Ino se espreguiçou na deliciosa e confortável cama. Bocejou e só então abriu os olhos. A enorme cama de dossel dourado com panos cor de rosa e o teto abobadado com pinturas antigas dos contos ilustravam que não estava em seu quarto na Academia.
Se levantou de supetão e correu até janela. Perdeu o fôlego ao se dar conta de que o reino da Branca de Neve era tão lindo de dia banhado pela luz do sol e pelo frescor do verão quanto era à noite banhado pelas estrelas e pela luz do luar.
Ouviu uma batida na porta e reconheceu que fora aquilo que lhe despertara do sono.
- Ino? – era Sai quem chamava do outro lado.
- Oi Sai, bom dia – Ino o respondeu com a voz rouca pelo sono indo em direção à porta, mas parou no meio do caminho se dando conta de que ainda estava em roupas de dormir.
- Bom dia, desculpa lhe acordar – ele disse suavemente do outro lado da porta.
- Não, tudo bem – ela respondeu ao namorado indo em direção a mochila que tinha levado consigo, estava em cima de uma poltrona que parecia ser extremamente confortável.
- É só para lhe informar que há duas portas aí dentro, uma é para a saída de emergência e a outra é a do banheiro.
Ino se lembrava dele lhe dizer aquilo na noite anterior e foi o que disse a ele:
- Você já me disse isso ontem.
- Mas eu não tinha certeza se você havia prestado atenção – ele apontou.
Também pudera, com tanta coisa para se preocupar... E ainda tinha chegado ao reino bem cansada.
- Eu não sei se na sua mochila há roupas extras – ele continuou a falar –, mas no baú ao pé da cama há roupas se lhe interessar – ele ofereceu.
Ino realmente não tinha nenhuma roupa extra na mochila, apenas tecidos que havia comprado no vilarejo no dia anterior. Poderia utilizá-los e providenciar rapidamente um leve vestido, mas tinha comprado os tecidos para outra finalidade. Então decidiu olhar o baú e se admirou com o que encontrou.
- Espero que goste – Sai disse um tanto nervoso do outro lado da porta.
Ino não sabia, mas assim que chegaram Sai pediu para a mãe o melhor quarto de hóspedes com as melhoras mordomias que uma princesa poderia receber.
- Quem sabe assim ela não queira ir embora nunca – ele disse com um sorriso bobo.
A Branca de Neve havia ficado muito feliz em ver seu único filho apaixonado, mas se preocupava por ser exatamente pela filha da Rainha Má. Afora ser filha de uma vilã, era filha de uma mulher que um dia considerara ser sua própria mãe e que um dia quisera sua morte. Mas seu filho estava apaixonado, então daria uma chance.
- São lindos – Ino elogiou os vestidos em tons claros. – Obrigada – ela agradeceu ao namorado. – Eu posso mesmo usá-los?
- São seus para fazer o que quiser – Sai respondeu verdadeiramente.
Ino hesitou diante das peças.
- Imagina, foram de alguém – comentou suavemente. – Os usarei por ser lindos e também por eu não ter nada para vestir aqui – afinal, todas as suas roupas estavam na Academia e não havia como ninguém entrar no local devido ao fogo. – Mas os devolverei exatamente como os encontrei – fez uma promessa escolhendo um vestido cor de rosa claro e foi até a porta verificando o banheiro.
Sai conteve um suspiro. A aversão de Ino em receber presentes por parte dele cada vez o incomodava mais. Queria dar o mundo a ela, mas ela não lhe permitia. Esperou pacientemente ela ficar pronta. Não queria deixá-la sozinha, pois sabia que a notícia de que estava namorando a filha da Rainha Má já havia se espalhado pelos quatros cantos do reino e se as coisas já eram difíceis na Academia, não queria nem imaginar a proporção que tomaria ali, principalmente porque havia empregados no castelo que trabalhavam ali na época em que a Rainha Má ainda era uma rainha.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Os Descendentes
ФэнтезиEra uma vez há muito tempo... A Bela e a Fera se casaram e, juntos, decidiram unir todos os reinos dos contos de fadas para que pudessem conviver em harmonia e, para que isso acontecesse, decidiram trancafiar todos os vilões em uma ilha, onde batiza...
