CAPÍTULO 24

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ISABELLA MILLER

Isaac tinha acertado em cheio nesse encontro? Com toda certeza. O jantar no restaurante foi maravilhoso, mas este encontro está sendo perfeito em tantos aspectos diferentes.

Eu adoro observar o mar e ouvir o som relaxante das ondas. Poder fazer o que mais amo, que é pintar, com essa vista paradisíaca, torna tudo ainda mais especial.

Isaac trouxe tantas telas que parecia exagero, e não estou brincando. Já tinha feito várias pinturas, e ainda havia um monte de telas espalhadas pela manta. Sem contar a quantidade de tintas e pincéis que ele trouxe, como se tivéssemos um estúdio inteiro à nossa disposição.

Minhas bochechas doíam de tanto sorrir, porque era impossível não amar tudo o que ele fez para tornar nosso encontro especial. Cada detalhe mostrava o quanto ele se importava, e isso me deixava ainda mais feliz.

— Eu realmente não sou bom nisso. Vou ficar na cozinha, porque lá eu sei que me garanto. — Isaac diz, olhando para a tela que acabara de pintar com uma expressão de desânimo.

— Você é realmente excelente na cozinha, mas sua pintura não está nada ruim. — Respondo, tentando animá-lo.

— Com toda certeza, você sabe o que eu pintei? — Ele pergunta, um sorriso brincando em seus lábios. Olho para sua tela, mas não consigo identificar o que ele tentou retratar.

— Um pato? — Arrisco, tentando adivinhar. Ele solta uma gargalhada alta.

— Viu, não sou bom nisso. — Ele passa a mão pelos cabelos. — Eu tentei pintar o mar.

Pressiono os lábios, tentando conter uma risada.

— E de onde você tirou esse amarelo? Não sabia que a água do mar era dessa cor. — Solto uma risada junto com ele.

— Eu tentei misturar as cores para fazer um azul mais bonito, mas não deu muito certo. — Não consigo me segurar e solto uma risada.

— O importante é que você tentou. — Ele estica um pouco o pescoço para tentar ver minha tela.

Viro a tela para que ele possa ver melhor, e percebo um leve brilho em seus olhos. Ele reconhece imediatamente o que eu pintei.

— Nada mais justo do que pintar meu namorado de mentira, que está se esforçando tanto para me fazer feliz. — Ele sorri para mim e pega a tela da minha mão.

Ele a examina com cuidado, observando cada detalhe que pintei.

Fazia um bom tempo que eu não pintava, mas ainda assim consegui fazer um trabalho decente.

Claro que não estava perfeito, pois para o resultado ideal precisaria de horas, talvez até dias.

— Já te disse que você é muito talentosa no que faz? — Ele pergunta, e eu apenas aceno com a cabeça.

— Sim, você já me disse várias vezes.

— Ainda bem, alguém tem que reconhecer seu talento. — Solto uma risada sem jeito, ele sempre consegue me deixar envergonhada como ninguém. — Este aqui já é meu, mas quero ver mais desenhos seus.

— Para alguém que disse, no primeiro dia que nos conhecemos, que meus desenhos eram apenas rabiscos. — Olho para ele. — Parece que agora você quer muitos desenhos para você mesmo.

— Disse aquilo na hora da raiva e me arrependo amargamente por isso. — Ele volta a olhar para a tela, sua expressão séria refletindo remorso. — Quero realmente me desculpar por aquele dia.

Eu continuo olhando para ele, esperando.

— Me desculpe por aquele dia, eu fui um idiota.

— Meu Deus, o Isaac está realmente me pedindo desculpas. — Finjo segurar uma câmera, rindo emocionada. — Diga de novo, só para eu gravar isso.

Olhares AmargosOnde histórias criam vida. Descubra agora