Durante toda a gravidez de Hoshi, sempre que Akaashi ia até a cidade para fazer qualquer coisa, ele era alvo de olhares de canto e cochichos. Com o tempo, ele aprendeu a lidar com isso, mas quando Hoshi nasceu... não parecia muito tão seguro levá-lo a todos os lugares.
Akaashi sabia que se andasse por aí com o filho, os olhares seriam ainda mais direcionados e reprovadores, porque ele já era o homem ômega grávido que tinha se mudado de repente para a cidade, agora aquele era o seu filho que na opinião de muitos nem deveria ter nascido.
Mesmo que Hoshi não entendesse o que esses olhares significavam e nem fosse se lembrar disso quando crescesse, Akaashi não queria ele tendo essas experiências. Sendo assim, as três vezes em que tinham saído ele, Hoshi e Bokuto foi para irem até o galpão de Kuroo e mais à tarde, quando as ruas não estavam tão movimentadas.
Porém, esse sentimento ficou ainda pior depois que o chalé foi invadido. Seu medo e preocupação agora não eram somente sobre os olhares das pessoas e o que elas poderiam falar, mas do que poderiam fazer.
Isso acabou fazendo Akaashi se isolar completamente na casa dos Bokuto desde que se mudara há pouco mais de dois meses.
Sua terapia era online, então não precisava sair, e agora tampouco precisava andar até o café para ter internet para enviar os arquivos ao jornal. Seus dias se resumiam em trabalhar, cuidar de Hoshi e decidir se faria isso na cozinha, na sala, no quarto ou, quando se sentia confiante para arriscar um pouco, no quintal nos fundos da casa.
Mesmo assim, o lado racional de Akaashi sabia que aquela não era a melhor forma de lidar com a situação.
Essa insegurança foi levada para as sessões de terapia e depois de muitas conversas, a psicóloga conseguiu convencer Akaashi a tentar ir ao menos até o mercado, então, ali estavam.
Não era um dia em que o estabelecimento estava muito cheio, nem totalmente vazio. Enquanto andavam pelos corredores, os olhares deixavam Akaashi inquieto, mas, percebendo isso, Bokuto apertava de leve sua mão e, com o olhar, dizia: "Está tudo bem".
— Ok — Akaashi suspirou e checou novamente a lista de compras que tinham feito —, agora precisamos pegar algumas coisas que sua mãe pediu, acho que vi no outro corredor.
— Eu vou dar mais uma olhada por aqui enquanto você vai lá, então, pode ser?
Akaashi encarou Bokuto, depois desceu o olhar para Hoshi no canguru no peito dele e mais uma vez se voltou para Bokuto.
— Nos separar?
— Só por cinco minutos, Kaashi — disse um pouco manhoso, mas Akaashi não parecia muito confiante. — Você vai estar logo ali e eu não vou sair daqui. Não precisa se preocupar, não vou deixar nada acontecer com o Hoshi.
Ele olhou novamente para o filho. Hoshi tinha uma chupeta na boca e os olhos bem abertos, concentrado no que o pai falava, como se tentasse entender. Akaashi não queria se tornar um pai superprotetor e talvez aquele fosse um passo pequeno, mas ainda era um início.
— Tudo bem — cedeu e Bokuto sorriu orgulhoso. — Eu não vou demorar, não vá muito longe e... Ah! Não pegue muitos doces, você tem que começar a seguir uma dieta a partir de agora.
— Certo — Bokuto ajeitou a postura, levantou o rosto e juntou as pernas e os braços ao lado do corpo em sinal de respeito.
— Bobo — Akaashi sorriu.
Ainda um pouco hesitante, ele seguiu para o outro corredor, enquanto Bokuto usava uma das mãos de Hoshi para acenar.
Assim que Akaashi virou a esquina e sumiu de vista, Bokuto se voltou para a prateleira a sua frente. Nela havia diversos produtos em conserva: pepinos, pimentas, algo parecido com peixe, cogumelos... nada que ele achasse muito interessante.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Refúgio - BokuAka
FanfictionAkaashi Keiji nunca cometia erros, mas apenas uma noite de relaxamento foi necessária para que toda a sua vida fosse virada de cabeça para baixo. [BokuAka - ABO] Fanart por: ZandraArt (Tumblr)
