capítulo 20.

280 33 96
                                        

Cheryl Blossom pov.

duas semanas depois.

- cerejinha, você cortou o cabelo? - foi a primeira coisa que Verônica me questionou, após eu entrar na sala de aula.

Toni me olhou confusa e desconfiada.

- eu não entendi, você sempre amou o seu cabelo. - Betty coçou a nuca, confusa também.

- eu quis mudar o visual. - sorri desanimada. - não gostaram?

- não é isso, eu adorei. - Ronnie sorriu. - ficou muito lindo. é que eu já era acostumada com aquele seu cabelo enorme, né.

- só não dá uma de Archie e pinta de preto. - Kevin passou por nós, falando um pouco alto.

- falando no Archie... - Verônica nos olhou pensativa. - por que será que ele está faltando esses dias?

- sei lá, ele disse que o pai estava doente. então ele deve estar cuidando dele. - Betty respondeu.

- Cher, vamos comigo beber água? - Toni pediu e eu assenti.

andamos em silêncio até o bebedouro, chegando lá, Toni ficou parada e me olhando.

- o que foi? - questionei rindo.

- você ficou muito bonita com o cabelo assim. - elogiou, fazendo-me sorrir. - mas por qual motivo... será que algo me diz que não foi você que fez isso?

suspirei pesado, olhando para o chão.

- Cheryl, Toni. - ouvimos a voz de Verônica gritar e nos viramos para a porta da sala. - o professor chegou!

- depois a gente conversa melhor. - murmurei para ela.

『...』

- e então... será que agora a senhorita poderia me contar o que houve? - Toni apoiou o seu corpo no meu carro.

- eu... - e eu iria dizer, mas me veio a falta de coragem e com ela, veio o Jason. - o meu irmão está vindo, não fala nada disso.

- oi, Toni. - Jason sorriu para ela, que sorriu de volta. - vamos, maninha?

- tchau, Toni. - abracei ela rapidamente. - a gente se vê.

ela apenas sorriu fraco e insatisfeita, assentindo para mim. entrei no carro com o meu irmão e antes de dar partida, vi Toni subir em sua moto.

ela foi embora e eu fiz o mesmo.

- aconteceu algo ontem? - Jason questionou incomodado com algo. - eu acabei dormindo na Polly e esqueci de dar notícias.

- não aconteceu nada. - sorri sem vontade, bem mais incomodada que ele.

- tem certeza? você cortou o cabelo do nada... está agindo estranho... - ele disse parecendo curioso, o que fez me sentir pressionada.

pelo desconforto e nervosismo, eu acabei perdendo o controle com o carro.

- Cheryl, cuidado! - o meu irmão gritou, fazendo-me dar total atenção para a estrada.

assustada com o quase acidente, parei o carro em um canto e suspirei pesado.

- não dirige se não sabe, maluca!! - um moço aleatório gritou, arrastando o seu carro em seguida.

- tudo bem com você? - Jason perguntou.

- estou ótima.

Toni Topaz pov.

depois de tomar um bom banho e comer algo, eu me joguei na minha cama.

eu tirei um cochilo rápido como faço toda tarde, mas quando acordei, tinha uma mensagem da Cheryl no meu celular.

cher: pode vir aqui em casa? preciso de você.

e então, eu fui.

- oi, você está bem? - eu estava preocupada com ela, muito preocupada.

eu acho que na verdade, desde a primeira vez que a vi tão quietinha na cadeira da sala, eu fiquei sentida por ela parecer tão solitária por dentro.

e isso me preocupa. eu não sei o motivo.

- foi o meu pai. - Cheryl fechou a porta do seu quarto e se sentou na sua cama. a sua voz estava baixa e trêmula, ela parecia com medo. - eu estava dormindo... então ele entrou no meu quarto de madrugada e fez aquilo comigo, de novo.

eu fiquei incrédula, é óbvio. que homem nojento!

- ele cortou o meu cabelo, disse que mulheres de cabelos curtos atraem mais ele. - e então, ela começou a chorar. - ele falou que vai me transformar no jeito de mulher que ele gosta.

a única reação que tive foi abraçá-la fortemente.

- Toni... isso me machuca muito. - ela murmurou com a voz embargada pelo choro. o meu coração partiu em mil pedacinhos com a sua voz triste e o seu abraço forte, como se estivesse pedindo para sair dali. - o meu corpo fica doendo e ele não liga.

- calma, Cher... - suspirei pesado, sem saber o que fazer. - eu não posso deixar que isso continue.

- toda vez que ele me machuca dessa forma, eu tenho que me encher dos meus remédios. - enxugou as lágrimas, se afastando de mim. - por favor, você promete que nunca vai contar isso para ninguém? eu morro de medo do que possam fazer ou falar.

- vem cá. - puxei ela novamente para um abraço.

- por favor, Toni. prometa. - pediu, voltando a chorar.

- não é hora de pensar nisso, tá bom? a gente vai resolver tudo!

a garota da cadeira ao lado - Choni.Stories to obsess over. Discover now