CAPÍTULO 25

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ISABELLA MILLER

Enquanto Isaac acomodava meus pais no sofá, fui pegar dois copos de água para eles. A tensão no ar era palpável. Eles nem trocaram uma palavra conosco, apenas um silêncio desconfortável enquanto eu e Isaac tentávamos ser educados. Cada movimento parecia amplificado pelo silêncio, e a atmosfera pesada tornava tudo ainda mais difícil.

Caminho em direção aos meus pais, segurando os copos de água com cuidado. Quando chego perto deles, coloco os copos na frente de cada um, esperando que aceitem o gesto. No entanto, ambos negam com a cabeça, sem dizer uma palavra. Solto um suspiro, sentindo a tensão no ar, e coloco os copos na mesa de apoio ao lado.

Sento-me ao lado de Isaac, de frente para a televisão, enquanto meus pais permanecem sentados no sofá ao lado. O ambiente está tenso, e o silêncio é quase ensurdecedor.

— Ele vai ficar aqui? É uma conversa de família. — Meu pai pergunta, lançando um olhar frio para Isaac antes de desviar o olhar para mim.

Sinto o peso das palavras dele e a tensão aumentar. Isaac me olha, buscando orientação.

— Ele vai ficar aqui. — Respondi firmemente, sem desviar o olhar. Eu não queria ficar sozinha em um momento como esse, e Isaac sabia disso.

— Então, é nesse lugar que você está morando? — Minha mãe disse, com uma acidez perceptível em suas palavras, enquanto olhava ao redor do apartamento.

O julgamento em seu tom era claro, e a atmosfera já pesada se tornou quase insuportável. Isaac apertou minha mão discretamente, tentando me oferecer algum consolo.

Ela olhava para os móveis como se estivesse vendo algo horrível.

— Sim. — Respondi, tentando manter a calma. Eu amava o apartamento. Era de um tamanho ótimo, super bem localizado e a decoração era incrível. Darcy cuidou de cada detalhe, e ela realmente tem talento para isso.

Por isso Ben sempre a chama para escolher as novas decorações do restaurante. Tudo que tem naquele restaurante tem um dedinho da Darcy. Ela tem um olho afiado para design e sabe como transformar qualquer espaço em algo especial.

— Pensei que esse lugar fosse bem melhorzinho, mas já era de se esperar. — Minha mãe comentou, enquanto seus olhos percorriam cada detalhe do apartamento. — Esses móveis são de onde? Um brechó?

— Vocês vieram aqui só para falar isso ou têm outra coisa para dizer? — Respondi, tentando controlar a irritação. Eu odiava como minha mãe se tornou tão soberba depois que a empresa começou a dar certo. A humildade que ela costumava ter parecia ter desaparecido junto com os primeiros sinais de sucesso.

— Você deveria falar mais baixo com sua mãe; ela só está preocupada. — Meu pai disse, com um tom de reprimenda. — Quando você ia nos contar que trancou a faculdade?

— Não sei, não estava preparada para falar sobre isso com vocês ainda. — Respondi, tentando manter a calma enquanto via os dois revirarem os olhos. A tensão no ambiente aumentava, e eu me sentia cada vez mais pressionada a justificar minhas escolhas.

— Trancou a faculdade dos seus sonhos para virar uma garçonete em um restaurante qualquer? — Ouvir isso do meu pai é difícil, pois parece que ele não considera o meu trabalho digno.

Eu não sabia exatamente como meu pai tinha descoberto onde eu trabalhava, mas ele sempre tinha seus meios de encontrar as informações que desejava.

— Primeiro, cursar direito nunca foi meu sonho, e você sabe disso. Não venha com essa conversa de que era o meu objetivo. — Isaac se remexe ao meu lado, percebendo que estou nervosa. — Segundo, qual é o problema em ser garçonete?

Olhares AmargosOnde histórias criam vida. Descubra agora