CAPÍTULO 9

12K 1.5K 447
                                        

ISAAC WILLIAMS


Faz uma semana desde que Isabella começou a trabalhar aqui no restaurante, e devo admitir que não está sendo tão ruim tê-la por perto. Ela está se dedicando bastante, tentando acompanhar o ritmo de todos nós. Sempre pronta para ajudar, mesmo quando estamos inundados de pedidos.

Aprendi algo muito valioso durante esse tempo: sempre deixar algo preparado para Isabella. Sempre que ela entra na cozinha, é porque está com pressa e com fome, então é sempre bom ter algo pronto para ela.

É engraçado como ela fica feliz ao ver um prato diferente esperando por ela. Eu e Antônio, que também faz parte da equipe da cozinha, sempre nos divertimos planejando o que deixaremos para ela comer.

Antônio e Isabella se deram super bem desde o início. Os dois encontraram um ponto de interesse quando Antônio compartilhou suas experiências da faculdade de gastronomia, que frequentou há cerca de 40 anos, quando teve a coragem de se aventurar em algo novo. Com seus 64 anos, Antônio é um senhor amigável, e suas histórias cativantes logo conquistaram o interesse de Isabella.

Eu desviei minha atenção dos pensamentos quando senti uma cutucada em meu braço. Olhei para o lado e vi Isabella me encarando, claramente confusa.

— O que foi?

— O Ben está há meia hora falando com a gente. — Observo à frente e vejo Ben nos encarando.

— Vou repetir, acho que você nem ouviu o que estava falando. — Assinto com a cabeça. — Preciso que vocês dois vão ao mercado comprar algumas coisas que estão faltando. Esqueci que a apresentação da Darcy é hoje.

— Claro, sem problemas. — Me viro para Isabella, que acena com a cabeça.

— Certo, estou devendo um favor para vocês.

— Use esse favor para aumentar meu salário. — Um sorriso de orelha a orelha surge no rosto dela.

— Menos, Isabella.

— Não custava tentar. — Ela faz um biquinho com os lábios.

Ele coloca a mão no bolso, tira uma chave e a joga na minha direção.

— O Jeep está na esquina.

*

O caminho até o supermercado foi tranquilo, com conversas de um lado para o outro, nada muito relevante.

Estaciono o carro em uma vaga sombreada e desligo o motor. Isabella me ajuda a trancar o carro e logo começamos a caminhar em direção ao mercado.

Pego uma cestinha e ela pega outra.

Ben me passou a lista e, para minha surpresa, não era tão extensa assim.

— Você vai para a parte dos grãos e eu vou para a parte das verduras? Pode ser? — Pergunto a Isabella, que confirma com a cabeça. Observo-a enquanto caminha pelos corredores antes de me dirigir à seção Hortifruti.

O mercado estava tranquilo naquela terça-feira, como de costume. Enquanto eu observava os tomates, percebi uma sombra se aproximando por trás. Virei-me e dei de cara com Isabella, que me encarava com um sorrisinho nos lábios.

— O que foi? — Perguntei, curioso.

— Ben não marcou a marca! Como eu vou saber qual pegar? Tem um trilhão de tipos de arroz e um trilhão de tipos de feijão e... — Ela para de falar quando me vê com os braços cruzados.

— Certo. Eu sei quais tem que pegar, só me espera eu pegar as verduras que vamos juntos para aquela parte dos corredores. — Ela vem ao meu lado tocando os tomates.

— Esse está bom? — Isabella perguntou, segurando um tomate.

— Não, está muito maduro. — Respondi, voltando a escolher. Em seguida, uma mão se estendeu à minha frente.

— E esse? Está bom? — Ela perguntou, indicando outro tomate.

— Muito verde. — Observei o nariz dela torcer em desaprovação.

Vejo um tomate no ponto ideia e mostro para ela.

Vejo um tomate no ponto ideal e mostro para ela.

— Nem muito verde e nem muito maduro, esse é o ponto certo. — Aponto para o tomate que parece atender às suas expectativas. Ela forma um bico com os lábios enquanto olha para a bancada, como se estivesse procurando o tomate perfeito.

— Está bom?

— Sim, está. — Abro a sacola em sua frente e ela sorri ao colocá-lo dentro.

— Nem foi tão difícil, super fácil de escolher. — Solto uma risada e caminho em direção à parte das cebolas.

— Você sempre tem uma plateia quando vem fazer compras? — Olho para trás confuso.

— As pessoas estão te olhando. — Observo algumas pessoas nos olhando.

— Não tenho plateia.

— Só me diz que você não é um ator super famoso, e estou toda desarrumada ao seu lado. Se eu aparecer em alguma notícia parecendo um zumbi, estou acabada. — Ela junta as mãos nervosamente.

— Não sou nenhum ator famoso, fique tranquila.

— Um ator menos famoso então?

— Não sou um ator, Isabella. E por que eu seria um?

— Essa pergunta é séria? Parece um tanto explicativa. — Paro de colocar as cebolas na sacola e olho para ela.

— Se faz de sonso. Você é lindo e chama muita atenção, vi isso no restaurante quando você passa pra lá e pra cá. A mulherada te fuzila com os olhos.

Fiquei um pouco surpreso com o elogio, mas é claro que sempre há suas piadinhas. Faz parte de todas as nossas conversas, afinal.

Não é algo que me incomoda.

— Obrigado pelo elogio, mas para ser sincero, eu não reparo muito nisso.

— Sério? Não sente nem um olhar para você?

— Não é uma coisa muito importante para mim, então provavelmente eu nem reparo nisso, e além disso, o restaurante sempre está cheio e não tenho tempo nem de respirar. — Ela concorda e volta a olhar em volta enquanto continuo escolhendo as cebolas.

— E você também é.

Não preciso olhar para ela para perceber sua expressão confusa.

— Sou o que?

— Você é linda, também chama muita atenção por onde passa. — Amarro o saco plástico e olho para ela, que tinha suas bochechas tingidas de vermelho.

— Vamos?

— Ah... Sim, vamos... — Ela fica parada por um tempo, mas logo me alcança. — Você acabou de me elogiar?

— Sim, Isabella, eu acabei de te elogiar.

•••

Olhares AmargosOnde histórias criam vida. Descubra agora