Dezoito

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Gosto de estar com você sem dizer nenhuma palavra

— Eu enlouqueci… Só devo ter enlouquecido!

— Você falou "pelo amor de Obaluaê"... — Denki murmurou, já sentado na cama e ainda mantendo o sorriso nos lábios. O arroxeado parou de se mover de um lado para outro no quarto para encará-lo confuso.

— Por que você tá sorrindo tanto enquanto me encara?!

— Por que… — Suspirou, o chamando com a mão. Shinsou resmungou, indo de encontro ao loiro, e ainda aceitando a forma que Denki lhe fez se sentar sobre seu colo. — Você ficou tão bonito agindo e falando daquele jeito.

Os lábios do rapaz se entreabriram em surpresa, o rubor na bochecha veio com mais intensidade e ele rapidamente desviou o olhar para baixo. Por que precisava dizer aquelas coisas assim do nada?!

— Não… Fiquei parecendo um idiota.

— Ficou bonito. — Insistiu colocando a mão atrás da nuca do rapaz, e fazendo-o aproximar mais seu rosto. — Isso que dá estressar um filho de Obaluaê…

— Sei… — Encarou rapidamente os lábios do loiro, que estavam muito próximos. — Desculpa pelo jeito que meu pai falou contigo.

— Não levo essas coisas pro coração, gatinho. — Esfregou a pontinha do nariz na de Shinsou, o deixando um tanto molinho com aquele gesto simples. — Mas, confesso que ele acelerou quando você falou de Obaluaê.

O próprio coração também havia acelerado quando falou, pois sentira um forte arrepio e alegria aquecendo no peito. Aquela religião era fascinante, o fato de se encaixar como filho de um orixá era melhor ainda, Denki ainda lhe incentivava a fazê-lo, filho de Exu, e um tremendo filha da puta gostoso e carinhoso.

Grunhiu baixo, num gesto de momento quis fazer a loucura de juntar os lábios no do loiro, e ele pareceu desejar o mesmo, mas batidas rápidas na porta fizera o arroxeado sair nervoso do colo de Denki.

— Shinsou, não tô conseguindo ligar o fogão. — A voz frustrada de Aizawa soou como a morte para os dois. O moreno estreitou os olhos quando viu ambos sentados, as feições vermelhas e com cara de culpa. — O que tá acontecendo aqui? Por que estão no escuro?!

— Somos vampiros.

— Fica quieto. — Shinsou murmurou para o loiro que tinha um sorriso ladino. — Pai, procura no YouTube, tu já ligou ele antes!

— Você deveria me ajudar nessas coisas… — Resmungou permanecendo com o olhar fixo sobre Kaminari. E o carioca sequer se incomodava, apenas permanecia sorrindo tranquilamente e devolvendo o olhar fixo. — Quanto tempo ele vai ficar aqui?

— O quanto eu quiser! — Respondeu antes que Denki soltasse mais alguma coisa tranquila e sarcástica. — Pode ir e fazer a comida agora e cuidar de Eri?!

— Eu-

— Não, quer saber?! Eu cuido da Eri. — Bateu as mãosnum gesto nervoso e Aizawa estremeceu. Kaminari estreitou os olhos, encarando aqueles dois com um certo receio.

— Ok, ok. — Assentiu bufando, e por fim saindo do quarto.

— Ei. — Denki segurou gentilmente na mão de Shinsou, e com calma o fez deitar na cama. O arroxeado deixou o corpo tenso sobre o colchão, logo fez o mesmo, e começou a acariciar sua bochecha. — Acalma o coração.

— Ele tá calmo…

— Tá não meu bem… — Insistiu, a tranquilidade na voz e no sorriso sendo estando presente. — Sei que tu tá puto com ele, mas vai que ele melhora as atitudes?

Sujos de areia Onde histórias criam vida. Descubra agora