Cheryl Blossom pov.
eu nem sei o motivo de ter ligado para uma pessoa que nunca conversei na minha vida.
mas quem sabe ela não esteja certa, conversar com alguém desconhecido pode ser legal.
mesmo que eu não consiga me abrir com as pessoas.
- bom, o meu pai é a pior pessoa que passou pela minha vida. - comecei. - e ontem... ele fez uma coisa que eu não imaginei que iria contar para alguém, não contei nem para as minhas amigas.
- tudo bem, quero que se sinta segura e a vontade. - Toni tentou me passar conforto e até que deu um pouco certo.
- ele abusou sexualmente de mim. - eu estava envergonhada e cabisbaixa. - tudo porquê ele descobriu que sou lésbica, aí ele disse que iria me fazer gostar de homem de novo.
- Cheryl! você não pode continuar nessa casa!! - ela praticamente gritou, mas eu tapei a sua boca de imediato.
- fala baixo, ele vai acordar. - assim que notei que ela iria falar mais baixo, tirei a mão da sua boca.
- Cher, você contou para alguém? - questionou preocupada. - o seu irmão... sei lá.
- não e já estou me arrependendo de ter te contado. - suspirei pesado, me deitando na minha cama.
- não, calma. fica tranquila. - segurou nas minhas mãos. - eu só fiquei preocupada, mas não vou desrespeitar a sua vontade de guardar em sigilo. mas você não pode ficar muito tempo guardando só para você.
- Toni, por favor. não conte isso para ninguém. - pedi nervosa. - por favor, eu te imploro.
- calma... fica calma. - se aproximou mais de mim. - eu não vou contar para ninguém, tá bom?! eu te prometo.
apenas assenti, ficando um pouco mais calma agora.
- e me desculpa por ter te feito dizer isso. - murmurou tímida. - não queria ter feito você se sentir mal.
- eu tinha uma pessoa incrível. - me sentei outra vez, só que encolhida no meu próprio corpo. - seu nome era Heather. ela era fofa, cuidadosa, era um anjo. o meu pai... tirou ela de mim.
- eu sinto muito.
- ele já me deixou de castigo por um final de semana inteiro, fiquei sem comer e sem beber um gole sequer de água. - era inevitável segurar as lágrimas. - o Jason não sabia disso, pois ele havia ido passar uns dias viajando com os amigos. eu passei muito mal pela sede, aí como se nada tivesse acontecido, ele me levou para a emergência e disse para o médico que eu não gostava muito de beber água.
ela ficou calada, só me ouvindo. e sinceramente? isso era ótimo.
- ele ameaçou tirar o Jay Jay de mim, assim como fez com a Heat. - voltei a dizer. - acho que na verdade... nem você está pronta para ouvir tudo, se eu dissesse todas as coisas que ele já me fez ou faz, passaríamos horas aqui.
- eu passaria horas te ouvindo. - ela sorriu fraco. - e olha, eu quero ser a sua amiga. de verdade mesmo.
- eu não sei se estou disposta a continuar.
- então ficaremos aqui, conversando sobre coisas idiotas.
Toni Topaz pov.
Cheryl e eu ficamos conversando por um bom tempo, falamos sobre o que gostamos de fazer, séries que gostamos de assistir, entre essas coisas.
e aí quando eu percebi que ela já tinha esquecido a nossa conversa, fui para casa.
e quando acordei, recebi uma mensagem do Jughead. ele me chamou para ir conversar com ele.
acho que vou ser psicóloga mesmo. (esse comentário foi totalmente sarcástico).
- oi. - entrei no seu trailer.
- oi? onde você estava ontem? nós precisávamos de você! furou com a gente. - Jughead disse irritado. - o que aconteceu com "nenhum serpente fica para trás"?
- sabe que está sendo exagerado, não é? - parei em sua frente. - tinha outra pessoa que precisava de mim também, talvez até mais que vocês.
- não pode simplesmente desistir de uma missão e não nos avisar nada!
- o meu celular descarregou, também que dormi quando fui para casa. - expliquei. - e pega leve, Jones. os serpentes são muitos, a pessoa que precisava de mim, não tinha ninguém no momento.
- tem um compromisso com a gente, Toni. - e ele ainda continuava com aquela cara e voz de sério, o que me fez revirar os olhos. - os serpentes são muitos, mas nenhum pode substituir você. assim como não poderiam substituir o Joaquim, ou qualquer um.
- vocês conseguiram pegar o Hot Dog? - questionei e ele assentiu. - então pronto, não estou entendendo esse sermão todo.
- já é a segunda vez que fura com a gente em uma missão importante. - se sentou no sofá, posicionando o queixo nas mãos.
- dá um desconto, sabe muito bem que da primeira vez que eu furei, tive que ir no velório do meu avô. - agora eu que estava irritada. - você está sendo ridículo e infantil.
- olha só, Toni. eu vou deixar passar, mas da próxima, não posso mais deixar você ficar.
ao ouvi-lo dizer isso, eu não tive reação. como ele pode ser tão cruel assim?
- então eu escolho sair, mas saiba que eu sempre serei uma serpente de sangue. - falei totalmente séria, andando até a porta.
ele continuou sentado, enquanto balançava as pernas rapidamente.
- e você está sendo um péssimo líder, tenha certeza que o seu pai nunca seria assim.
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a garota da cadeira ao lado - Choni.
Fanfiction[concluída]. Cheryl Blossom, dezesseis anos, no segundo ano do ensino médio. Toni Topaz, dezesseis anos, da mesma série e turma que a Blossom. Toni era nova na escola Riverdale High, por isso ela não tinha amigos sem ser os serpentes. e sempre estav...
