Capítulo 14

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2 ANOS ANTES

A música do lado de fora era abafada, quase inaudível. Haviam muitos jovens do lado de fora bebendo ou apenas conversando entre amigos. O rapaz caminhava, despreocupado, de volta para casa, não muito longe dali. As mãos estavam nos bolsos dos jeans que vestia, numa tentativa falha de parecer menos embriagado.

— E aí, garoto?! — uma voz soou atrás do rapaz que virou-se, despreocupado.

Wow! Hoje deve ser meu dia de sorte. — sorriu, verdadeiramente, feliz em ver a pessoa dentro do carro preto parado ao seu lado.

Já não conseguia mais manter os olhos abertos como uma pessoa sóbria manteria. Ele caminhou até a porta traseira do carro e sentou-se no banco, relaxado.

— O que faz por aqui? — perguntou, passando uma das mãos pela franja loira que caía por seus olhos.

— Vim "resolver um assunto". — disse direto — O Brad estava com você?

— Não. Até o chamei para essa festa, mas ele está mais preocupado com a bolsa de estudos do time de baseball.

— Entendo. Você não deveria estar fazendo o mesmo? — dirigia, concentrado em não acertar nenhum dos jovens que atravessavam repentinamente.

— Eu já recebi a carta da faculdade, ele não. — dizia, lentamente, com a voz embargada devido à embriaguez.

— Ele vai conseguir. — sorriu, esperançoso.

— Também aposto nisso.

O carro fez mais algumas curvas em volta do clube, até que parou e buzinou uma única vez, de forma rápida. Do banco de trás, o jovem não sabia ao certo se tudo que ouvia e todos os movimentos que sentia eram reais ou delírios de sua mente alcoolizada.

— Obrigada por vir me buscar, Joseph. — uma voz feminina ecoou pelo veículo.

A porta do carro foi aberta, houve uma movimentação leve e pôde-se, por fim, ouvir a porta sendo fechada. Em seguida, mais ruídos: cinto de segurança, suspiro, carro sendo ligado, novamente, e movimentação.

— O que veio fazer aqui, Elizabeth? Sabe que não pode andar sozinha nesse bairro e, principalmente, vir para esse lugar. É perigoso para garotas como você.

— Minhas amigas decidiram vir comemorar os dezessete anos da Tiffany aqui. Toda a turma confirmou, eu não queria ser a única a não vir... — justificou.

— Que tipo de clube é esse que permite a entrada de menores de idade? — perguntou para si mesmo, irritado — Seus pais sabem disso? — questionou.

— Mais ou menos... — corou — Eu disse que seria uma festa do pijama na casa da Tiffany.

— Lize... — resmungou.

— Eu sei, foi errado. Mas eu sou a única da turma que nunca pode ir às festas. É muito chato! Já estão parando de me convidar, sabia?!

— E isso não é ótimo? Seus pais ficariam aliviados em saber que você não está frequentando este tipo de lugar.

— Caretice. — o jovem resmungou do banco de trás.

Ambos se assustaram com sua fala. Elizabeth por não ter percebido sua presença e Joseph por achar que ele tinha caído no sono.

— Ah, Lize, este é um amigo do meu afilhado. Como dá pra ver, ele não está muito bem. Garry, esta é Elizabeth.

— Olá. — a jovem disse, sem jeito, virando-se para p banco de trás.

— E aí?! — foi tudo o que conseguiu dizer.

Ambos não conseguiam ver muita coisa devido à escuridão das ruas e do veículo. Mas a jovem notou a camisa quadriculada verde do rapaz e ele conseguiu enxergar o que parecia ser um casaco azul e uma tiara branca.

— De qualquer forma — voltou ao assunto —, você não precisa se preocupar, Jo. Eu sei me cuidar. — ela sorriu tentando acalmá-lo.

— Lize, não quero você aqui. Eu sei que você está crescendo e este tipo de coisa é inevitável, mas aqui é muito perigoso. Além dos universitários, nesse clube sempre tem um cara que apronta alguma merda e vem se esconder aqui. — foi direto, como sempre.

— Ok, já entendi.

Do banco de trás, o rapaz concordava, mentalmente, com o que o homem no volante dizia, ao mesmo tempo que observava que estava bem mais longe de casa do que achou que estaria. Oscilava entre cochilos, ruídos e realidade, mas ele conhecia o bairro onde estavam. Inclusive, sabia que as pessoas que viviam ali eram as mais poderosas da cidade. Mas não havia tempo para pensar no que eles estavam fazendo ali, pois não demorou muito para cair no sono, mais uma vez.

Mais um movimento brusco que o acordou. Desta vez, foi o carro parando. Não sabia ao certo que rua era aquela, mas sabia que estava mesmo na área nobre de Manhattan, conseguia até reconhecer o prédio de um dos jogadores de basquete de seu time.

— Me prometa que não vai mais mentir e ir para lugares como aquele. Hoje você pôde contar comigo, mas imagine se não pudesse. Esse tipo de atitude não prova que você amadureceu, muito pelo contrário, só prova o quão imatura você é, mesmo que saibamos que não.

A garota apenas ouvia, com a cabeça baixa. Joseph segurou seu queixo, fazendo-a olhar para ele.

— Prometa. — insistiu.

Ela bufou e assentiu, tirando o cinto e abrindo a porta do carro.

— Vai subir? — perguntou antes de fechar a porta.

— Não. Só vim deixá-la em casa. Além disso, tenho que levar um rapaz embriagado para casa. — inclinou a cabeça para o banco de trás.

Ela riu, concordando.

— Tudo bem. Boa noite, Jo. E boa sorte com a ressaca, Gilbert. — gargalhou, fechando a porta.

— Boa noite, Lize. — o homem riu também, observando-a entrar no prédio.

— É Garry. — corrigiu tarde e lento demais.

Joseph parou de rir, ligando o carro, mais uma vez. Garry não aguentava mais sacudir no banco de trás e já começava a ficar enjoado.

— Só não vomite no meu carro, garoto. — avisou, sorrindo fraco.

▪️ ▪️ ▪️

Como não lembrei disso antes? O rapaz questionou, pulando para fora da cama, à procura de seu celular. Ainda com a visão embaçada, digitou sua senha, com dificuldade, e procurou pelo número do amigo, enviando-lhe uma mensagem:


Está em casa?

Estou. Aconteceu alguma coisa?

Aconteceu. Chego aí em quinze minutos.


Após enviar as mensagens, correu para o banheiro tomando banho o mais rápido que conseguia. Foi para a garagem, pegou sua bicicleta e foi direto para a casa do amigo. 

A Garota dos meus SonhosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora