ISAAC WILLIAMS
Faz uma semana desde que Isabella começou a trabalhar aqui no restaurante, e devo admitir que não está sendo tão ruim tê-la por perto. Ela está se dedicando bastante, tentando acompanhar o ritmo de todos nós. Sempre pronta para ajudar, mesmo quando estamos inundados de pedidos.
Aprendi algo muito valioso durante esse tempo: sempre deixar algo preparado para Isabella. Sempre que ela entra na cozinha, é porque está com pressa e com fome, então é sempre bom ter algo pronto para ela.
É engraçado como ela fica feliz ao ver um prato diferente esperando por ela. Eu e Antônio, que também faz parte da equipe da cozinha, sempre nos divertimos planejando o que deixaremos para ela comer.
Antônio e Isabella se deram super bem desde o início. Os dois encontraram um ponto de interesse quando Antônio compartilhou suas experiências da faculdade de gastronomia, que frequentou há cerca de 40 anos, quando teve a coragem de se aventurar em algo novo. Com seus 64 anos, Antônio é um senhor amigável, e suas histórias cativantes logo conquistaram o interesse de Isabella.
Eu desviei minha atenção dos pensamentos quando senti uma cutucada em meu braço. Olhei para o lado e vi Isabella me encarando, claramente confusa.
— O que foi?
— O Ben está há meia hora falando com a gente. — Observo à frente e vejo Ben nos encarando.
— Vou repetir, acho que você nem ouviu o que estava falando. — Assinto com a cabeça. — Preciso que vocês dois vão ao mercado comprar algumas coisas que estão faltando. Esqueci que a apresentação da Darcy é hoje.
— Claro, sem problemas. — Me viro para Isabella, que acena com a cabeça.
— Certo, estou devendo um favor para vocês.
— Use esse favor para aumentar meu salário. — Um sorriso de orelha a orelha surge no rosto dela.
— Menos, Isabella.
— Não custava tentar. — Ela faz um biquinho com os lábios.
Ele coloca a mão no bolso, tira uma chave e a joga na minha direção.
— O Jeep está na esquina.
*
O caminho até o supermercado foi tranquilo, com conversas de um lado para o outro, nada muito relevante.
Estaciono o carro em uma vaga sombreada e desligo o motor. Isabella me ajuda a trancar o carro e logo começamos a caminhar em direção ao mercado.
Pego uma cestinha e ela pega outra.
Ben me passou a lista e, para minha surpresa, não era tão extensa assim.
— Você vai para a parte dos grãos e eu vou para a parte das verduras? Pode ser? — Pergunto a Isabella, que confirma com a cabeça. Observo-a enquanto caminha pelos corredores antes de me dirigir à seção Hortifruti.
O mercado estava tranquilo naquela terça-feira, como de costume. Enquanto eu observava os tomates, percebi uma sombra se aproximando por trás. Virei-me e dei de cara com Isabella, que me encarava com um sorrisinho nos lábios.
— O que foi? — Perguntei, curioso.
— Ben não marcou a marca! Como eu vou saber qual pegar? Tem um trilhão de tipos de arroz e um trilhão de tipos de feijão e... — Ela para de falar quando me vê com os braços cruzados.
— Certo. Eu sei quais tem que pegar, só me espera eu pegar as verduras que vamos juntos para aquela parte dos corredores. — Ela vem ao meu lado tocando os tomates.
— Esse está bom? — Isabella perguntou, segurando um tomate.
— Não, está muito maduro. — Respondi, voltando a escolher. Em seguida, uma mão se estendeu à minha frente.
— E esse? Está bom? — Ela perguntou, indicando outro tomate.
— Muito verde. — Observei o nariz dela torcer em desaprovação.
Vejo um tomate no ponto ideia e mostro para ela.
Vejo um tomate no ponto ideal e mostro para ela.
— Nem muito verde e nem muito maduro, esse é o ponto certo. — Aponto para o tomate que parece atender às suas expectativas. Ela forma um bico com os lábios enquanto olha para a bancada, como se estivesse procurando o tomate perfeito.
— Está bom?
— Sim, está. — Abro a sacola em sua frente e ela sorri ao colocá-lo dentro.
— Nem foi tão difícil, super fácil de escolher. — Solto uma risada e caminho em direção à parte das cebolas.
— Você sempre tem uma plateia quando vem fazer compras? — Olho para trás confuso.
— As pessoas estão te olhando. — Observo algumas pessoas nos olhando.
— Não tenho plateia.
— Só me diz que você não é um ator super famoso, e estou toda desarrumada ao seu lado. Se eu aparecer em alguma notícia parecendo um zumbi, estou acabada. — Ela junta as mãos nervosamente.
— Não sou nenhum ator famoso, fique tranquila.
— Um ator menos famoso então?
— Não sou um ator, Isabella. E por que eu seria um?
— Essa pergunta é séria? Parece um tanto explicativa. — Paro de colocar as cebolas na sacola e olho para ela.
— Se faz de sonso. Você é lindo e chama muita atenção, vi isso no restaurante quando você passa pra lá e pra cá. A mulherada te fuzila com os olhos.
Fiquei um pouco surpreso com o elogio, mas é claro que sempre há suas piadinhas. Faz parte de todas as nossas conversas, afinal.
Não é algo que me incomoda.
— Obrigado pelo elogio, mas para ser sincero, eu não reparo muito nisso.
— Sério? Não sente nem um olhar para você?
— Não é uma coisa muito importante para mim, então provavelmente eu nem reparo nisso, e além disso, o restaurante sempre está cheio e não tenho tempo nem de respirar. — Ela concorda e volta a olhar em volta enquanto continuo escolhendo as cebolas.
— E você também é.
Não preciso olhar para ela para perceber sua expressão confusa.
— Sou o que?
— Você é linda, também chama muita atenção por onde passa. — Amarro o saco plástico e olho para ela, que tinha suas bochechas tingidas de vermelho.
— Vamos?
— Ah... Sim, vamos... — Ela fica parada por um tempo, mas logo me alcança. — Você acabou de me elogiar?
— Sim, Isabella, eu acabei de te elogiar.
•••
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Olhares Amargos
RomanceA vida de Isabella Miller é um autêntico turbilhão: cursa direito por influência dos pais e divide o apartamento com uma amiga. No entanto, sua rotina se torna ainda mais agitada quando se depara com um desconhecido no sofá de casa. Isaac Williams...
