Akaashi caminhou lentamente pelo corredor. Enquanto seus pés se arrastavam contra a madeira, do lado de fora, os pneus do carro arranhavam o chão de terra.
Na sala, Bokuto estava de pé, próximo à porta, com Hoshi no colo. Sua expressão revelava ainda certa preocupação e inquietude, mas ele achou melhor não mencionar o elefante na sala ao ver a postura amedrontada de Akaashi, ao invés, optou por dizer:
— Achei que seria melhor deixar a porta trancada agora.
Akaashi assentiu acenando a cabeça e se aproximou devagar de onde eles estavam. Por mais que acreditasse quando Bokuto disse que acreditava nele, aquele momento de dúvida ainda tinha acontecido.
Bokuto podia ver como Akaashi se sentia receoso com a aproximação, com medo de fazer algo que pudesse abalar outra vez a antes intacta confiança deles. O que não era verdade.
Bokuto continuava confiando no Akaashi que amava e conhecia há meses, que era gentil e prestativo com ele, carinhoso e atencioso com o filho, calmo e observador com tudo e todos ao seu redor... confiava no Akaashi que estava exatamente na sua frente. Bokuto tentava ao máximo mostrar isso com seus sentimentos, mas, no momento, Akaashi estava tão imerso em seus temores que não conseguia perceber.
Toda essa situação deixava Bokuto desesperado. Ele queria dizer alguma coisa para poder acalmar Akaashi, mas eram tantos pensamentos que vinham ao mesmo tempo e, assim, misturavam-se em sua mente que ele não conseguia ter certeza do que poderia, ou não, acabar piorando tudo.
— Hoshi está bem? — Akaashi perguntou, quebrando aquela tensão angustiante.
— Sim — Bokuto respondeu, internamente agradecido por ter um foco agora, uma pergunta objetiva para responder, e entregou Hoshi com cuidado para Akaashi —, ele tinha ficado um pouco irritado, mas consegui fazê-lo dormir outra vez.
Akaashi engoliu em seco e olhou para o pequeno acomodado em seus braços, segurando forte um de seus dedos como ele sempre fazia quando dormia. Analisando tudo com mais clareza agora, via que, mesmo que por instantes, a segurança de seu filho tinha sido ameaçada.
Também olhou para a posição das chaves no trinco da porta, indicando que realmente estavam trancadas. Sua fortaleza, seu esconderijo de tudo e de todos, o lugar que finalmente reconhecia como casa tinha sido invadido.
Por fim, olhou para Bokuto, a luz divertida, simpática e carinhosa que ele sempre tinha nos olhos e era a maior fonte de conforto e tranquilidade de Akaashi, estavam contaminadas por apreensão e receio.
O nó que se formou na garganta de Akaashi demorou segundos para se tornar insuportável e fazer com que ele começasse a derramar lágrimas sem qualquer indicação de que pararia.
— Eu fiquei com tanto medo — admitiu entre um soluço e outro, entre uma respiração e outra. As lágrimas embaçavam sua visão antes de escorrerem por suas bochechas. Tendo as mãos ocupadas, ele nem ao menos conseguia enxugá-las.
Akaashi precisava ser abraçado, Bokuto via essa necessidade pela forma como o corpo dele tremia e parecia se encolher mais a cada segundo, então assim o fez.
Envolveu-o calmamente, tomando cuidado para não machucar o pequeno em seus braços, e sentiu Akaashi se apoiar nele como se aquele gesto fosse o que estivesse mantendo-o vivo.
— Está tudo bem agora — sussurrou no ouvido dele, enquanto acariciava lentamente sua nuca.
Bokuto continuou afagando as costas e os braços de Akaashi até que a respiração dele voltou a ficar calma. Em seguida, foram se sentar no sofá, mas, vendo que Hoshi tinha acordado novamente e agora só voltaria a dormir à noite, Bokuto se ofereceu para preparar a mamadeira dele.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Refúgio - BokuAka
FanfictieAkaashi Keiji nunca cometia erros, mas apenas uma noite de relaxamento foi necessária para que toda a sua vida fosse virada de cabeça para baixo. [BokuAka - ABO] Fanart por: ZandraArt (Tumblr)
