Vinte E Cinco

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Eu não sou boa influência pra você...

— Sem condições Matheus…

A voz de Shinsou estava nervosa e a face tomada pelos traços rigidamente frustrados, tal situação era tão caótica que em menos de segundos os dois foram capazes de perder a ereção no meio das pernas. Seus dedos encontravam rapidamente o rosto para esfregá-lo, enquanto Denki não sabia sequer raciocinar quando tinha do próprio nome sendo berrado pela mãe naquele sítio todo. Parecia chegar cada vez mais perto, a ponto de deixar claro que Cecília já havia entrado na casa.

Ele fora rápido em trancar a porta segundos antes da mesma tentar ser aberta. Ficou claro que era a mulher loira, e também deixou mais fácil para ela crer o paradeiro do filho.

— Kaminari, sai desse quarto agora.

Sem dizer nenhuma palavra, o carioca olhou aos prantos na direção do paulista, naquele gesto silencioso pedindo desesperadamente por ajuda. Miguel não gostou. Ele estava muito assustado para alguém que supostamente só fugiu com algum desconhecido de Porto Seguro até o Rio. Claro, ainda era uma coisa terrível para as pessoas que se preocupavam com ele, mas mesmo assim, Denki estava nervoso ao extremo.

— MATHEUS DENKI KAMINARI!

— Tia? — O arroxeado se adiantou em chegar rapidamente próximo a porta, tentando controlar a voz falha para acabar mentindo. — É o Shinsou, Kaminari não tá aqui, eu tranquei a porta por que tava dormindo…

— Ah, me desculpe meu bem. — Soou assustador para aqueles dois, pois num momento onde Cecília parecia possessa, agora se encontrava fragilizada e prestes a chorar. — Pensei que… Pensei que ele estava aqui. Pode abrir a porta, por favor?

— Claro… — Olhou de relance na direção do loiro, este que precisou correr numa velocidade silenciosa até o banheiro que havia no quarto. Shinsou sentia um peso no coração por estar mentindo daquele jeito, mas cedeu ao remorso e abriu a porta. A cena em que recebeu foi avassaladora, Cecília tinha olheiras abaixo dos belos olhos dourados, o cenho franzido em meio a sua expressão prestes a desmoronar num choro doloroso. — O q-que aconteceu?

— Não sei bem se devo contar. — Esboça um sorriso triste, aquela sendo a deixa de lágrimas grossas deslizarem pelo rosto pálido da mulher.

— Pode tentar…

— Bom, é que o Kaminari, ele… Ele saiu da casa do pai. — Esfrega os dedos sobre as próprias pálpebras, já dizendo o que Shinsou tinha ciência. — O pai dele tá ligando desesperado.

— Caralho. — Tenta fingir surpresa e acima de tudo disfarçar o nervosismo que estava sentindo pelo loiro naquele momento. — Eu entendo a preocupação dos dois… Não acharam ele até agora?

— Me disseram que ele estava aqui com você.

— Comigo? Não vi ele. — Se faz de desentendido, os próprios punhos se fechando com força por trás das costas. — Mas com certeza vou avisá-la quando vê-lo.

— Por favor, faça isso. — Pede angustiada. — E mesmo eu estando puta por ele ter pegado o cartão de crédito do pai escondido dele e gastado quase seiscentos reais, só precisamos conversar.

Shinsou paralisou no lugar.

E sentiu as pernas fraquejarem, praticamente anunciando por alguns segundos que elas não suportariam mais o peso do corpo.

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