Capítulo 3

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(Arthur)

Continuo andando de um lado para outro enquanto espero a porra da guarda costeira fazer seu trabalho e trazer aquele barco de volta para a marina. Com o sinal do telefone da Manoela fraco, não consigo mais falar com ela, e essa espera está me deixando desesperado.

- Alguma novidade, sargento?

- Não, senhor. A guarda costeira ainda não passou nenhuma nova informação. Pelo tempo que demorou, eles já devem estar na ilha e vai ficar mais difícil fazer com que eles embarquem e voltem, não tem nenhum motivo plausível para isso.

- Eu falei que a Manoela tinha que voltar imediatamente. O resto, por mim, podem até morar  naquela maldita ilha. É meu último aviso, se ela não estiver aqui em vinte minutos, eu vou pedir a cabeça de cada um de vocês, não me decepcione.

Os policiais que estão comigo na marina arregalam os olhos e começam a se mover para acatar minha ordem. Eu devia ter pego qualquer merda de barco atracado e ido atrás deles eu mesmo, mas um dos meus homens me convenceu a não chamar atenção desnecessária. E agora estou aqui, quase arrancando meus cabelos, preocupado que qualquer coisa possa acontecer com a minha menina.

Sendo sincero comigo mesmo, as chances de acontecer qualquer dano físico para ela são bem pequenas. Pela pesquisa do meu cabo, o dono do iate é o pai daquele amiguinho dela, e pela riqueza da família tenho certeza que tudo deve ser muito seguro. Mas meu maior medo, o que sempre povoa meus pesadelos, é que em algum momento um menino mais jovem, próximo da idade da Manoela, a faça se apaixonar por ele. E pelas minhas contas tem dois meninos para duas meninas dentro desse barco, então nesse exato momento eu posso estar sendo traído pelo amor da minha vida. Porra, isso dói.

Ela não pode fazer isso comigo, o pensamento dela estar agora tocando outro homem, sendo beijada por outro homem, transando com outro homem... Meu Deus! Ela teria coragem de me apunhalar pelas costas desse jeito? A minha doce menina jamais faria isso, mas quanto mais eu penso nessa possibilidade, mais violento meus pensamentos vão se tornando. Posso só matar quem quer que seja esse menino que está com ela, fazer ele sumir seria relativamente fácil. Mas a Manoela também vai ter seu castigo, se eu souber que ela deixou ele ao menos tocar nela, ela vai se arrepender por dividir o que é meu.

- Senhor, a senhorita Manoela já está no barco da guarda costeira e a caminho. O guarda que a pegou na ilha disse que havia acontecido um incidente na casa dela, que ela precisava vir sozinha. Os amigos não gostaram muito, mas ficaram na ilha, pelo menos por enquanto. 

- Ótimo, podem voltar para a estação. Eu precisando de mais alguma coisa, deixo vocês avisados. - respiro com mais facilidade aliviado.

Meus homens vão se dispersando e logo estou sozinho na marina esperando minha menina. Poucos minutos depois, consigo ver a lancha da guarda costeira se aproximando da costa, e ando para mais perto da onde Manoela vai descer. Tento me acalmar, passando a mão pelo meu cabelo e camisa para tentar parecer mais apresentável e não um homem perto da loucura. Quero poder me controlar nessas situações, pretendo nunca mais fazer a Manoela chorar porque deixei minha raiva vencer meu controle.

Quando o barco finalmente atraca, vejo um dos guardas ir pegar a mão da Manoela para ajudá-la a descer.

- Não encosta nela, porra! Vem, Manu, eu te ajudo a descer. - o guarda tem o bom senso de se afastar e minha menina me dá sua mão sem questionar, me deixando ajudar.

Quando finalmente tenho Manoela na marina, longe do perigo, a encaro olhando de cima para baixo esperando ver qualquer ferimento ou prova que ela estava me traindo. Quando encaro seu rosto, vejo que está vermelho de choro e ela parece angustiada.

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