#8 - recomeço

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Eu me mudei para o estado do meu avô depois do funeral de Claire, troquei de escola e fiz chamadas de vídeos com meus pais todos os dias até a minha formatura.

"No seu futuro faça algo grandioso e memorável" foi o que o diretor do meu novo colegial disse a todos quando entregou nossos diplomas.

E eu tentei seguir por esse caminho.

Quis entrar na faculdade como uma atleta, queria que a natação me desse um futuro que tanto sonhei.

Pedi ao meu avô para guardar segredo dos meus pais só até eu pelo menos me inscrever para os testes de admissão.

Mas a minha asma foi uma preocupação pros olheiros da faculdade, até que depois de um meses de treinamento eu já não conseguia ficar mais de cinco minutos nadando sem ter uma crise asmática e desmaiar de exaustão.

Depois do meu ataque no hospital meu pulmão nunca mais foi o mesmo.

Os técnicos só precisaram me ver desacordada uma única vez para desistir do meu potencial. E negar a minha inscrição.

Uma única vez, foi isso o que custou todos aqueles dias em baixo no sol obrigando Claire a ir me ver.

Foi isso que custou a minha vida inteira.

Uma única e maldita vez passando mal. E eu fui descartada.

Meu avô me ajudou a apostar meus anos seguintes como aprendiz de mecânico e com isso fiz novos contatos e consegui um emprego de meio período com um amigo do meu avô.

Seu amigo era um senhor muito simpático, ele e o neto chamado Alex tinham uma Oficina no final da cidade e ambos se tornaram meus amigos, principalmente Alex.

Eu não confiava em me socializar rapidamente, passei o colegial sem me relacionar com ninguém praticamente, comendo sozinha e fazendo as tarefas nos fim de semana.

Mas Alex mudou isso, na verdade sua gentileza comigo no trabalho era tão frequentemente que nem meu mau humor o espantava, então acabamos virando bons amigos, foi ele quem me apoiou durante todos aqueles anos longos e difíceis longe de casa e sem nenhum sonho a ser realizado.

Mas Alex estava ali, apesar disso. Foi quase como achar minha alma gêmea de forma instantânea, conversar com ele era fácil.

E eu já estava convencida de que não iria fazer nada bom ou grandioso da vida.

- por que não tira uma folga no feriado e vai até sua cidade natal? Já faz o que? Uns seis anos que você não vai lá? - disse Alex me em um dia me acompanhando em casa após o trabalho.

Voltamos juntos no meu Impala, eu sempre dava carona pra ele e ele sempre me animava depois da correria.

Mas naquele dia ele parecia estar mais motivado a me dar um sermão.

- eu não sei... - respondi.

- não pode ficar vendo novela com seu avô pra sempre. - ele diz brincando, mas sei que tem um fundo de verdade naquilo.

Quase não tenho uma vida fora de casa.

- mas preciso mesmo viajar? Eu já tenho você. - ele ri do meu comentário.

- não fale isso nem brincando, se for só eu e você pelo resto de nossas vidas vai ser muito triste. - estaciono na frente da casa dele. - só pensa no que eu disse, seus pais iriam gostar.

Penso no seu argumento enquanto ele saí do Impala.

- acha mesmo? - nem eu tenho mais certeza do que meus pais iriam gostar.

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