Capítulo trinta e nove

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Naquele momento, tudo perdeu o som.
  A cor, o sentido.
  A única coisa que se ouvia era meu coração batendo. Era ensurdecedor. Aquele, para mim, foi o segundo que nunca acabou.
  Em instantes meus sentidos são retomados, vejo Cole cair de bruços com o terno escorrendo sangue do buraco de bala causados por alguém que ele tanto confiou. Meu sangue esquenta, meu corpo começa a se movimentar sozinho. Vou em direção a ela com o coração em uma mão e minha pistola na outra.

  — E-eu não quis... - ela leva as mãos trêmulas a boca, chorando em desespero.

  — Sim, você quis. - atiro na coxa dela. — Traidora.

  Ela, no chão, tenta desesperadamente estancar o sangue. Eu propositalmente atingi a artéria femoral. Se ninguém prestar socorro ela morrerá em pouco tempo. Sinceramente, no meio desse caos ela é apenas uma peça assim como Cole foi, ninguém se importará.
  Pessoas correm em desespero pisoteando até mesmo as que estão caídas no chão. Se o inferno for real, tenho certeza que se parece com isso. As selecionadas e suas famílias corriam para todos os lados tentando fugir. Rebeldes e guardas lutam fisicamente e com armas de fogo.
  Tento arrastar Cole para baixo de uma grande mesa de forma rápida, a fim de chamar o mínimo de atenção possível. Lá, tento reanima-lo.

  — Por favor. - meus olhos se enchem de lágrimas.

  Os olhos dele se abrem levemente. Procuro o buraco de saída da bala. Pouco abaixo das costelas, talvez tenha atingido uma parte do pulmão considerando que o tiro foi na diagonal.

  — Fiz uma merda muito grande, né? - ele murmura com os olhos entreabertos.

  — Sim, você fez. - deixo ele delicadamente no chão. — Fica acordado aí.

  Rastejo para fora da mesa. Uma grande toalha recobria, então é um lugar relativamente disfarçado para se esconder, o porém é que muita gente deve estar escondida embaixo das mesas e eles logo começarão a procurar.
  Volto ao lugar que estava quando Cole levou o tiro. Sam me aguardava abaixado do lado do enorme bolo de casamento. Fui impulsiva e não o protegi. Por sorte estava tudo bem. A partir de hoje eu acredito em anjos pois tenho certeza que Sam foi protegido por um.
  Tento voltar para Cole, mas alguns rebeldes disparam contra mim. Empurro Sam para trás de uma pilastra que sustentava a decoração e tento me defender da melhor forma possível. Atiro contra eles, mas minha munição não é infinita.
  Acabo entrando em um combate corpo a corpo com uma mulher e um homem. Puxo uma bandeja de prata em cima da mesa e acerto com força o rosto do rapaz. A moça, por outro lado, consegue agarrar meu cabelo e me pressiona contra a mesa. Ouço Sam gritar desesperado. A mulher também ouve e, após bater minha cabeça com força na mesa, vai em direção a ele.
  Estou cambaleante devido ao trauma, mas consigo pegar um garfo e enfiar no pescoço dela enquanto ela tenta capturar o jovem príncipe.

  — Não olha, vem. - digo sacudindo a cabeça para que minha visão desembace e pego a mão de Sam, o puxando até a mesa onde está Cole.
 
  Em meio a isso, diversos outros rebeldes vem em nossa direção. Um som muito alto é ouvido, mas esse eu reconheço. O exército chegou.

A GuerreiraOnde histórias criam vida. Descubra agora