Chegamos na casa de minha mãe e ela nos recebeu sorrindo.
— Parabéns, mãe!
A abracei forte e ela retribuiu. Estava ótima para os quarenta.
— Feliz aniversário, Kate! — Garry a abraçou.
— Todos já chegaram? — perguntei olhando para dentro da casa.
— Só suas tias e seu padrinho.
Revirei os olhos, recebendo um olhar censurador de minha mãe.
Eu não gostava muito do meu padrinho. Ele era irmão do meu pai e meu pai e eu nunca convivemos bem. Ele batia em minha mãe, assim como em mim. Ela perdeu um filho por causa das agressões dele.
— Brad! — tia Hannah pulou assim que me viu. Ela sempre me adorou. Desde pequeno, tia Hannah diz que sou o filho que ela nunca teve.
Cumprimentei tia Margo, tia Linden e meu padrinho. Estendi-lhe a mão e ele me puxou para um abraço, o que eu achei estranho. Ele era tão alto quanto eu.
— Como você está? — perguntou.
— Muito bem. — fui curto.
Na verdade, ele sempre foi muito legal. Minha antipatia por ele veio de meu pai. O sangue daquele sujeito corria nas veias dele, e isso me incomodava. Ninguém da família de meu pai, além de meu padrinho, se importava conosco. Eu não ligava. Nunca gostei deles mesmo.
Por mais que eu tentasse me aproximar de Joseph, não conseguia. Ele era muito parecido com meu pai, e isso me irritava de um jeito que eu não consigo explicar. Além do fato de toda a fisionomia dele me lembrar meu pai. O sorriso era o mesmo, assim como a covinha na bochecha esquerda quando ele sorria, despreocupadamente, após alguma piada ou comentário sem graça em nossas conversas. Será possível alguém odiar tanto um pai assim? Pois eu odiava o meu. Ele era um covarde!
— Como está sendo na nova casa? — tia Margo perguntou.
— Ótimo. Tirando o fato de um bêbado babaca ter vomitado meu banheiro todo hoje de manhã.
— O bêbado aqui está ofendido. Eu limpei tudo! — Garry protestou e todos rimos.
— Já levou muitas garotas lá? — Joseph perguntou, malicioso.
— Não, e nem dá. Eu mal me aproximo de uma garota nas festas, e Garry já está bêbado ao meu lado implorando para ir para casa.
— Foi só uma vez! E sabemos que você não ia conseguir nada com a Cindy. — todos riram de novo e eu revirei os olhos.
— Não posso levar garotas com esse bêbado perto de mim.
Ele fingiu ofensa e foi ajudar minha tia com o bolo que ela trazia para minha mãe.
Cortamos o bolo, conversamos mais um pouco e, por volta das sete da noite, Garry e eu nos despedimos de todos e voltamos para minha casa.
▪️ ▪️ ▪️
Chegamos em casa e disse a Garry que dormisse aqui. Éramos amigos desde o primário. Ele é o irmão que eu nunca tive.
Nossa amizade começou de um jeito curioso: eu detestava maçã verde e ele, vermelha. No lanche do primeiro dia de aula eu tinha uma maçã verde na lancheira e ele, uma vermelha. "Ei, quer trocar?" ele perguntou. Eu respondi que sim e lanchamos juntos naquele dia. Depois disso, começamos a sentar juntos nas aulas, almoçar juntos e quando vimos já estávamos um na casa do outro jogando video-games ou assistindo filmes de terror.
— Está afim de fazer alguma coisa? — perguntou.
— Tipo o que? — joguei-me no sofá.
— Sei lá, só sair.
— Hoje é domingo, cara, o pior dia para sair.
Ele concordou, sentando na poltrona ao lado do sofá.
Acabou que por volta das dez da noite pedimos uma pizza e ficamos vendo a maratona de filmes de terror que passava no Megapix. Terror era o gênero favorito de Garry, apesar de ele ser praticamente o palhaço do nosso grupo. Eu, por outro lado, era um dos mais sérios, mas sempre preferi ação e comédias.
Nossas divergências acabavam, de alguma forma, contribuindo para que déssemos tão bem em nosso grupo. Éramos um time e isso, dificilmente, mudaria. Pizza e filme era uma das nossas atividades favoritas fora do campus, mesmo que o time não estivesse completo no momento.
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A Garota dos meus Sonhos
Mystery / Thriller❝Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade❞ Copyright, © 2020 Searchles, Inc. All rights reserved.
