Capítulo vinte e seis

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Uma semana se passou desde a descoberta impactante. Uma semana sem ver Cole. Desde o acontecido, o príncipe não saiu de seus aposentos.

  — Odeio tudo isso. - algo me tira de meu devaneio.

  — An? - questiono.

  Era Lua, antes de me perder em meus pensamentos eu estava conversando com ela.

  — Você tá agindo estranho. - ela afirma de braços cruzados.

  — Só tô meio distraída, o príncipe não aparece faz tempo.

  — E você tá preocupadinha. - Lua diz com um sorriso perverso e cutuca meu nariz.

  Por algum motivo me sinto íntima dela, como se fôssemos amigas mesmo sem ter conversado tanto assim. O que temos é parecido com amigos que ficam muito tempo sem se ver, mas quando vêem agem como se nada tivesse mudado.

  — Não tô preocupada. - dou um tapa na mão dela impedindo que cutuque meu nariz novamente. — Só é estranho.

  — Não é estranho. Se eu fosse da realeza e essa fosse minha seleção, eu também não sairia do quarto pra ver um monte de garotas desesperadas por mim. - ela para por um momento. — Na verdade, eu sairia sim. É exatamente o que eu faria.

  — Que. - digo meio sem reação, não sei dizer se foi uma pergunta. — Lua, você gosta de garotas?

  Percebo o quão impulsiva foi a minha pergunta e me arrependo, porém não posso retirar.

  — Eu meio que nunca escondi isso. - ela ri.

  — Ahhh... - digo associando os fatos. - Agora faz sentido, você tá com a Brianna!

  — Shiiiii - ela enfia um donut na minha boca. — As paredes tem ouvidos, minha filha.
 
  Levanto as mãos em forma de rendição e mastigo o donut.

  — Não fala isso em voz alta, tá maluca? Se me pegaram eu te beijo pra pensarem que tô namorando você. - dou risada interrompendo a fala séria dela. — E eu não tô brincando hein, se eu for açoitada você vai junto. - ela acaba se entregando e ri também.

  — Com licença, senhorita. - o mordomo me entrega um cupcake de glacê acinzentado. — O príncipe pediu que eu lhe trouxesse.

  — Hmmm... Obrigada. - pego o cupcake da bandeja e dou uma mordida, logo, o mordomo vai embora.

  — Safadinha, recebendo presente do príncipe mesmo quando ele não tá na ativa. - o mesmo sorriso pervertido aparece no rosto dela.

  Começo a me engasgar.
  Lua levanta e começa a bater em minhas costas. Tusso e acabo cuspindo um pedaço de papel.

  — Essa é a pior maneira de mandar um recado pra alguém. - desamasso o papel coberto por glacê e saliva.

  — Acho que não foi exatamente essa cena que ele imaginou quando colocou o bilhete no cupcake. - Lua não consegue parar de rir.

  "01:00, jardim dos fundos. A roupa está no seu quarto."

  — ENCONTRINHO SECRETO! - Lua grita empolgada. Essa foi a minha vez de enfiar o donut na boca dela.

  — Shiiiii, é secreto, não precisa ficar gritando. - brigo com ela, mas acabo rindo. Com ela, sempre acabo rindo.

A GuerreiraOnde histórias criam vida. Descubra agora