maluca, eu não imaginei aquilo. Quanto mais penso, mais tenho certeza do que vi e senti quando ele me tocava. Quando ele me olhava. Só preciso saber se ele também sentiu isso.

Eu sinto seu olhar em mim quando estou chegando na metade do desenho — que até agora não estou achando tão ruim —, e levanto meu rosto para perceber que ele não estava mais tocando o violão, apesar de ainda o ter em seu colo.

— O que foi? — pergunto soltando o lápis no caderno.

— Você parece mais relaxada agora. — analisa meu rosto — Estou pensando se é o momento ideal, mas estou um pouco ansioso por isso.

— Ansioso pelo o que?

Percy não responde. Ele apenas tira o violão do colo e vai em direção às escadas, sumindo no segundo andar me deixando aqui sozinha.

— Percy? O que está fazendo? — grito mas não recebo uma resposta de volta.

Volto meu olhar para o desenho incompleto e solto um suspiro resignado. Não vou finalizar isso hoje, muito menos agora. Mesmo que esteja melhor do que os anteriores. Fecho o caderno e coloco junto com o lápis na mesa de centro, pegando meu copo de volta. Saboreio o chá de camomila que Percy preparou para mim, mesmo que eu tenha certeza que ele fez careta de vômito o tempo inteiro durante o preparo, ele fez por mim.

Mutual • PercabethOnde histórias criam vida. Descubra agora