capítulo 39

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HENRY.

Eu sou um traidor. Nunca pensei que eu pudesse fazer isso com meu próprio irmão, nunca pensei que eu fosse capaz de induzir a mulher do meu irmão a cometer adultério após a morte dele.

Eu me sinto tão sujo, tão... ridículo. Me aproveitei da vontade que sentia de foder com Margot desde a primeira vez que eu bati meus olhos nela, quando eu a via feliz com ele e Ethan, eu queria que fosse eu. Eu queria ter uma criança que me chamasse de pai e a Margot fosse a mãe, eu queria dormir nos braços dela e acordar com sua cabeça em meu peitoral, assim como era ela e Brian todas as vezes.

Ele sempre foi o mais inteligente, o mais bonito, ele sempre foi tudo a mais que eu. Sempre foi o centro das atenções desde quando eramos crianças, sempre falavam "Henry, seja como teu irmão!" "Ele é mais bonito que você, ele é mais esperto que você!" Isso sempre mexeu comigo, sempre mexeu com meu psicológico, nunca me achei bom o suficiente quando se trata de estar perto do incrível Brian Leroy Stanford.

Papai sempre esteve do lado dele, mamãe me defendia, mas meu pai sempre estava do lado de Brian, nosso pai era um merda, mas o coração podre dele ainda tinha espaço pro Brian, Allysson e eu fomos os filhos "que não deram certo". Brian sempre foi bom em tudo o que faz, sempre foi popular na escola e todo dia aparecia com uma namorada. Ninguém nunca se interessou por mim quando Brian estava por perto.

Agora eu sou bonito, tenho corpo bonito, rosto bonito, mas eu nunca vou ser melhor que ele, porra, o Brian era foda pra caralho, ele sempre vai ser o melhor.

Eu sempre tive inveja, sempre tive inveja dele e quando tive a oportunidade, eu cometi um erro e fiz Margot cometer um erro também. Meu Deus, me perdoe, eu sinto tanta falta dos meus irmãos.

Ontem a noite Matt levou meu sobrinho para casa dele, ele estava meio estranho, mas eu não me meti em nada, Ethan está sob a guarda da Margot.

Não estou bem comigo mesmo, preciso me desculpar pro Brian, mas não sei como, o corpo dele nem está no cemitério, virou cinzas. Minha irmã foi assassinada, minha mãe cometeu suicídio, meu pai morreu de câncer e meu irmão morreu queimado. Só resta a mim, como eu vou morrer? Vou me suicidar? Vão me assassinar? Eu vou morrer doente? Ou eu vou virar pó? O que quer que seja, espero que venha logo, não tenho mais nada pra fazer nesse mundo.

- Senhor Stanford? - um dos seguranças perguntou. - podemos alimentar a senhorita Lucy?

Apesar de ser um Stanford, eu sou o dos únicos que ainda restam um pouco de amor no coração, depois de Allysson, claro.

Balancei a cabeça em forma de sim e fiz um sinal com a mão para ele sair, logo acendi meu cigarro e puxei a fumaça, sentindo meus músculos relaxarem.

- Henry? Tu tem visita lá na sala.
- Matheus disse, logo saindo da sala novamente.

Matt e eu éramos próximos, mas depois do que ele viu, ele evita olhar para mim.

Revirei os olhos e apaguei o resto de cigarro, depois indo até a sala de estar e vendo uma figura alta virada de costas para mim.

- Acho bom ser importante, tô cheio de coisa pra arrumar. - falei.

- Lógico que é, vamos conversar sobre seu irmão estar vivo, macaco albino.

Esse cheiro, essa voz, esse apelido.

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