Capítulo 21

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ELIZABETH

Os últimos dias têm sido horríveis. Ele está perdendo o controle. Não sei há mais quanto tempo sobreviverei. Já pensei várias vezes em me matar, mas prometi que seria forte e lutaria pela minha família. A morte deles não seria em vão. Eu colocaria este monstro na cadeia ou o mataria... não sei ao certo.

Acordei chorando ao sonhar com Lindsay. No sonho, ela disse que me amava e que não via a hora de estar comigo de novo. Eu corri para abraçá-la, mas um estrondo me acordou.

— Bom dia, flor do dia.

Mirei-o com ódio. Não só por já odiá-lo, mas por me tirar de um momento incrível com minha irmã mais nova.

— Dormiu bem? — encostou-se na porta.

Não respondi.

— Sabe, Elizabeth, eu não sei porque você é assim comigo.

Vá para o inferno, desgraçado!

— Está de mau humor hoje?

Permaneci em silêncio.

Queria estapear aquela cara cínica e debochada dele.

— Quer conversar sobre isso?

Mais silêncio.

— Ah, Lize... O que você quer?

— Que você saia daqui agora e me deixe em paz! — segurei-me para não voar em cima dele.

— Tudo bem. Para mostrar o quanto eu me importo com você, vou fazer isso.

Ele, então, deixou uma bandeja no chão, deu uma breve encarada em mim e, em seguida, foi embora.

Desgraçado!

Sentia as lágrimas rolarem por minhas bochechas. Enfiei meu rosto no lençol do chão e deixei a dor abraçar-me mais uma vez. Os soluços eram altos, mas eu não me importava se ele ia ouvir algo ou não. Queria que ele morresse! Eu o odeio!

Após alguns minutos de dor, arrastei-me até a bandeja e peguei o pão e o leite dali. Estava morrendo de fome.

Olhava pela janela, perguntando-me quando isso acabaria. Se for para eu morrer, que eu morra logo. Não aguento mais isso. Olhei pela janela, mais uma vez, observando o imenso lago, à frente, pela fresta de uma das tábuas pregadas na janela do quarto onde eu estava.

Lembrei dos verões em nossas casas de praia. Admirava meus pais por serem tão presentes, mesmo tendo que trabalhar sempre.

Mais lágrimas.

A simples lembrança de minha família causava-me uma dor insuportável. Daria qualquer coisa para tê-los aqui comigo. Para voltarmos a ser como antes. Sermos felizes.

A água do lago sendo movida pelas brisas das árvores do lado de fora, me lembravam o mar e em como adorávamos viajar para a praia. É claro que a casa onde eu estava agora não se comparava à casa da minha família. Tudo era melhor: o clima, as lembranças, os sorrisos que cada viagem nos tirava... Daqui, tudo o que me restaria eram lágrimas, pesadelos, medo e horror.

▪️ ▪️ ▪️

Passei o dia todo no quarto, olhando pela pequena fresta nas tábuas presas na janela.

Os pássaros voavam, provavelmente voltando para seus ninhos. Invejava sua liberdade. Não sabiam o quão sortudos eram por poder voar por aí o dia inteiro e voltar para seu ninho tendo a certeza de que tudo estava bem por lá.

Suspirei, quase caindo em prantos novamente, até que a porta foi aberta.

— Vai embora. — disse sem me mover.

A Garota dos meus SonhosOnde histórias criam vida. Descubra agora