ISABELLA MILLER
— Como você ousa jogar meus desenhos no lixo? — Retiro-os de suas mãos e os coloco sobre o aparador, perto do sofá.
— Eu te avisei para arrumar um lugar no seu quarto. — Sai um suspiro da sua boca — Mas você passa por todos os caprichos possíveis e saí do quarto sem levar seus rabiscos.
— Você é um rabugento! Não sabe nada sobre a arte. — Ele me observa colocando todos os desenhos de baixo dos braços.
— O que está acontecendo aqui? — Darcy aparece na sala toda arrumada.
— Ele ia jogar meus "rabiscos" no lixo. — Faço aspas com as mãos. Darcy coloca as mãos na cintura e olha para Isaac.
Solto uma risadinha. Ela sempre estará do meu lado, independente da situação que estava me encontrando.
— Eu não tenho culpa! Eu falei para ela tirar do meu quarto. — Seu peito subia e descia de tanta raiva.
Darcy respira fundo e aponta para nós dois.
— Vocês podem parar com essa briga de criança. São dois adultos e eu não quero ficar ouvindo gritaria aqui dentro. — Ela ajeita a bolsa no ombro.
Darcy parece uma mãe, mas uma mãe muito mandona e autoritária.
— Não é como se você passasse muito tempo dentro deste apartamento. — Ela me olhou como se quisesse me matar.
Normalmente, Darcy não passa muito tempo aqui no apartamento; geralmente está com Ben ou no estágio.
— Estou indo para o restaurante do Ben, por favor! Não se matem.
— Não prometo nada! Sua amiga é meio maluca; talvez quando você voltar, só encontre meu corpo. — Ela revira os olhos
— Tenho certeza que ela nunca iria fazer isso. —Abre a porta e manda dois beijinhos no ar antes de sair.
Quando ela fecha a porta, meu olhar vai direto para o ranzinza que estava à minha frente.
— Eu vou dar uma volta no quarteirão, quero conhecer a vizinhança. Por favor...
— Já sei! Arrumar um lugar para os desenhos. — Ele acena com a cabeça.
— Não vou demorar muito. — Arqueei uma sobrancelha.
— Já entendi, você não liga! — Aceno com a cabeça, exibindo um sorriso amarelo.
Depois que Isaac saiu pela porta, um sorriso macabro se formou em meus lábios. Eu tinha uma ideia maravilhosa para executar antes dele voltar.
Eu sabia que não tinha muito tempo, eu tinha que colocar a ideia em prática o mais rápido possível. Quando morava com meus pais era a mesma sensação de adrenalina, tinha que realizar o mais rápido possível antes deles chegarem em casa. Gostava de colar meus desenhos nas paredes do meu quarto, mas meus pais odiavam.
Não tenho muito tempo!
Caminho cuidadosamente até o quarto de Isaac, como se cada passo pudesse ecoar pelos corredores, embora não haja ninguém em casa. Mas essa cautela excessiva é justificada pelo fato de que estou tramando algo.
Todo cuidado era pouco. Ainda mais agora que vou aprontar.
Abro a porta do seu quarto e vejo que tudo estava super organizado, a cama estava impecável, as cobertas sem nenhum amassado.
Bem diferente do meu quarto, ou como eu costumo dizer: um cativeiro, uma caverna, uma toca, qualquer coisa, menos um quarto.
Deixo os desenhos na cama dele e me aproximo da mesinha, onde observo alguns porta-retratos que estavam em cima dela. Parecem ser fotos de Isaac quando era pequeno; algumas também incluem uma mulher muito bonita, com um sorriso encantador no rosto. Eles se parecem muito, então presumo que seja a mãe de Isaac.
Reparo que mais ao fundo há outra foto, onde dois idosos e uma mulher estão sorrindo, acompanhados por duas crianças, uma garotinha e um garotinho. Ela parece ser um pouco mais velha, mas está muito bonita e bem conservada. Todos têm o mesmo sorriso angelical.
Paro de bisbilhotar e começo a pensar em como vou pendurar todos os desenhos nas paredes do quarto dele.
Lembro que tenho um rolo tinta e uma cola de parede no meu quarto. Costumava usar para colar os papéis de parede.
O desespero tomou conta de mim quando percebi que os desenhos não ficariam nas paredes sem a cola de parede e o rolo de tinta. Corri para fora do quarto dele, tropeçando nos meus próprios pés em meio à pressa.
Abri todas as gavetas do meu quarto em busca dos materiais perdidos, revirando cada uma delas com a esperança de encontrá-los. Finalmente, em uma das gavetas, avistei o que procurava. Com um suspiro de alívio, peguei a cola e o rolo e voltei correndo para o quarto dele, animada para começar minha vingança.
— Seu quarto vai ficar lindo! Cheio de cor! — exclamei, enquanto me preparava para transformar as paredes do seu quarto.
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Olhares Amargos
RomanceA vida de Isabella Miller é um autêntico turbilhão: cursa direito por influência dos pais e divide o apartamento com uma amiga. No entanto, sua rotina se torna ainda mais agitada quando se depara com um desconhecido no sofá de casa. Isaac Williams...
