CAPÍTULO 2

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ISABELLA MILLER

- Não era exatamente essa parte que era para contar. - Darcy gesticula rindo.

- Uau, um fugitivo na nossa casa. - Ele me observa por mais um tempo, mas logo desvia o olhar. - Nem precisa me contar os detalhes porque está fugindo do seu pai. - Ele arqueou uma das sobrancelhas.

- Não é como se eu fosse te contar. - Já estava esperando essa resposta? Sim! Mas não custava tentar. Não vou negar que não fiquei curiosa sobre o assunto. Pois, eu estava morrendo de curiosidade.

Mas nunca vou transparecer isso. Mesmo que já joguei isso de cara.

Isso não tira o fato que Isaac seja um irritante e arrogante. Não precisa conhecer muito para saber que esse é o tipo dele. Ele não falou um "oi" para mim, a educação foi para bem longe.

Ainda estava encarando ele e notei algumas coisas. Seus olhos castanhos parecem brilhar com tanta intensidade. As tatuagens que cobrem seus braços eram interessantes, era uma mais diferente que a outra. Seu corpo era definido, suponho que ele treine.

Seus olhos percorrem pelo meu rosto e fico sem graça por estar observando-o. Tenho certeza que meu rosto estava vermelho. Viro meu rosto para Darcy procurando palavras para sair dessa situação.

- Acho que já tenho informações o suficiente. - Me viro caminhando para o corretor que dava para os quartos. - Estou no meu quarto, se precisarem da minha ajuda. Não me chamem!

Ouço a risada de Darcy e um suspiro do gótico das trevas.

- Vamos, vou mostrar o seu quarto.

*

Sinceramente, esse barulho no quarto do lado estava me irritando. Era uma movimentação de móveis de um lado para o outro.

Estudar com esse barulho não estava mais dando para mim. Me levanto com a maior coragem do mundo e abro a porta do quarto indo para a porta do lado.

A porta se encontrava escancarada, só entrei.

- Tem como fazer menos barulho? - Vejo que tirou todos os desenhos das paredes.

A massinha adesiva não danificou nem um pouquinho da parede, já que tinha tanto tempo que meus desenhos estavam colados.

- Não tem como. - Saiu um suspiro de seus lábios - De quem são os desenhos?

- São meus! -Me escoro no batente da porta olhando o quarto. Ele tinha dado uma boa ajeitada.

- Eles não deveriam estar no seu quarto?

- Sim. Não. - Ele revira os olhos.

No meu quarto tinha espaço, mas eu gostava muito de usar esse quarto para me libertar um pouco da prisão de cursar Direito. Usava esse quarto como meu refúgio.

Óbvio, quando eu conseguia.

- Trate de achar um canto no seu quarto para por seus desenhos. - Diz com uma voz grossa que quase me faz correr.

Foco, Isabella!

- Não vai rolar. Eu não tenho um canto para colocar. - Aponto para um cantinho que tinha no local. - Ali é um ótimo espaço para você deixar eles. - Sorrio sarcasticamente.

Isaac me olha com tanta intensidade que pensei que tinha falado a maior atrocidade do mundo. Eu só tinha o provocado, não era para tanto.

- Arruma um lugar! Ou eu vou jogar no lixo. - Fiquei sem acreditar no que tinha ouvido.

- Você não teria coragem de fazer isso! - Dou um passo para trás. - Se você fizer isso! Considere um homem morto!

- Estou morrendo de medo da sua ameaça! -Ele grita.

*

Depois da minha pequena discussão com Isaac, o cômodo ao lado ficou quieto.

Talvez só estava descansando, o quarto aparentemente já estava arrumado.

Eu queria discutir mais com ele, estava amando tirar ele do sério. Mas eu precisava ler mais algumas páginas daquele tijolo! Sim, tijolo. Eu nunca iria chamar aquilo de livro.

Odeio todos os "livros" de direito!

Para acalmar meus ânimos e buscar um breve alívio da caverna que é meu quarto, encontro-me na cozinha. Após horas de estudo ,estou preparando uma xícara bem cheia de café e com bastante açúcar para aguentar mais algumas horas sentada naquela cadeira dura do meu quarto.

Abro as portas do armário procurando outro alimento para me sustentar nas próximas horas.

Tiro minha atenção do armário, quando ouço passos vindo do corredor e dou uma olhadinha para trás e vejo Isaac passar com várias coisas em suas mãos.

Arregalo os olhos ao perceber que são os meus desenhos. Corro em sua direção, desesperada.

Agarro seu braço, fazendo-o olhar para mim.

- O que você pensa que está fazendo? - Ele me olha com desânimo.

- Vou jogar no lixo. - Ele diz com uma voz grave e sem nenhuma expressão no rosto.

Ele só pode estar de brincadeira.

•••

Olhares AmargosOnde histórias criam vida. Descubra agora