Capítulo 18

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(CAPITULO REESCRITO)

Jisung saiu do banheiro secando os cabelos ainda úmidos com a toalha. A manhã estava envolta por nuvens espessas, cinza-claro esgueirando-se pelas janelas. Tinham lhe dito que era raro chover em Wolfgang, mas desde que pisara ali, parecia que carregava uma tempestade pessoal por onde passava. Esperava o calor das planícies, recebeu o peso da chuva, a umidade colando nas paredes como um lembrete de que nem tudo era como sonhara.

O Han andou até o quarto sem se importar de olhar para frente, perdido em seus próprios pensamentos. Precisava retomar os treinos com os curandeiros. Os últimos dias tinham sido um borrão, e ele tinha deixado escapar a rotina, os compromissos, a si mesmo. O luto o tinha engolido inteiro.

Seu corpo doía com a noite mal dormida, a cabeça latejava, sentia os olhos arderem com a luz da manhã. Só queria ficar na cama, ser esquecido por algumas horas, mas se obrigou a continuar. Talvez Seungmin ainda estivesse esperando por ele para o treino dos ômegas. Talvez, se se movesse rápido, não desmoronasse de novo

Seu coração estava tão apertado, sentia o estômago revirar sempre que as memórias voltavam. Não havia rótulo entre ele e Minho, nunca houve, mas o que houve... ainda doía como se tivesse sido. Doía tanto que às vezes pensava em voltar para Winterwolf. Será que ainda haveria um lugar para ele lá? Será que ainda cabia em algum lugar?

Ergueu os olhos, por instinto, e o mundo congelou.

Minho estava ali. Bem na frente. Parado.

Com um buquê de flores nas mãos, arrumado com delicadeza quase irritante. Um laço verde prendia os caules. Lavanda. O cheiro invadiu o corredor como uma memória forçada.

Jisung parou, congelado, os olhos presos no alfa como se fosse uma miragem. O peito subiu numa respiração irregular, o desconforto percorrendo sua espinha como um arrepio. Aquilo era real? Minho também estava desconfortável. O olhar tentava manter-se firme, mas as mãos denunciavam, apertavam o buquê com força, os dedos tremendo sutilmente. Ele parecia nervoso. Esperava por algo. Uma reação. Uma palavra. Qualquer coisa.

Mas nada veio.

Só o silêncio espesso.

Minho então tombou a cabeça de leve, um sorriso hesitante começando a se formar nos lábios. Mas Jisung reagiu antes. Endureceu a expressão, o sorriso morreu antes de nascer. Minho engoliu em seco, mudando o peso de um pé para o outro. A insegurança dele era palpável.

— Me desculpa... — Disse, quase atropelando as palavras, quando Jisung deu dois passos em sua direção. — Você pode me xingar. Me bater, se quiser. Eu tive um problema...

Jisung piscou, uma vez só. Como se isso fosse ajudá-lo a acreditar no que estava ouvindo. A voz saiu baixa, rouca, tão carregada que Minho quase não a escutou:

— Problema?

— Sim. Não foi nada grave, só que me atrapalhou, e eu perdi a hora. — Como ele mentia bem, Jisung pensou, quis rir de si mesmo. Minho, percebendo que ele não lhe respondia, tentou se aproximar. 

Jisung na mesma hora se afastou, virando o rosto para o outro lado como se o simples ato de olhar para Minho fosse insuportável. memórias do ômega surgiram em sua mente, como se estivesse gravada trás dos olhos, a forma carinhosa que o outro o tocava, e como Minho não se afastava dele. 

Como um soco no estômago, sentiu as unhas cravarem nas palmas das mãos, estava tentando não chorar, não outra vez.

Minho baixou o buquê, o olhar preso no ômega por longos segundos. Quando a realização enfim surgiu em seus olhos o reconhecimento do que Jisung havia visto, o peito de Jisung se revolveu de forma tão brutal que ele quase engasgou com o próprio estômago.

WolfGang - MinsungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora