"A principal coisa que a história pode nos ensinar é que as ações humanas têm conseqüências, e que certas escolhas, uma vez feitas, não podem ser desfeitas."
- 𝘎𝘦𝘳𝘥𝘢 𝘓𝘦𝘳𝘯𝘦𝘳
Peter está sentado na mesa do restaurante, atrás de uma toalha branca, sua perna ansiosa se meche discretamente abaixo do assoalho e um copo de whisky pousa em seus dedos indo vez ou outra pra sua boca ainda amarga do fumo.
O amargo do whisky é para conter seus nervos, é o que Peter bebe quando se vê no meio de um problema.
E desde que ele conheceu aquela garota loira e de sorriso ardiloso os problemas parecem ter aumentado consideravelmente.
"É apenas uma mulher atraente, não deveria dar tanto trabalho" ele pensa antes de beber mais um gole extensivo da bebida.
Mas é quando um de seus homens entra correndo pelo restaurante que Peter sabe que acabou de ganhar mais um problema para resolver, ele já pressente isso antes mesmo daquele homem abrir a boca.
"Vou precisar de mais whisky"
- o espião não voltou senhor, os outros já confirmaram - diz seu subordinado ao abaixar-se, Peter pensa apenas que ele cheira a desespero e inutilidade.
E é um cheiro azedo e desagradável.
- estão todos olhando - diz Peter já meio enfurecido - melhore essa postura e fale direito se ainda quiser sair daqui falando.
Isso faz o outro se empertigar.
- desculpe senhor - ele torna o tom mais firme, assim é melhor.
Desespero nunca resolveu merda nenhuma para Peter, se ele não pode achar um único espião então seu trabalho ali se torna fútil.
- então não sabem aonde ele está? - pergunta ele secando o copo de whisky, deixando somente o gelo tilintando no objeto de vidro.
- a última atualização dele foi em um prédio no centro comercial.
- então já sabem aonde ele está - Peter acena para o garçom apontando somente para o copo e o moço já entende que precisa enchê-lo com mais whisky - vão buscá-lo.
- este é o problema senhor, achamos que o nosso espião foi descoberto. - isso faz Peter apertar o copo sob o punho. - deveríamos ir mesmo assim? E punir os sequestradores?
- se o espião ainda estiver vivo, faça isso.
- e se ele não estiver? - indaga o outro.
- matem quem quer que tenha o pegado.
Era bem simples para Peter. Como podar uma erva daninha que insiste em crescer no lugar aonde não deveria.
Basta arrancar pela raiz.
Isto nunca havia sido um problema, ou um dilema.
Mas quando Peter vê a garota loira que convidou para jantar entrando naquele restaurante usando um vestido formal de Tom vermelho rubro ele percebe que está diante do seu maior dilema.
Mas é como aceitar beber com um inimigo.
Pode ser delicioso, agradável até. Mas também, pode acabar sendo sua última bebida.
E é isso o que Peter tanto quer entender.
Ela é o seu novo problema, ou sua nova Nêmesis?
Ele quer descobrir isso ante que acabe se engasgando com veneno.
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Desacelere
RomanceAurora Brooks nunca teve um convívio justo com seu destino, ela teve que abrir mão de sua carreira como atleta por conta da asma que se desenvolveu drasticamente em seu corpo, além de carregar a culpa da morte de sua amiga de infância Claire Arkins...
