Agindo

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JHON SANCHEZ

Na sexta-feira seguinte á nossa aventura no karaokê, descobri que teria que trabalhar até tarde. Muito tarde. Seria um daqueles dias cheios de reuniões, e com vários e-mails "urgentes" para responder. Definitivamente, minha jornada teria que se estender.

Por fim, consigo fazer um intervalo de cinco minutos entre um compromisso e outro, resolvo beber uma coca zero, para colocar meus pensamentos em ordem. Levar Ester a gozar, chegando ao limite, me confundiu. Estava com o celular na mão, tentando decidir se deveria ligar ou não para ela, tal como, nos dois últimos dias, quando vi Cecília passar pelo corredor. Minha querida e irritante assistente estava se esquivando de mim, sempre que podia. Resolvi me atentar primeiro a isso.

Á passos firmes, fui em direção a sua mesa.
Nas pontas dos pés, a rodeei, e inclinando-me, e sussurrei em seu ouvido:
- Está me evitando senhoria, Valverde? - Sua respiração, vacilou.
- Não sei do que está falando. - Disse sem me encarar.

Giro a cadeira, fazendo-a olhar nos meus olhos.

- Quero você na minha sala, agora! - Abaixei o corpo sobre o dela.
Arqueou as sobrancelhas, fazendo uma careta.
- E se eu não quiser?
Abri um sorrisinho, e comecei a empurra-la, ainda sentada na cadeira.
- Ah! Não! Essa palhaçada de novo, não. - Esbravejou, enquanto era arrastada porta adentro.
Com o pé, nos tranquei dentro do meu escritório, virando-a para mim.
- Envergonhada? - Perguntei, dissimulado.
- Pode tirar esse sorriso de superior da cara. - Apontou o dedo para o meu rosto. - A culpa não foi minha.
Semicerrei os olhos.
- É mesmo? E de quem seria?
Inclinou a cabeça, e rosnou.
- Sua, claro!
- Foi você que me agarrou. Devo salientar! - Abri um sorrisinho travesso, irritando-a.
- Você pagou champanhe caro para todos.
- E daí? Foi isso que te fez não resistir?
- HAHAHA! - Debochou. - Esse tipo de bebida sobe rápido para cabeça, sabia? - Disse sem respirar.
Gargalhei com a situação.
- Tudo bem!
- Para de me olhar assim. - Apontou mais uma vez para o meu rosto - Eu precisava daquele momento, tá?
- Eu vi, e senti.
Ela bufou.
- Tantos homens, e eu dei um amasso justo em você? - jogou as mãos sobre os olhos.
- Ei! Não desdenha não, porque você adorou. - Sorri, sincero. - Se serve de consolo, eu também gostei.
Surpresa, se levantou e me encarou.
- Somos adultos certo? Não tem porque ser estranho.
- Foi tudo, menos estranho.
Suas bochechas começaram a corar. O que a fez ficar, ainda mais linda.
- Resolvido então?
Levantei os braços para cima, resignado.
-  Ok! Foi só uma noite legal, com pegação, boa música e bebidas.
Cecília pressionou os olhos, fitando-me
- Você está adorando me deixar sem graça, né?
- É mais forte do que eu!
- Idiota! - Deu um tapa no meu ombro. - E como terminou a noite?
- Depois que você foi embora, sem me avisar?
Revirou os olhos.
- Foi ou não atrás da Ester?
- Fui, e rolou um lance.
Ela cruzou os braços ao me ouvir.
- Vocês...
- Demos prazer um para o outro, mas não chegamos a ter relações.
Suspirou profundamente.
- Detalhes demais! - Exclamou, dando um passo atrás. - Se está tudo certo, e todos estamos felizes, vamos trabalhar. - Esfregou as mãos, girando nos calcanhares e indo embora.
Com passos longos a alcancei, e segurei seu braço.
Surpresa, arqueou as sobrancelhas.
- O que foi?
- Teve uma coisa que me disse ontem. - Comentei, analisando-a.
- Tipo?
- Que a nossa "pegação", te fez ver que não estava QUEBRADA, como achava estar. - Me aproximei mais dela. - O que quis dizer com isso?
A vi engolir em seco.
- Coisa de gente bêbada.
Busquei seus olhos.
- Essa é a minha segunda pergunta. - Avisei com firmeza.
- Golpe baixo. - Desvencilhou o braço do meu toque.
Foi necessário um tempo, para obter uma resposta.
- Meu antigo relacionamento foi abusivo. - Contou, encarando os pés. - Sofria agressões verbais e físicas o tempo todo - Sua voz embargada, falhou. - Por um período, ele me manteve presa. - Lágrimas começavam a escorrer pelo seu rosto. - O pior é que, cheguei achar que merecia aquele tipo de tratamento. Com isso, me submeti a ter relações, sem sentir nada. - Esfregou o nariz com as costas das mãos.

APAIXONADO PELA MÃEOnde histórias criam vida. Descubra agora