CAPÍTULO 15

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ISABELLA MILLER

  — Senhor... Acho que vou desmaiar. — Isaac revira os olhos.

— Não exagera, tem uma explicação para eu não ter contado. — Olho para ele e me sento de novo no banco.

— E qual seria essa explicação? Porque tem que ser muito boa para justificar você não contar que é mentira.

— Calma, eu só preciso pensar em como te contar sem que você ache uma maluquice. — Ele rasga o pacote de lasanha e o coloca no micro-ondas.

— Vamos, conte logo. Ou vai esperar o mundo acabar primeiro? — Ele volta a me olhar e respira fundo.

— Lembra que eu te falei que estou fugindo do meu pai? — Confirmo com a cabeça.

— Sim, e você não acha que já é bem grandinho para estar fugindo dele?

— Eu também acho, mas meu pai não me deu muita escolha. — Ele se apoia no balcão.

— O que ele fez de tão ruim assim para você querer fugir? — Ele começa a mexer freneticamente nas mãos.

— Acho que nós dois fizemos coisas que não agradaram um ao outro. — Faço um gesto com as mãos para ele continuar. — Eu escolhi gastronomia em vez de administração. E ele pegou meu dinheiro e não quer me devolver.

Coloco a mão na boca.

— Como assim ele está com seu dinheiro? Eu pensei que era gastronomia em primeiro lugar.

— Vamos do começo. Meu pai sempre teve muita vontade de que eu administre a empresa dele, então ele insistiu para que eu cursasse administração, algo que eu não considerava. Para evitar mais discussões, falei que faria administração, mas com a condição de que fosse na universidade perto de onde minha irmã mora, e ele concordou. Meu pai tem o desejo de que eu siga os mesmos passos que ele e minha irmã, mas para ela nunca foi um problema, pois ela ama a empresa.

Ele estava falando tão rápido que precisei de um momento para tentar raciocinar.

— Lily sempre soube que eu nunca quis gerenciar a empresa e me apoiou nisso. Tudo o que meu pai mandava para eu analisar e todas essas questões burocráticas, Lily fazia enquanto eu estava cursando o que eu realmente queria.

— Que dois safados. — Ele ri. Era raro vê-lo rir, e gostei de ouvir o som da sua risada. — Mas como ele não descobriu? Não era ele que estava pagando a mensalidade?

— Meu pai nunca se preocupou muito com o que eu estava fazendo ou deixando de fazer, desde que isso não interferisse no seu desejo de que eu gerenciasse a empresa. Durante o tempo em que cursei gastronomia, ele só ligava para saber se eu estava bem, como estava no curso e se estava bem na casa da minha irmã. E ele não é uma pessoa que se importe muito em gastar dinheiro; acho que ele nunca olhou um extrato bancário na vida.

— Nossa, você passou por cima do seu pai para fazer algo que gostava. É admirável, mas e o problema com o seu dinheiro que está com ele? — O micro-ondas apita e ele se vira para pegar.

— Como meu pai tem uma empresa, sua conta bancária é consideravelmente sólida para guardar dinheiro. Tudo se torna um investimento, e ele sempre me disse que era uma boa opção para guardar meu dinheiro, para que, quando eu terminasse a faculdade, tivesse uma quantia decente. Mas quando ele descobriu que eu não estava fazendo administração como ele queria, ele aprisionou o dinheiro na conta dele.

— Então é por isso que você veio morar aqui. Um adulto falido. — Ele coloca a lasanha no balcão e pega dois pratos no armário.

— Isso mesmo, um adulto super falido. — Ele sorri.

Olhares AmargosOnde histórias criam vida. Descubra agora