Capítulo 33

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(Arthur)

Desligo o celular e encosto minha cabeça na cadeira olhando para o teto cinza da delegacia. Não sou idiota, sei que estou errado em surtar assim com ela, mas não consigo apagar da minha mente a imagem dela passando a mão naquele fodido. Pode ser absurdo, mas sou possessivo nesse nível.

Meu celular começa a vibrar novamente, e dessa vez vejo que é meu pai.

- Pai, finalmente me retornou. Já te liguei umas quinze vezes. - falo irritado.

- Filho, não sei se você sabe, mas sou casado. Estava cuidando da minha mulher, nós...

- Pelo amor de Deus, não quero ouvir! Já basta tudo que tive que ver crescendo na sua casa.

Escuto a risada rouca dele e suspiro. Só eu sei os traumas que causam você sempre pegar seus pais em posições comprometedoras pela casa. Depois de uma época, comecei a me anunciar nos corredores só para eles terem tempo de se arrumarem antes da minha chegada no ambiente.

- Como está a nossa gravidinha? Sua mãe está querendo levá-la para fazer as compras do bebê fora do país. Talvez uma mini férias de meninas antes do bebê estar aqui.

O pensamento me dá calafrios. Minha esposa, fora do país sozinha, com a minha mãe? Ele deve estar me sacaneando, não é possível. Quando meu pai permitiria isso? E em que realidade ele acha que eu permitiria?

- Você está ficando louco?

Sua risada alta me dá a resposta.

- Se você disser não, minha mulher não ficará chateada comigo. - reviro meus olhos para a sua coragem - Depois de anos de casado, você vai entender que às vezes é melhor jogar a culpa em outra pessoa.

- Não se preocupe, posso ser seu bode expiatório. - ficando sério, redireciono a conversa para onde preciso -Temos uma situação.

- Fala.

O tom do meu pai muda completamente e sei que agora ele é só negócios. Não queria envolver ninguém nisso, mas preciso de ter alguma garantia. Se por algum motivo isso vier à tona em algum momento, preciso que alguém me respalde. Meu pai vai entender.

- A Gabriela estava na mesma loja que a Manu hoje, tenho certeza que estava a seguindo. - fecho meus olhos tentando controlar minha raiva - Se tinha dúvidas que era ela naquele carro que me bateu, agora não tenho mais.

- Entendo. - meu pai fica em silêncio por alguns segundos antes de continuar - Não podemos acusar a menina sem provas, filho. O pai dela não vai aceitar.

- Sei disso, e por isso não quero levar nenhuma acusação para frente. Quero matá-la.

Novamente a linha fica em total silêncio, e quase posso escutar a mente calculista do meu pai girando.

- Ninguém poderia saber que foi você.

Meu alívio me faz sorrir. Sabia que meu pai iria apoiar, até porque ele queria ter matado ela há dez anos atrás. Porém, é bom saber que não preciso ir contra ele para fazer o que quero. Se vou fazer algo que pode, eventualmente, dar uma merda para os nossos negócios, é melhor que um dos chefes saiba. Ainda mais se ele é o meu pai.

- Ninguém vai saber, vou fazer direito.

- Muito bem. - o escuto tomando uma longa respiração - Faça o mais rápido possível, e não vamos falar sobre esse assunto novamente. Nem mesmo a sua mãe pode saber, o pai dessa menina é valioso demais para a nossa família e não quero nenhum motivo para uma eventual rebelião.

Concordo com ele e logo nos despedimos. Fico novamente sozinho no silêncio do meu escritório, ansioso com o que vai acontecer. Não imaginei que teria que lidar com a Gabriela novamente nessa vida, mas acho que já passou do tempo de nos acertarmos. Hoje vai ser o seu juízo final, e não vejo a hora de mandá-la para o inferno.

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