11 • A visita

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— A maior prova de que eu te amo, é o fato de ter conseguido me trazer para este fim de mundo — foi a primeira coisa que Kenma disse assim que Akaashi abriu a porta do chalé.

— Kenma! — Abraçou-o verdadeiramente feliz por finalmente rever o amigo depois de tantos meses.

Afastando-se um pouco para observa-lo, reparou que Kozume Kenma havia mudado muito pouco desde que se despedira dele e embarcara num ônibus rumo a sua fuga. Talvez tivesse crescido alguns centímetros, assim como seu cabelo que agora era quase todo no seu tom natural de castanho, somente as pontas permaneciam descoloridas.

— Sério — continuou Kenma —, como veio parar aqui?

— Bom — deu passagem e ele entrou carregando sua mala e olhando os arredores —, morar neste chalé foi a primeira escolha que realmente fiz depois que tudo aquilo aconteceu, e agora percebo que não poderia ter escolhido melhor.

— Nunca imaginei você morando em um chalé no meio de uma floresta — disse, deixando de reparar no local e voltando sua atenção para Akaashi.

— Também não estava nos meus planos engravidar, mas veja só — eles riram.

— Mas, sabe — Kenma voltou a se aproximar e, bastante hesitante, levou a mão à barriga de Akaashi —, de alguma forma, tudo isso parece combinar com você. Acho que vai ser um ótimo pai.

— Sim... pai...

Mais uma vez aquele impasse por conta de uma mísera palavra. Bokuto se referia a ele dessa forma com frequência, até Kuroo dissera vez ou outra, mas com Kenma — provavelmente pelos anos que se conheciam — parecia ser diferente, não sabia o quê exatamente era diferente, simplesmente era, e isso o incomodava profundamente.

Kenma notou a expressão do amigo mudando no pequeno silêncio que se formou entre eles, primeiro trocou de alegre para uma meio tristonha, distante... então surgiu uma pequena irritação que acentuava sutis linhas em sua testa. Kenma o conhecia e sentia que aquele não era o melhor momento para tratar qualquer que fosse o assunto que o estava chateando. Sabia também que quando estivesse pronto, Akaashi falaria, ele sempre falava.

— Onde posso por minhas coisas? — Desviou o assunto.

— Ah, sim, desculpe — ele piscou e pareceu acordar do transe em que estava —, por aqui. Você deve estar cansado, como foi a viagem?

Kenma o acompanhou, passando pela pequena sala, pela cozinha e seguindo até o fim do corredor onde ficava o quarto.

— Foi horrível — soltou um grunhido e tirou sua mala do ombro, deixando-a em um canto. — Uma senhora fez questão de se sentar ao meu lado, mesmo tendo fileiras vazias no ônibus, e me contar a vida dela e da família inteira.

— Por que não colocou seus fones? Estava sem eles? — Essa era uma técnica que Kenma utilizava com frequência para que as pessoas não interagissem com ele.

— Eu coloquei, mas ela disse que era uma tremenda falta de respeito e me fez tira-los. Nesse momento, juro que pensei em desistir de vir te ver e voltar embora a pé, porque caminhar todos aqueles quilômetros de volta seria menos doloroso que escutar ela contando sobre a vida escolar de seus cinco netos.

Akaashi riu. Agora via o quanto tinha sentido falta de Kenma e da maneira dele de ver as coisas. Tê-lo ali fazia crescer a sensação de conforto e parecia aumentar as muralhas que tornavam aquele lugar tão seguro.

— Eu senti muita saudade de você — Akaashi falou, dando-lhe mais um abraço meio desajeitado.

— Eu também senti.

Refúgio - BokuAkaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora