Capítulo 37

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HORAS ANTES

— Quando a luz vermelha acender, diga seu nome completo e a sua participação no caso do desaparecimento da família Folks. Lembre-se que, se mentir, você será punido, de acordo com as leis da Constituição deste país. O senhor entendeu? — o homem parecia recitar um manual.

— Sim. — respondi, objetivo.

Ele então fez um sinal positivo com a cabeça para a mulher parada atrás da câmera, que respondeu seu aceno, ligando a câmera. A pequena luz na lateral da câmera acendeu, e eu comecei a dar meu depoimento:

— Meu nome é Brad Anthony Hown e eu ajudei no resgate de Elizabeth e Lindsay Folks.

— E como, exatamente você chegou até lá?

— Em um carro com meu padrinho Joseph Hown e meu melhor amigo.

— Sr. Hown, vamos do início: de onde você conhece a família Folks?

— Apesar da influência da família, eu não tinha contato com os Folks. Meu padrinho trabalhava para os Folks, mas eu não tinha conhecimento disso. Não éramos próximos.

— E como você descobriu que a família Folks estava desaparecida?

— Você não acreditaria em mim, agente. — recostei-me na cadeira dura.

— Posso tentar. Ou, melhor, podemos.

Após dizer isso, um segundo agente adentrou a sala. Ele era bem mais alto que o primeiro. Sua pele negra era mais escura do que a do companheiro e ele também tinha uma barba modelada, levemente grisalha.

— Senhor Hown, eu sou o agente Jackson. Phil Jackson. Trabalhei para os Folks até o dia de seu desaparecimento, então você já deve entender o peso que seu depoimento tem nesta investigação, certo?

Não respondi, apenas analisei o tom ameaçador que ele usava para falar comigo.

— Por favor, prossiga. — pediu.

— Eu sonhei com Elizabeth Folks. Ou, melhor, tive pesadelos. Nesses pesadelos eu conseguia ouvi-la pedir ajuda e até tentava salvá-la, mas eu sempre morria.

— O senhor tem razão. — Phil começou — Não acredito em uma palavra que saiu da sua boca, neste momento.

— Eu disse. — suspirei frustrado.

Perdi a noção do tempo que fiquei naquela sala. A câmera era, constantemente, desligada para que os agentes me ameaçassem. Eu já imaginava que este tipo de coisa fosse acontecer, só esperava que eles não usassem força bruta, apesar da visível irritação por acharem que eu mentia. Em partes, eu mentia sim. Não entregaria as informações que Claire me deu, nem colocaria a cabeça de Garry a prêmio para eles.

— O senhor confirma que Michael Hown estava, diretamente, envolvido no sequestro da família Folks?

— Sim.

— E também confirma que ele é seu pai?

— Eu sei o que vocês estão tentando fazer, mas eu não tive nada a ver com o sequestro. Eu sequer tinha contato com a família.

— O senhor confirma ou não? — o agente foi firme.

— Sim. — resmunguei.

— Por que acreditaríamos que os três não fizeram parte do sequestro dos Folks?

— Porque eu não tive nada a ver com isso! — me irritei — Eu sei que parece impossível, mas eu sonhei com Elizabeth Folks e ela também sonhou comigo. Pergunte a ela, se quiserem! A única coisa que fiz, nessa tragédia toda, foi tentar ajudar uma família que eu não conhecia. Não tenho mais nada a declarar, agentes. Já posso ir?

A Garota dos meus SonhosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora