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David
A minha cabeça ia explodir. Não tinha outra coisa que se pasava por ela a mão ser isso, eu estava tentando manter o pensamento de que tudo ia ficar bem mas eu não conseguia acreditar nisso, porque o que parecia é que a cada hora que se passava acontecia alguma coisa que fazia tudo desmoronar.
Lesão no joelho (como se isso fosse uma novidade), Eduardo invadindo minha casa, Alicia apagada fazendo vários exames sem acordar por nada nesse mundo, meu filho em perigo e agora para completar minha avó passando mal no Brasil fazendo minha mãe voltar às pressas pra lá.

Tivemos que voltar às pressas para Paris com Alicia pelo sangramento que ela teve, nós fomos para um hospital em Nice e lá não tinha todos os recursos necessários, transferimos ela de helicóptero para cá e eu trouxe todo mundo comigo, Dudu foi com minha mãe para o Brasil porque ela estava muito aflita e eu não conseguiria deixar ela ir sozinha, Gustavo tem que resolver algumas do futsal Paulista e por essa razão ele ficou aqui, quebrou um galho ficando com a Sofia enquanto eu fico aqui no hospital.
A pele de Alicia na minha frente era sem cor, e seus lábios estavam roxos, eu queria tanto que ela acordasse, sua mão era a única parte quente do seu corpo, mesmo com ela apagada e me preocupando tanto ela ainda conseguia me passar tranquilidade, eu queria tanto que ela acordasse logo.
- David - o médico disse entrando no quarto - descobrimos o que ela tem.

Alicia

Branco.
Branco.
Branco.
Branco, e um cabelo engraçado.
Eu abrir meus olhos devagar e David não tinha percebido que eu estava acordada, ele estava apertando minha mão com um pouco de força e ele parecia bem chateado, sua fisionomia não era uma das melhores. Olhei ao redor e como o óbvio, percebi que estava no hospital, tentei me lembrar da última coisa que aconteceu, passei meu dedão por sua mão e ele me encarou.
- Até que fim - ele pareceu aliviado e seus olhos estavam com olheiras e um pouco vermelho, denunciava cansaço e a única coisa que eu conseguia pensar era: por quanto tempo eu tinha dormido?
- O que aconteceu?
- Você desmaiou, logo quando começou a sangrar - ele se sentou na beirada da cama.
- Cadê a Sofia? - eu olhei para o lado e vi que estava de dia - Que dia é hoje?
- Segunda, estamos em Paris - O QUÊ? Sábado eu estava em Nice e acordo segunda em Paris? Fiz uma cara de assustada - É, fica calma - ele disse passando a mão na minha testa e dando um beijo ali também.
- Como tá o bebê? Eu ainda tô grávida né? - disse sentindo um aperto imenso no meu peito, eu não sei o que faria se eu não tivesse grávida mais.
- Tá sim... - ele passou a mão na minha barriga.
- O que foi?
- Eu te amo - ele disse tentando segurar para não chorar, ele conseguiu, mas tinha algo errado.
- O que eu tenho? - ouvir a porta sendo aberta atrás de mim e entrou um homem com jaleco, David se levantou e se afastou.
- Alicia, que bom que você acordou - ele disse em francês, eu dei um sorriso - Como você tá? - ele perguntou me medicando, olhando meus olhos, vendo meus batimentos.
- Bem.
- Que ótimo!
- Como tá o bebê?
- Nós precisamos conversar uma coisa - ele fez uma anotação - Eu preciso que você fique calma.
- Eu tô calma - eu disse irritada.
- Ei - David se aproximou e pegou na minha mão fazendo um carinho no meu dedo.
- Você está bem - ele deu um sorriso - Mas o seu bebê, precisamos falar dele.
- O que ele tem?
- Ele está bem, mas nós temos um problema - ele fez uma pausa - Bom Alicia, você tem é um caso muito raro de insuficiência no colo do útero, junto de uma má formação uteriana.
- O que isso quer dizer?
- Eu vou explicar melhor, o útero tem uma capacidade máxima de elasticidade e o seu não tá desenvolvendo bem quanto a isso o que impede o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê - eu respirei fundo.
- Continua - falei com os olhos cheios de lágrimas - Eu estou bem - eu não podia acreditar que eu ia perder de novo um bebê, minha cabeça estava a mil.
- No seu caso você pode escolher, se você quer ou não ficar com bebê - ele olhou para o David - Porque coloca em risco a vida de vocês dois, mas a situação pode mudar e nada disso acontecer, nós já entramos com alguns medicamentos que vão ajudar no desenvolvimento do seu útero.
- Quero continuar com a gravidez - falei sem olhar para a cara de David porquê eu continuaria com essa gravidez custe qualquer coisa.
- A decisão é sua, você pode levar a gravidez até o final e o bebê pode não resistir, e nem você - David encarou ele irritado, ele falou isso naturalmente, mas isso era típico das ignorância doa franceses - Então o mais recomendado é você tirar, e tentar de novo futuramente, é muito raro pessoa com esse tipo de problema ficarem grávidas e você ficou duas vezes, isso acontece um em cada cem mil pessoas.
- Não tem problema, eu quero ir até o final - respondi no mesmo tom - Você mesmo disse que a dificuldade para engravidar é muito grande.
- Você precisa ficar no hospital para fazer novos exames e sabermos como você vai reagir ao tratamento.
- Por quanto tempo?
- Uns cinco, sete dias no máximo - eu concordei - Esses dias vão ser fundamentais para saber se o bebê vai sobreviver ou não.
- Tá bom - eu agora estava com o olho cheio de lágrimas - Tudo bem, eu vou continuar com ele, custe o que custar.
- Até sua vida?
- Ela é o que mesmo importante agora.
- Mas sem ela o bebê não vive - ele disse sério - E sua outra filha, você não tá pensando nela.
- Eu não vou mudar de ideia.
- Você que sabe - ele revirou os olhos - E você?
- É ela que decide - David se manifestou.
- Os dois sabem que isso pode acabar com nenhum dos dois vivendo, né?
- Você é pago para opinar na decisão das pessoas? - perguntei muito irritada, cansada demais desse homem opinando.
- Alicia - David disse apertando minha mão.
- Eu sou pago para falar a verdade e orientar a fazer o melhor, já teve muitas pessoas iguais a você que no final não foi muito bom, não quero que isso se repita.
- Eu não sou todo mundo, sou bem diferente até - ele revirou os olhos.
- Alguma dúvida? - neguei - Quer falar alguma coisa? - neguei - Eu vou deixar vocês conversarem - ele saiu do quarto.
Assim que o médico saiu não deu outra, eu comecei a chorar tudo aquilo que eu tinha segurado, o meu medo de engravidar desde quando perdi o bebê era isso acontecer de novo, eu não queria passar por isso de novo. David foi muito paciente como todas às outras vezes me acalmando, ele ficou ali comigo sem falar muito até que eu me sentisse melhor.

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