Ilhas Irmãs

596 73 41
                                        

Então, posso perguntar algo muito íntimo? - Satoru começou.

-Claro. - Suguru respondeu, achando a situação um tanto divertida.

-Você gosta de homens? - Gojo perguntou.

-Sim. E você? - Ele respondeu sucintamente.

-Ah, não. - Sim? Ele pensou.

-O seu avô disse que você gosta. - Suguru disse com um sorriso travesso. Satoru sentiu-se irritado. Como ele poderia saber tanto sobre ele, quando ele nem ao menos conhecia a existência do outro?

-Ele te amava, é por isso que sempre falava sobre você. - Suguru explicou calmamente e Gojo assentiu.

-Não precisa mudar de assunto. Eu só não podia responder antes de você dizer. Vai que... É porque você fica me olhando assim...

-É mesmo? - Geto perguntou. - Me esclareça.

-Eu sei que posso ser irresístivel, mas você precisa se esforçar mais. - Satoru disse por fim.

-Oh, é mesmo? Receio que não conseguirei. Mas espero que me mostre um dia. - Suguru disse, um brilho malicioso em seus olhos.

-O quê? -Satoru recusava-se a aceitar a verdade nas entrelinhas. Não era possível. Mas e se fosse?

Como você pode ser irresístivel. Suguru pensou, mas guardou aquelas palavras para si. Não era o momento.

-Venha, está na hora de dormir. - Disse.

-Só temos uma cama. -Gojo ressaltou e Suguru deu de ombros.

-Estou exausto demais para discutir sobre isso. Então se você não se importa... Também não precisa ficar com medo, não vou morder você.

Gojo refletiu e pensou que gostaria disso. Mas rapidamente afastou esses pensamentos indesejados e foi se juntar ao outro, que já estava dormindo. Satoru se deitou ao lado dele, fitando aquele rosto perfeito e por um momento sentiu um desejo absurdo de acariciá-lo e provar aqueles lábios. Que diabos! Ele que provocava essa sensação nas pessoas, não o contrário Pensou. Ainda perturbado, gojo notou que às vezes a testa dele franzia, como se estivesse preso em um sonho ruim, e do lugar mais profundo da sua alma, ele desejou poder levá-lo para um lugar melhor.

***

Suguru levantou cedo e aqueceu água para o chá, o vento agitava as folhas ao redor da árvore velha. Ele passou muito tempo imaginando o que faria quando estivesse enfim em liberdade.

Mas agora, ele se sentia perdido.

Queria buscar justiça para si mesmo, por todas as coisas que sofrera, pelas pessoas que perdera. Por tanto tempo ele fora julgado por coisas que nunca fizera, sua magia havia sido reduzida e agora era difícil para ele usá-la com tanta facilidade como antes.

Queria encontrar as meninas, porém não fazia ideia de para onde elas tinham ido após a morte de seu avô...

-Bom dia. - A voz rouca de Satoru o saudou. Ele sorriu e algo no peito do outro se agitou. Geto ignorou aquela sensação de formigamento no estômago e lhe devolveu o sorriso.

-Bom dia. Dormiu bem ? - Perguntou.

-Sim. - Ele o fitou demoradamente. Os cílios pesados baixaram devagar, quando ele encarou a pequena mesa mais uma vez. - Viu? Adorável.

Depois de tomarem o desjejum, eles partiram.

***

-Que lugar é esse? - Gojo perguntou mirando o horizonte.

A Estrela Perdida da CoroaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora