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— "Eu até que gosto um pouquinho de você." — Beatrice gelou, escutando a tão conhecida voz assim que o garoto sentou na carteira ao lado da sua.

Já havia deixado essas palavras de lado, afinal, fez aquilo em um ímpeto. Não havia arrependimento em falar isto para o garoto, pois já era mais do que óbvio, mas esqueceu-se que Tristan jogaria isso na sua cara até o fim dos tempos. Olhou para o garoto, levantando o queixo e agindo como se aquilo não a deixasse completamente constrangida. O loiro tinha o rosto sério, mas havia alguma felicidade nos seus olhos, que o denunciavam por inteiro. Ficava aliviada em saber que ele estava feliz, mas se perguntava se realmente conseguia ler suas expressões. Não havia o que fazer, da última vez que pensou que o garoto era um "raio de sol", descobriu tristes fatos ocorridos no seu passado. Aquilo acabou consigo. Como alguém que está tão decidido a ajudar os outros pode estar tão destruído e agir como se fosse a pessoa mais feliz do mundo?

— Eu também te chamei de idiota.

— Mas até aí não é nenhuma surpresa. — Dugray encostou-se na cadeira e cruzou os braços.

— Para ser bem sincera, é sim. Fazia um bom tempo que eu não te chamava de...

— Amor da sua vida? Pois é, Bea, estou esperando.

— Não. Seria humilhante. — Ela negou com a cabeça. — Como você está?

— Isso foi muito anticlimático. — Beatrice levantou as sobrancelhas e o loiro suspirou. — Eu estou bem, Beatrice. Não precisa se preocupar comigo.

— Você nunca bateu muito bem. — Brincou. — Não sei se acredito.

— É bom acreditar em mim desta vez. — Ele deu de ombros. — Você não aguenta passar muito tempo longe de mim.

— Mas foi você que...

— Não sei do que você está falando. — A cortou.

— Cínico.

O sinal tocou, anunciando o início das aulas e Tristan observou enquanto a morena virou-se para frente. O Dugray sorriu. Estava muito mais fácil comunicar-se com Beatrice e teria que agradecer Michael e Paris por isto, apesar de ainda estar bravo com os dois. Independente de tudo, eles haviam traído sua confiança, mas trouxeram sua garota de volta. Não demorou muito para que a professora de história entrasse na sala e começasse a explicar os conteúdos. Porém, não é como se o loiro estivesse muito interessado no assunto. A única pessoa que fazia história na sua vida tinha o nome de Beatrice Mary Otinger e a mesma agia como se não fosse nada demais.

— O que é fascinante, Sr. Dugray? — A professora pegou o loiro de surpresa.

— Ahm... Nada, Sra. Caldecott.

— Nada, Sr. Dugray?

— Minhas anotações! Minhas anotações são fascinantes, Sra Caldecott.

— Sim, elas são, Sr. Dugray. — A professora sorriu. — Como eu estava dizendo, o debate...

Beatrice franziu as sobrancelhas, anotando cada mínimo detalhe do trabalho que seria passado. Ignorando completamente o diálogo entre a professora e o loiro. Porém, os olhos do garoto já estavam sobre si novamente, deixando de lado qualquer explicação que a professora pronunciava e brincando com seu lápis com os lábios entreabertos. A Otinger sentiu o olhar e, apesar de a deixar desconfortável, não poderia perder a explicação da professora. Se alguém tinha medo de tirar notas baixas, este alguém era Paris Geller e, bem, Beatrice. Franziu as sobrancelhas quando a professora parou de falar de novo, perdendo sua concentração por completo.

— Isso é divertido, Sr. Dugray?

— O quê?

— O debate. Não parece divertido?

𝐇𝐎𝐒𝐓𝐀𝐆𝐄, ᴛʀɪꜱᴛᴀɴ ᴅᴜɢʀᴀʏOnde histórias criam vida. Descubra agora