Sentia as costas geladas, devido a blusa fria recém vestida. Eram seis e quinze e Bea encarava a sua blusa verde em cima da cama, se perguntando se havia feito a coisa certa em aceitar o convite de Tristan — principalmente pelo vento cortante vindo de fora da sua casa. Foi até a sua janela, a fechando em seguida.
Olhou-se no espelho com as novas peças, e agradeceu mil vezes pelas palavras de Rory, afinal, estava realmente se sentindo linda com a nova saia preta e a blusa de gola alta. Tinha os curtos cabelos embolados na toalha e havia lavado seu rosto há pouco tempo. Hidratou a sua pele, ainda decidindo se passaria alguma maquiagem ou não.
Libertou os cabelos pretos, ligando o secador e escovando sua franja. Odiava secar o cabelo, mas secava mesmo assim, porque não sairia de cabelo molhado naquele frio, e era o único jeito de ajeitar os fios rebeldes.
Modelou a franjinha em seu rosto, contrastando perfeitamente entre seu cabelo preto e sua pele pálida. Secou o resto de seu cabelo meio por cima, ainda que o mesmo continuasse um pouco úmido, e tirou o eletrônico da tomada.
Após guardar o secador, Beatrice dirigiu-se para o quarto da sua mãe, abrindo a gaveta da penteadeira e puxando apenas três produtos: um blush, um gloss e uma máscara de cílios. Passou pequenas quantidades de cada um, aproveitando para deixar suas pálpebras pouco rosadas com o blush. Usou tão pouco, que era quase impossível identificar a maquiagem em sua pele.
Saiu para o cômodo ao lado, onde ficava o seu quarto. Pela música que tocava, quase não conseguiu ouvir o seu celular vibrar. Porém, antes de conseguir visualizar a mensagem, o loiro já ligava para a garota.
— Alô? — Beatrice atendeu.
— Oi, Mary. Já está pronta?
— Não... Mas são cinco e vinte e quatro, ainda tenho seis minutos.
— Bem, que pena, porque eu já estou na porta da sua casa.
— O quê!? — A garota perguntou indignada.
Saiu do cômodo, descendo as escadas enquanto ouvia a risada de Tristan do outro lado da ligação. Olhou pelo olho mágico o garoto com o celular na orelha e um sorriso no rosto.
— Vai me atender ou me deixar nesse frio? — Perguntou, ainda no telefone.
Beatrice não respondeu. Apenas encerrou a ligação e destrancou a porta para o loiro. O Dugray se escorou na porta e a encarou de cima a baixo, deixando um sorrisinho escapar. As meias-calças pretas, a saia e a blusa. A garota ainda estava descalça e sem sua blusa de lã. Quando abriu a boca para falar, foi cortado pela garota:
— Nem comece com as suas gracinhas. — Deu espaço para o mais alto passar. Em seguida, fechou a porta e cruzou os braços.— Quem é o maluco que de repente chega na casa dos outros sem avisar ninguém antes? Parece até um filme de terror.
— Se esse é o problema, eu já transformo isso em um filme romântico brega e clichê.
Beatrice negou com a cabeça, descruzando os braços e bufando. Apontou para o sofá próximo à porta. O garoto sorria divertido para a baixinha, logo assentiu e se sentou no assento.
— Vou terminar de me arrumar, escovar os dentes e avisar a minha mãe. — Disse virando as costas e indo para a escada. — E você fica.
— Já avisei a Judy. — Bocejou despreocupado no sofá. — Você está linda...
Beatrice respirou fundo parando no quinto degrau e virando-se para o garoto. A calça de moletom acompanhada pelos tênis esportivos brancos e sua jaqueta do time, que estava fechada.
— Eu sei. — Respondeu, firmando-se para não gaguejar. Tristan havia percebido o olhar, mas resolveu deixar passar, apenas ostentando um sorriso de lado.
— Que crueldade.
— Você já esperava ganhar uma resposta dessas. — Apontou o óbvio.
— Sim. — Deu de ombros. — Eu já entendi que você é uma gótica com coração de gelo... Mas você não está imune, Beatrice.
A garota piscou algumas vezes, parada no mesmo lugar. Tristan Dugray era tão seguro do que falava e aquilo chocava Beatrice todas as vezes. Bufou mais uma vez, virando-se para a escada e subindo novamente, precisava se recuperar.
Calçou os coturnos e colocou sua blusa, correndo para escovar os dentes. Perdeu tempo nessa conversa com Tristan, então foi rápida no andar de cima, fechando todas as janelas da casa e descendo as escadas rapidamente.
A morena pegou a chave da porta e a abriu, dando espaço para o loiro sair primeiro. Beatrice virou de costas para trancar a casa e quando virou-se de volta, Dugray a encarava com um sorrisinho típico nos lábios, além dos seus braços cruzados.
— É, eu tenho um bom gosto. — Concluiu, ainda analisando a baixinha.
Beatrice respirou fundo. Ele não parava nem por um segundo. Passou direto pelo mais alto, andando rápido na direção do carro. Tristan foi logo atrás, jogando o costume de ser um cavalheiro no lixo, pois Beatrice foi mais rápida e abriu a própria porta.
— Todas as vezes que eu te elogio você não responde ou sai correndo. — O garoto sentou-se no banco do motorista, colocando o cinto.
— Então não me elogie. — Ela respondeu, entrando no carro também.
Mais uma vez aqueles olhos a encaravam. O olhar frio fazia o garoto lhe devolver um olhar curioso. Para ele, Beatrice era um grande enigma, que implorava para ser resolvido.
Suas personalidades opostas eram o que os destacavam. Ainda que super fria, Beatrice quase derreteu quando Tristan abriu mais um sorriso caloroso. Todo o frio que sentiu em seu rosto se dissipou ao sentir as mãos masculinas colocarem uma mecha atrás de sua orelha: um ato que Dugray parecia gostar de fazer. Óbvio que gostava, todas as vezes que o fazia Beatrice ficava sem jeito. Um beijo foi deixado na sua bochecha, outro ato que a fazia corar.
— Deixe de ser bonita e eu paro. — Sorriu, observando as bochechas vermelhas.
Só existia uma coisa melhor do que deixar Beatrice irritada, e era deixar a garota dos comentários ácidos sem respostas. Abriu a boca e a fechou, soltando um suspiro em seguida. Cruzou os braços e desviou seu olhar para o céu nublado.
— Não vai colocar o cinto? — Perguntou.
— Ah... — Respondeu, finalmente notando que ainda não havia colocado o cinto. Tristan soltou uma gargalhada. — Foi mal...
— Tudo bem, baixinha.
Tristan ligou o rádio, tentando — sem sucesso — achar alguma música boa. Tombou a cabeça para trás, olhando para Beatrice, que tinha o cinto nas mãos enquanto o colocava.
— Você gosta de rock, né? — Perguntou o loiro.
— Sim. — Respondeu baixinho.
O mais alto esticou o braço para alcançar o porta-luvas, tirando de lá alguns CDs. Bea olhou admirada para a quantidade de álbuns dentro do compartimento e Tristan os colocou no colo da garota.
— Meu pai abomina rock. — O loiro soltou.
— Se você ouvir vai virar um rebelde que só usa preto. — Beatrice tinha a voz carregada de ironia.
— Eu sou um rebelde e você só usa preto, nós dois nos completamos. — Piscou.
— Não. Eu gosto de rock, mas abomino você. — A postura da baixinha voltou aos poucos, entregando o CD nas mãos do Dugray.
— Vai nessa, Bea. Eu sei que no fundo você não pensa assim. — Provocou.
O garoto colocou o CD e então o álbum Rebirth do Angra começou a tocar. Tristan finalmente ligou o carro, dando partida.
— Boa escolha. — Tristan sorriu ao ouvir a melodia conhecida.
— É, eu tenho um bom gosto.
"Cooling breeze from a summer day
Hearing echoes from your heart
Learning how to recompose the words
Let time just fly"
REBIRTH - ANGRA
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𝐇𝐎𝐒𝐓𝐀𝐆𝐄, ᴛʀɪꜱᴛᴀɴ ᴅᴜɢʀᴀʏ
Fiksi PenggemarA solitária Beatrice Mary Otinger se vê prisioneira pela atenção do garoto mais irritante do colégio. "𝓘 𝔀𝓪𝓷𝓷𝓪 𝓫𝓮 𝓪𝓵𝓸𝓷𝓮... Seria Tristan Dugray o primeiro e o único a derreter o coração de gelo da morena? ...
