#12 - acordo improvável

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𝑶 𝒊𝒏𝒊𝒎𝒊𝒈𝒐 𝒅𝒐 𝒔𝒆𝒖 𝒊𝒏𝒊𝒎𝒊𝒈𝒐, 𝑒́ 𝑜 𝑠𝑒𝑢 𝑎𝑚𝑖𝑔𝑜.

(𝑺𝒆𝒓𝒂́ 𝒎𝒆𝒔𝒎𝒐?)

Acordo com a boca salivando, meus olhos se abrem com preguiça e meu corpo imediatamente dói por estar desconfortável.

Beber vinho sempre me derruba depois umas horas.

Mas não esperava que isso fosse acontecer logo após ser feita de refém no apartamento do meu inimigo e do companheiro irritante dele.

E eu pensando que minha vida não poderia piorar.

Meus dentes apertam uma gravata que eles usaram para me deixar em silêncio, minhas mãos e pernas estão apertadas em uma corda provisória e estou amarrada a um duto de ventilação ligado a parede.

Meu celular está em cima do balcão, a metros de mim.

Não vai ser fácil sair dessa.

Argh, que vida de merda.

- você tem mesmo noção de que tem uma mulher presa no nosso apartamento?! - diz Caleb no quarto perto da sala, a porta encostada mostra uma fresta de luz acesa.

Eu me debato para conseguir tirar a gravata do meio dos meus dentes, por sorte o nó escorrega pelo meu cabelo e o tecido vai parar direto na minha mandíbula.

É tão bom respirar de novo.

Sem uma bombinha por perto eu estaria fodida se não pudesse respirar fundo.

- nós não podemos deixar ela aqui. - reafirma Caleb, parecendo apavorado - o amigo dela tá no apartamento ao lado!

- acha que eu não sei disso?! - repreende Kellan - Mas agora ela sabe sobre a nossa investigação e pior que isso, ela está trabalhando para o Thomas! O que acha que vai acontecer se ela sair daqui e nos entregar a ele de bom grado porra?!

Espera, Kellan acha mesmo que eu tô naquela equipe para trabalhar para aquele porco?

Ele por acaso me conhece?!

Eu nunca faria uma merda dessas.

- acha que foi uma coincidência eu estar lá?! - grito os fazendo parar imediatamente com a conversa. - eu sei que ele roubou as ideias de Claire, eu não sou tão podre assim para trabalhar para ele Arkins!

Os segundos após a minha confissão parecem intermináveis, tanto que penso que eles estão me ignorando.

A corda nos meus pulsos está apertada, eu sinto vontade de chorar e de socar a cara de alguém, e de preferência a deles.

Estou frustada.

Como pude baixar tanto a guarda na hora de entrar aqui.

- então foi por isso que pintou seu cabelo. - Kellan afirma, como se o que faço da minha aparência fosse relevante.

Ele anda até mim de onde estava me olhando e se abaixa ao meu nível para me olhar bem, seu corpo próximo demais do meu ao ponto de que consigo olhar perfeitamente para o breu escuro de seus olhos.

- está desconfortável? - ele pergunta olhando para a forma que me deixou aqui.

- o que você acha? - pergunto com arrogância, tentando engolir de volta toda a voz de choro de alguns segundos atrás.

Mas algumas lágrimas ainda escapam.

Kellan as enxuga com as costas de sua mão.

Como se houvesse culpa e gentileza nas suas ações, como se ele se importasse comigo.

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