ISAAC WILLIAMS
Faz alguns dias que os pais da Isabella apareceram no apartamento e fizeram aquele show.
Desde então, Isabella não é a mesma. Sei que não foi algo fácil para ela. A situação a magoou, tanto pela insistência dos pais quanto pela mentira que contaram para ela. Seus olhos, antes cheios de brilho, agora carregam uma tristeza silenciosa. Ela tenta disfarçar, mas é evidente que algo mudou.
Ela está conversando normalmente, mas sem aquele ânimo contagiante, sem as brincadeiras e provocações de sempre.
— Ela está vindo. — Antônio me alerta, me fazendo tirar o foco do caderno de receitas. Isabella entra na cozinha, deixando mais uma comanda pendurada.
— Isabella. — Antônio olha para ela com um sorriso acolhedor.
Eu sabia o que ele iria tentar fazer.
— Hum? — Ela olha para ele sem nenhuma expressão no rosto, sua voz sem entusiasmo e seus olhos fixos, como se estivesse perdida em pensamentos.
É horrível ver Isabella desse jeito, e isso estava me deixando agoniado, porque eu não sabia o que poderia deixá-la melhor. Eu tinha prometido que tudo iria ficar bem, mas não estava cumprindo minha promessa. Cada dia que passava, parecia que ela se afundava mais na tristeza, e eu me sentia impotente.
— Fiz uma torta de morango, aquela que você adora. — Disse, tentando animá-la. Ela balança a cabeça, olhando para a torta sem muito interesse. — Não vai pegar um pedaço?
— Agora não, mas obrigada por ter feito, Antônio. — Antônio balança a cabeça com um meio sorriso.
Isabella sai pela porta da cozinha, e eu me viro para Antônio, que já estava me observando com um olhar preocupado.
— Ela não está nada bem. — Balanço a cabeça em confirmação, sentindo a mesma preocupação que ele.
— E eu não sei o que fazer, está sendo horrível ver ela desse jeito. Nunca vi a Isabella assim, e isso está me assustando. — Antônio respira fundo, visivelmente angustiado.
— Já posso falar que odeio os pais dela? — Ele pergunta, e eu solto uma risada baixa.
— Pode, eu também não gosto deles. — Admito, com um tom de frustração. — Odeio o que fizeram com a Isabella e como a deixaram.
— Estou com saudade da minha fofoqueira. Onde está minha Isabella que vem xingar os clientes mal-educados? — Balanço a cabeça em negação, rindo.
Isabella está completamente diferente, e ela tem todo o direito de estar assim. Quando a dor vem de alguém de fora, conseguimos superar mais rapidamente, mas quando é alguém da família, é muito mais complicado. Afinal, são pessoas com quem passamos muito tempo e com quem temos uma conexão mais profunda.
Isabella não sorri como antes, não solta aquelas gargalhadas altas que eu sinto uma falta danada. Também não aparece mais para compartilhar as conversas sem sentido que costumava trazer para a cozinha, preenchendo o ambiente com sua energia contagiante e fazendo a gente rir junto.
— Vou conversar um pouco com o Ben. — Antônio acena com a cabeça, entendendo a situação.
O movimento do restaurante está tranquilo, então eu sei que o resto da equipe consegue dar conta das tarefas sem dificuldades.
Caminho para fora da cozinha e vejo Isabella atendendo uma mesa perto da entrada. Fico observando-a por alguns segundos, antes de voltar a caminhar em direção ao escritório do Ben.
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Olhares Amargos
RomanceA vida de Isabella Miller é um autêntico turbilhão: cursa direito por influência dos pais e divide o apartamento com uma amiga. No entanto, sua rotina se torna ainda mais agitada quando se depara com um desconhecido no sofá de casa. Isaac Williams...
