Eu estava apavorado. Mesmo fazendo parte do grupo a alguns anos ainda estava com um mau pressentimento. E se os guardas reagissem mais do que o esperado?
A verdade é que eu sou completamente covarde, fujo das minhas responsabilidades desde criança. Pela primeira vez estou tentando fazer a coisa certa.
Ando pelo castelo tentando organizar meus pensamentos e finalizar os últimos detalhes para facilitar a invasão e a fuga. Minha intenção é lutar ao lado deles levantando a bandeira da democracia e, após isso, ir embora com Bronwyn.
Bronwyn...
Espero que dê tudo certo, agora não só por mim como por ela também. Aos poucos estou deixando de ser egoísta, talvez por ter encontrado alguém tão machucado quanto eu. A diferença é que ela é infinitamente mais forte e até então não tinha fugido do dever. Eu a admiro muito.
Sinalizo com alguns guardas infiltrados, aparentemente está tudo certo.
Eu espero que esteja mesmo.
Esbarro com Bronwyn no corredor.
— Tudo certo? - ela pergunta.
— Tudo. - respondo.
Ela assente e se afasta, indo em direção a seu quarto.
— Ei, han... - fico meio sem jeito. — Você não quer...? - aponto para o andar de cima, onde fica meu quarto.
— Está me convidando pro seu quarto? - ela ri.
— Bom, sim. Mas não é com a intenção que você imagina. - respondo a ela.
— Então tudo bem. - ela se junta a mim e subimos mais um lance da escadaria.
Entro no meu quarto que por incrível que pareça está meio desorganizado. Liberei os empregados para que não pudessem achar algo que pudesse me incriminar.
— Não é exatamente o quê eu esperava do quarto de um príncipe. - ela diz.
— A essa altura você já deveria saber que eu não sou um príncipe muito convencional. - passo a mão no cabelo e olho para o chão. Por que estou tão tímido?
— É, você está certo. - ela ri e passeia pelo quarto.
Meu quarto é simples. Nada muito detalhado ou enfeitado. Apesar de grande, é um tanto quanto vazio. Exceto pelo sofá com a mesa de centro, a cama bagunçada e a escrivaninha coberta por papéis desorganizados.
— O que você queria me mostrar? - ela pergunta.
— Queria que você visse meu quarto. Acho que o quarto de alguém é um ambiente bastante íntimo que diz muito sobre a personalidade da pessoa. - respondo. — Eu deveria ter pensado nisso antes de te trazer justo no dia que liberei os empregados.
— Acho que assim é melhor. Posso concluir que você é uma bagunça.
— É, acho que está certo. - dou risada. — Mas isso você já sabia.
— Sim, por aqui tem de tudo. - ela diz se referindo ao castelo.
— Algum dia vamos rir disso tudo.
— Tenho certeza que sim. Bom, está ficando tarde, acho que vou embora. - ela diz se dirigindo até a porta. — Boa noite?
— Na verdade, você pode ficar se quiser. Eu até posso ajeitar a cama. - digo segurando os lençóis.
Ela parece pensar por um segundo.
— Pode ser.
Rimos, brincamos. Naquela noite, senti que éramos e continuaríamos sendo um casal. Dormimos de madrugada.
Aproveitamos nossa última noite no castelo da melhor forma possível.
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A Guerreira
Fiksi PenggemarMesmo sendo uma garota, meu pai nunca me enxergou dessa forma. Assim, me vestiu de homem e me mandou para a guerra. Meu nome é Bronwyn, tenho 18 anos e fui obrigada a agir como uma selecionada.
