Três dias tinham se passado desde a chegada de Akaashi e sempre que ele acordava, não sabia se sentia-se grato ou levemente desapontado por aquela ser sua nova realidade.
Sentia falta de sua cama, do carpete macio sob os pés. Sentia falta de não precisar esquentar água no fogão caso quisesse um banho quente. Também sentia falta de não ter de ir até o centro da cidade caso quisesse usar internet.
Mas no fim das contas, o futon não era desconfortável para dormir e o chão de madeira era muito mais fácil de limpar. Por mais que o chalé não fosse muito grande, Akaashi teve a surpresa de encontrar ali uma banheira rústica. Em resumo, o lugar lhe trazia extrema paz e tranquilidade, então ele estava feliz.
Hoje seria o dia em que Akaashi limparia a parte de fora do chalé. As vinhas que cresciam pelas paredes até poderiam ser uma ótima decoração se não estivessem tão mal cuidadas.
Em uma tarde, quando Akaashi andava pelo terreno, acabou encontrando um galpão muito bem camuflado atrás de algumas árvores. Dentro acabou encontrando vários utensílios de jardinagem que agora iriam se provar muito úteis.
Com um pouco de esforço conseguiu levar a escada de madeira até o lado do chalé e deixá-la escorada lá, então voltou ao galpão para buscar a tesoura de jardinagem que tinha avistado na parede junto com outras ferramentas.
Com o máximo de cautela possível, Akaashi começou a subir na escada, a cada degrau ela balançava um pouco por conta do terreno instável e, mesmo que ele não tivesse medo de altura, aquela não era uma sensação agradável; também tinha consciência de que não era somente sua vida em risco. Ao subir no quarto degrau, viu que já era uma altura boa, mas um som repentino fez com que ele desejasse não ter pisado nem mesmo no primeiro.
— AGAASHEE!!
Por segundos, seu sangue gelou. Akaashi segurou o mais firme que pode nas laterais da escada, enquanto também tentava equilibrar a tesoura em uma das mãos. Por sorte, nenhum desastre aconteceu.
— É "Akaashi" — disse baixo, ainda com os olhos apertados.
Não precisava se virar para saber quem era. Bokuto o visitava todos os dias para trazer algo e mesmo assim ainda insistia em errar seu nome. Talvez fosse só para provocá-lo — o que não funcionava —, ou talvez fosse simplesmente por seu jeito ingênuo e meio bobo que Akaashi já havia notado.
— Eu trouxe mais uma cesta de boas vindas — ele a estendeu no ar para mostrá-la a Akaashi. — Talvez eu tenha me distraído um pouco quando minha mãe disse de quem era e agora pode ser que eu não me lembre... — enquanto falava, foi aproximando de volta o objeto para perto de seu corpo e dava para perceber o leve constrangimento.
— Está tudo bem — Akaashi disse calmo — eu não saberia quem é mesmo.
Com aquelas palavras, o ânimo voltou para o rosto de Bokuto tão rápido quanto se foi e Akaashi pensou se às vezes não era estressante ter emoções tão voláteis.
— Pode deixar na mesa da cozinha — ele instruiu e com um aceno, Bokuto atendeu o pedido.
Enquanto o outro entrava no chalé, Akaashi respirou fundo e voltou sua atenção à tarefa que ia começar antes. Ele não achava que seria algo complicado, mas encontrou certa dificuldade por conta da posição desajeitada em que tinha de ficar e a espessura das vinhas também dificultavam o corte da tesoura que parecia não ser amolada há tempos.
— Você fez um ótimo trabalho com a limpeza — Bokuto tinha voltado e parou a alguns passos do pé da escada. — Nem me lembrava mais de como esse chalé era quando estava arrumado. Sabe, as pessoas estão curiosas para te conhecer. Não acontece muita coisa por aqui, então você se mudar para cá é praticamente o evento do ano!
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Refúgio - BokuAka
FanficAkaashi Keiji nunca cometia erros, mas apenas uma noite de relaxamento foi necessária para que toda a sua vida fosse virada de cabeça para baixo. [BokuAka - ABO] Fanart por: ZandraArt (Tumblr)
