Capítulo vinte e sete

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  Vesti a roupa que foi deixada no meu quarto. Era uma calça preta justa, uma blusa de mangas longas e gola alta azul. Estava muito frio. Visto a jaqueta de couro e minhas botas e saio para encontrar o príncipe.
  Lá estava ele. Com seu cabelo bagunçado e seu rosto despreocupado. Admito, estava de tirar o fôlego, como sempre.
 
  — Onde vamos? - pergunto a ele.

  — Hoje não vamos a lugar nenhum. - ele caminha até uma área mais afastada do jardim,atrás de algumas árvores.

  — Que lugar é esse? - pergunto novamente.

  — O jardim do castelo, ué. - ele ri debochado.

  — Ah, ele voltou. - digo demonstrando decepção na voz, porém feliz por dentro ao ver que ele está bem.

  Ele se senta em uma pedra e me convida para sentar também.

  — E como você está? - pergunto.

  — Não me encha de perguntas. Pelo menos não hoje. Estou aqui pra relaxar, esquecer dos problemas e conhecer você melhor. - ele tira dois cigarros suspeitos do bolso e me entrega um.

  Sento do lado dele e pego o cigarro instintivamente.

  — O que é... - ele acende meu cigarro, impedindo que eu termine a frase.

  — Já disse. Sem perguntas por hoje. - ele ri e acende o dele também, levando-o a boca e dando a primeira tragada. — Só fuma, vai ser divertido.

  O que eu tenho a perder? Coloco o cigarro na boca e me junto a ele.

  — Só se conhece uma pessoa verdadeiramente quando se sabe como ela perdeu a virgindade. Você provavelmente ainda é, a vida no exército não parece ter sido muito agitada.

  — Na verdade, eu sou uma garota que dormia em um quarto com outros homens, é quase impossível ser virgem. - libero a fumaça.

  — Você foi estuprada? - ele diz estremamente espantado.

  — Você disse sem perguntas.

  — Acabo de abrir uma excessão. Você foi? - ele pergunta, ainda chocado.

  — Não. - dou um sorriso e mordo o canto do lábio. — Não posso dizer que eu não gostava.

  Ele ainda parece chocado.

  — Nada aconteceu lá dentro sem o meu consentimento. - afirmo.

  — Ok, fui pego de surpresa. Explique melhor.

  — Bom, meu pai queria que eu ficasse em um quarto com outros garotos e eu obedeci. - dou uma risadinha. — Mas também me diverti um pouquinho, se é que você me entende.

  — É, infelizmente eu entendo. - ele ri. — Achei que você chorava no banho todo dia por causa do babaca do seu pai.

  — E eu chorava. - dou uma piscadinha.

  — Meu Deus. - ele me olha impressionado, porém parece gostar do que ouviu.

  — Putarias a parte, eu era bem infeliz naquele lugar. Mas depois de um tempo eu deixei de chorar e passei a abraçar meu destino com vários soldados sarados. Claro que isso não me deixava menos infeliz, mas supria uma parte vazia da minha vida.

  — Parte vazia, né? - ele ri e dá outra piscadinha nada discreta.

  — É claro. - rio também. — Cada um afoga as mágoas de um jeito. Você se isolando por uma semana e eu no peito sarado do meu colega de quarto.
 

A GuerreiraOnde histórias criam vida. Descubra agora