Vesti a roupa que foi deixada no meu quarto. Era uma calça preta justa, uma blusa de mangas longas e gola alta azul. Estava muito frio. Visto a jaqueta de couro e minhas botas e saio para encontrar o príncipe.
Lá estava ele. Com seu cabelo bagunçado e seu rosto despreocupado. Admito, estava de tirar o fôlego, como sempre.
— Onde vamos? - pergunto a ele.
— Hoje não vamos a lugar nenhum. - ele caminha até uma área mais afastada do jardim,atrás de algumas árvores.
— Que lugar é esse? - pergunto novamente.
— O jardim do castelo, ué. - ele ri debochado.
— Ah, ele voltou. - digo demonstrando decepção na voz, porém feliz por dentro ao ver que ele está bem.
Ele se senta em uma pedra e me convida para sentar também.
— E como você está? - pergunto.
— Não me encha de perguntas. Pelo menos não hoje. Estou aqui pra relaxar, esquecer dos problemas e conhecer você melhor. - ele tira dois cigarros suspeitos do bolso e me entrega um.
Sento do lado dele e pego o cigarro instintivamente.
— O que é... - ele acende meu cigarro, impedindo que eu termine a frase.
— Já disse. Sem perguntas por hoje. - ele ri e acende o dele também, levando-o a boca e dando a primeira tragada. — Só fuma, vai ser divertido.
O que eu tenho a perder? Coloco o cigarro na boca e me junto a ele.
— Só se conhece uma pessoa verdadeiramente quando se sabe como ela perdeu a virgindade. Você provavelmente ainda é, a vida no exército não parece ter sido muito agitada.
— Na verdade, eu sou uma garota que dormia em um quarto com outros homens, é quase impossível ser virgem. - libero a fumaça.
— Você foi estuprada? - ele diz estremamente espantado.
— Você disse sem perguntas.
— Acabo de abrir uma excessão. Você foi? - ele pergunta, ainda chocado.
— Não. - dou um sorriso e mordo o canto do lábio. — Não posso dizer que eu não gostava.
Ele ainda parece chocado.
— Nada aconteceu lá dentro sem o meu consentimento. - afirmo.
— Ok, fui pego de surpresa. Explique melhor.
— Bom, meu pai queria que eu ficasse em um quarto com outros garotos e eu obedeci. - dou uma risadinha. — Mas também me diverti um pouquinho, se é que você me entende.
— É, infelizmente eu entendo. - ele ri. — Achei que você chorava no banho todo dia por causa do babaca do seu pai.
— E eu chorava. - dou uma piscadinha.
— Meu Deus. - ele me olha impressionado, porém parece gostar do que ouviu.
— Putarias a parte, eu era bem infeliz naquele lugar. Mas depois de um tempo eu deixei de chorar e passei a abraçar meu destino com vários soldados sarados. Claro que isso não me deixava menos infeliz, mas supria uma parte vazia da minha vida.
— Parte vazia, né? - ele ri e dá outra piscadinha nada discreta.
— É claro. - rio também. — Cada um afoga as mágoas de um jeito. Você se isolando por uma semana e eu no peito sarado do meu colega de quarto.
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A Guerreira
FanfictionMesmo sendo uma garota, meu pai nunca me enxergou dessa forma. Assim, me vestiu de homem e me mandou para a guerra. Meu nome é Bronwyn, tenho 18 anos e fui obrigada a agir como uma selecionada.
