Capítulo 24

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(Arthur)

Tivemos poucos minutos sozinhos antes que o Heitor chegasse. Seu irmão e esposa chegaram correndo no quarto, e pude ver como a preocupação do Heitor comoveu a minha mulher. Sei que ele teve suas próprias questões, mas acho que a Manu sempre se sentiu abandonada por todos a sua volta. E isso parte o meu coração, saber que durante tanto tempo a minha linda menina se sentiu sozinha. Nunca mais ela vai sentir que não tem ninguém, porque ela vai me ter para sempre. Vou amar e adorar ela para toda a eternidade.

- Tem certeza que não está sentindo mais nada? - Heitor pergunta com uma expressão preocupada.

- Heitor, você acha mesmo que se eu estivesse sentindo alguma coisa o Arthur estaria calmo assim?

Ela sorri para mim e eu apenas dou de ombros. É verdade, se ela estivesse sentindo alguma coisa estaria surtando. Não posso evitar, pensar na minha esposa com qualquer tipo de dor me deixa apavorado.

- Bom, mesmo você estando bem, acho que uma fofoca vai te fazer ficar ainda melhor. - Luísa se senta na beirada da cama e ri baixinho despertando a curiosidade da Manu - Sara me ligou desesperada, porque não está em Angra. Ela queria saber notícias suas, e disse que já está voltando correndo para cá.

- Tadinha, não precisava preocupar ela, estou ótima...

- Amiga, essa não é a fofoca. Não é estranho ela não nos avisar que iria viajar? - Luísa a interrompe, e eu olho para o Heitor que apenas revira os olhos achando graça.

- É, você colocando assim acho meio estranho mesmo. Diz logo, Luísa, você sempre faz esse suspense! - Manoela começa a rir me fazendo sorrir.

- Gosto de construir uma expectativa! - ela se defende dando uma risadinha - Sara foi para o Rio com os gêmeos. Quando perguntei o que ela foi fazer lá, porque sou enxerida, um dos gêmeos gritou no fundo da ligação que eles foram seduzir ela. Sara apenas desligou e me mandou uma mensagem dizendo que assim que chegar vem até o hospital.

As meninas começam a rir e meu coração se aperta. É assim que quero ver a minha esposa, sempre feliz e saudável. Não tendo medo constante de ataques.

- Já que as meninas obviamente tem muito o que conversar, vou pegar um lanche para você, meu amor. - me aproximo da cama e beijo os lábios da minha esposa.

- Luísa também precisa comer, eu te acompanho.

Saímos deixando as meninas conversando no quarto e sentamos em um dos bancos do corredor. Peço ao meu segurança para ir buscar um lanche que a Manu ama, porque é claro que não vou permitir que a minha mulher coma comida de hospital. Heitor aproveita e pede o mesmo para a Luísa, e quando ficamos sozinhos, posso sentir seu olhar me queimando.

- O que você quer perguntar? - sento encarando a porta do quarto da Manu, onde há dois seguranças.

- São muitos seguranças. Foi mesmo um acidente?

- Não. - abaixo meus olhos com vergonha, mas Heitor coloca uma mão no meu ombro chamando minha atenção.

- Isso não é sua culpa. - arqueio uma sobrancelha o desafiando a dizer que não é mesmo minha culpa, mas ela só continua - Não tem homem que amaria mais a minha irmã do que você. Sei como faz tudo por ela e para ela, merdas acontecem, especialmente com os negócios da sua família. Só que merdas acontecem em qualquer situação, sei que você não vai deixar nada acontecer com ela. E ela também sabe.

- Algo já aconteceu com ela, Heitor. - olho para o teto estéreo do hospital tentando me acalmar - E é por isso que tomei uma decisão.

Volto a minha atenção para ele e Heitor apenas me encara com expectativa.

MeuOnde histórias criam vida. Descubra agora