CAPÍTULO 8

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ISABELLA MILLER


- Por favor, por favor, por favor!! - Minha mãos estavam na minha frente uma colada na outra.

- Não vai rolar, Isabella. - Ben continua anotando algo no caderno, parecia ser uma lista de compras.

Estou sentada em sua frente, ocupando uma das mesas do restaurante.

- Por quê? Você disse que sou simpática e educada, é tudo o que precisa para trabalhar aqui. - Acho que faz umas meia hora que estou implorando para Ben me dar uma vaga no seu restaurante.

- Você é tudo isso, mas aqui não vai rolar!

- Qual é? Não venha com esse papo que não tenho experiência, porque para ter experiência eu preciso arrumar um emprego e...

- Não é isso, porque eu acredito que você pode fazer algo melhor do que atender mesas no meu restaurante. - Respiro fundo e dou uma olhada ao redor, pensando em outra ideia para convencê-lo a me aceitar.

O restaurante ainda não estava aberto; havia algumas pessoas limpando as mesas e cadeiras, enquanto outras passavam um pano no chão. Olho para a porta da cozinha e vejo Isaac saindo de lá.

Ele estava usando um avental branco.

- O que o Isaac está fazendo aqui? - Ben tira os olhos do caderno e olha para a porta da cozinha.

- Ele está trabalhando aqui. - Meus olhos ficam arregalados.

- Como assim ele está trabalhando aqui? - Minha voz sai mais alta do que deveria, fazendo Isaac olhar na minha direção e vir até nosso encontro.

- Surpresa? - Diz ele, ironicamente.

- Posso dizer que sim, mas esse não é o ponto. Por que ele pode trabalhar aqui e eu não?

- Isaac é formado em gastronomia, Isabella. Esse é o motivo dele estar trabalhando aqui; ele manda na cozinha. - Surpresa novamente? Sim, muito! Indignada? Sim, quero meus direitos também.

- Você não parece ser formado nisso. - Isaac levanta uma das sobrancelhas.

- E você acha que qual seria minha área? - Ele abraça os próprios braços, esperando minha resposta.

- Sei lá, vejo você em um escritório mandando e desmandando.

- É mais fácil ver o Isaac tocando algum instrumento na rua do que vê-lo em um escritório. - Ben comenta.

- Obrigado! Mas eu prefiro mil vezes ficar só na cozinha preparando pratos novos.

- Mas você nem é tudo isso para mandar em uma cozinha! - Mentira! Mas eu ainda preciso de um emprego. Jogar sujo é comigo mesma. Se ele consegue um emprego no restaurante, eu também consigo.

- Que mentira, Isabella! Você comeu duas vezes a macarronada ontem e ainda me perguntou se tinha mais. - Foi automático sentir minhas bochechas queimarem.

A risada de Ben estava cada vez mais alta e chamava a atenção dos outros funcionários.

- Isso se chama fome! Coisas totalmente diferentes.

- Não é isso que você faz quando chega em casa e procura por comida na geladeira. Você sabe que sempre faço a mais e guardo. A comida não some sozinha. - É, ele me pegou!

Ben tampa a boca com a mão tentando conter a risada alta.

- Virou uma hiena? - Ben volta com uma expressão séria.

- O que você está fazendo aqui? - Isaac puxa uma cadeira e senta do lado do amigo.

- Estou tentando arruma um trabalho. - Ele olha para o amigo e Ben da com os ombros.

- Já falei que ela não pode trabalhar aqui. Isabella, com toda certeza, vai arrumar um emprego melhor.

O celular ao seu lado acende e vejo que é uma mensagem da Darcy. Ele solta um sorrisinho e volta a me olhar, mas agora com uma expressão mais séria.

Vou ter que jogar com o seu ponto fraco!

- Não, Isabella!

- Meu Deus, o que será que minha melhor amiga vai achar quando descobrir que o namorado não deu um emprego para a sua amiga? Ela vai ficar tão triste!

Coloco a mão no peito, fingindo inocência, e simulo secar algumas lágrimas invisíveis.

- Você está me chantageando?

- Nunca! Não sou capaz de fazer isso! - Isaac solta uma risadinha, mas logo para quando vê o amigo o olhando.

Levo minhas mãos até a bolsa tirando meu celular, vou no contato de Darcy e aponto para Ben.

- Só vou ligar para minha amiga para chorar um pouquinho! - Finjo que vou me levantar, mas ele pega minha mão, fazendo-me sentar novamente.

- Certo! O emprego é seu. - Ele balança a cabeça em negativo.

Mas eu estava tão feliz que não consegui me conter; levantei-me pulando de alegria, abracei-o rapidamente, mas seu resmungo me fez afastar.

- Preciso agradecer a Darcy! Fez um ótimo trabalho te fazendo pau mandado. Minha amiga é boa mesmo! - Provoquei, sorrindo.

- Isabella, não testa minha paciência! - Diz sério.

- Claro, chefinho. - Ben se levantou e apontou para Isaac com um gesto de cúmplice.

- Mostra para ela onde são os armários e separa um para ela, e você. - Ben apontou para mim. - Fique aqui hoje e observe como é o movimento e o que tem que fazer com os outros funcionários e amanhã eu trago os papéis para você assinar.

Aceno com a cabeça e vejo Ben caminhar em direção ao escritório.

- Vamos, vou te mostrar seu armário. - Ele me chama com a mão e sigo-o.

Caminhamos para dentro da cozinha, passando por outra porta, e já estamos em um corredor pequeno com vários armários.

- Este aqui está vazio. - Ele bate na porta. - Tem algumas coisas aí dentro, mas é só tirar e jogar no lixo. Arrume como desejar. Depois vou trazer um avental para você.

- Qual é seu armário?

- Para que você quer saber? - Seus braços fazem uma volta uma por cima do outro.

- Só para não jogar tinta no armário errado. - Solto um sorriso amarelo.

- Não teste minha paciência, Isabella.

- Vou amar testar todos os níveis da sua paciência, Isaac.

- Vou adorar trabalhar com você! - Diz sarcástico.

- Digo o mesmo!

Eu gosto quando fazemos esse joguinho de se odiar, é minha parte favorita das nossas conversas.

•••

Olhares AmargosOnde histórias criam vida. Descubra agora