#19 - fogo cruzado

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Tchekhov dizia que, se um revólver aparecesse em uma cena qualquer de uma história, é porque ele eventualmente seria disparado.

E jamais se deve por uma arma em cena se não for na intenção de usá-la.

𝙋𝙤𝙞𝙨 𝙨𝙚 𝙦𝙪𝙚𝙢 𝙥𝙤𝙨𝙨𝙪𝙞𝙧 𝙖 𝙖𝙧𝙢𝙖 𝙣𝙖̃𝙤 𝙖𝙩𝙞𝙧𝙖𝙧, 𝙤𝙪𝙩𝙧𝙖 𝙥𝙚𝙨𝙨𝙤𝙖 𝙫𝙖𝙞.

- haverá uma arma nesse capítulo, 𝘦 𝘦𝘭𝘢 𝘴𝘦𝘳𝘢́ 𝘮𝘶𝘪𝘵𝘰 𝘣𝘦𝘮 𝘶𝘵𝘪𝘭𝘪𝘻𝘢𝘥𝘢.

Eu não conseguia tirar os olhos dele.

Cada volta sinuosa, a cada segundo meu peito se apertava ainda mais, seu adversário ter batido na traseira do corvette parecia ser só o início.

Alguma coisa estava errada, era mais difícil para Kellan ganhar espaço na rodovia do que outros corredores.

- marcaram ele. - diz Claus ao meu lado, seus olhos focados somente no imenso telão - não vão querer deixá-lo ganhar uma segunda vez.

- mas impedi-lo vai atrasar outros corredores. - por que arriscariam a vitória de si mesmos só para atrasar Kellan?

- as pessoas são vingativas queen, - diz Pitty cruzando os braços, sua postura mais parece um mal agouro. - os que sabem que não vão superar o adversário preferem arrasta-lo junto para a derrota.

Kellan estava no volante, todos viram o que ele é capaz de fazer. E isso pode condená-lo agora.

Nossa vitória está em risco.

Foi por isso que Peter Walker apostou tão facilmente a segurança de seus homens?

Ele esperava que fossemos perder?

Aquele maldito.

Mas apesar de estar tendo dificuldades, Kellan dirigia com maestria e confiança, mas também com arrogância e provocação. É óbvio a forma como ele desafiou os rivais, quando ele cortou os caminhos, quando ele se expôs aos perdedores.

Ele estava perto da liderança, e precisava continuar assim

- como estão as coisas? - pergunto agarrando o fone.

- está preocupada comigo? Que adorável - posso imaginar até mesmo o sorriso que ele deve estar exibindo ao dizer isso.

- se for fazer gracinha eu desligo agora. - brinco.

- só estou brincando, é bom demais ouvir a sua voz, você me tranquiliza.

Sinto meu coração acelerar quando ele diz isso, meus batimentos subindo até minha boca e me fazendo ficar vermelha de vergonha.

Me sinto como uma adolescente que se emociona a qualquer gesto de atenção.

- estão tentando te bloquear.

- não se preocupe, eu não vou deixar.

O carro que o perseguia, um porsche amarelo, estava aumentando a velocidade conforme se aproximava. Praticamente podia chegar a tocar nele.

- Kellan... - eu chamo baixinho, afastando-me dos outros.

- eu já o vi, está vindo rápido demais, esse babaca não tem controle de direção?

- tenha cuidado com ele. É sério.

- está preocupada comigo? - ele pergunta de um jeito doce.

DesacelereOnde histórias criam vida. Descubra agora