Havia sido uma noite exausta, após a dança com o homem mistério, Penelope saiu furtivamente da festa, como sempre fazia, não querendo dar explicações a sua mãe ou a qualquer um que as quisessem ela decidiu subir para seu quarto, amanhã ela lidaria com isso, mas está noite ela só queria se deitar em sua cama e descansar o máximo, a noite em si tinha sido concluída com total sucesso, ela estava orgulhosa de si mesma.
Quando chegou em seu quarto, a garota foi recebida com uma surpresa nada agradável, rosas pretas e vermelhas estavam espalhadas por sua cama, haviam velas acessas que ela não se lembrava de ter acendido, um cenário que seria digno de uma cena romântica que sempre estava acostumada a ler, mas daquele momento não pode deixar de achar apenas uma cena aterrorizante, era mais do que óbvio que ele tinha estado pelo quarto dela, se aproximando mais, ela encontrou um pequeno papel dobrado, o abrindo ela se deparou com algo que a quase fez sorrir.
" – Isso ainda não acabou –
lembre-se bonequinha, essas são as suas palavras. "
Bonequinha
Era grotesco demais ela ter gostado de um apelido que aquele maldito a havia lhe dado? Ela esperava que não, mas não era como se ela estivesse ligando, de um jeito ou de outro ela acabaria o matando de qualquer forma.
Dando passos até uma das velas que estavam acessas, Penelope inclinou o papel ao fogo e o observou queimar, sentindo-se observada ela direcionou seus olhos para a janela que dava para a frente de sua casa, então ela o viu, parado na rua, a escuridão rodiava, ele estava perfeito.
Sua típica máscara que não mostra nada além de seus olhos, suas luvas pretas que sempre estavam presentes e sua vestimenta que combinava com a escuridão da noite, seus olhos como de costume encontraram-se, um arrepio a percorreu, ela sentiu sua mão queimar levemente, assim, desviando o olhar dele para onde o papel ainda pegava fogo, notando que o fogo tinha de espalhado rapidamente ela o soltou deixando cair do chão o observando virar cinza no processo, sua atenção novamente voltou para a janela, encontrando apenas a visão da casa Bridgerton.
Ele havia sumido, como sempre.
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A manhã tinha chegado rápido, e com ela sons de batida fortes em sua porta, uma dor de cabeça a atingiu fortemente, ela tinha quase certeza que era por conta da garrafa vazia de vinho jogado no chão do quarto.
Penelope tinha certeza que se não levantasse para atender a porta naquele exato momento a pessoa do outro lado seria capaz de a derrubá-la, assim o fazendo a garota se levantou com esforço e tropeçando em seus próprios passos, ela destrancou a porta e a abriu, dando de cara com sua mãe que tinha uma cara nada boa.
– Você o matou? – sua mãe proferiu enquanto entrava em seu quarto e trancava a porta novamente.
– Quem? – Penelope a olhou confusa.
– Penelope! – sua mãe bufou em descrença.
– Eu não sei do que está falando mamãe – a garota a respondeu incrédula, uma pessoa morre e a primeira a suspeitar que foi ela era sua própria mãe, só poderia ser brincadeira.
– Jack, ele foi encontrado morto – sua mãe a respondeu com uma voz trêmula.
– E por que sou a primeira a pessoa que você está suspeitando mãe? – ela disse com os olhos arregalados em pura raiva.
– Não sei Penelope, mas eu acho que é apenas porque você deixou bem claro que ele seria o quarto homem na qual você tiraria a vida – Portia a respondeu com uma falsa risada.
– Foi uma brincadeira! – bom, uma quase brincadeira.
– De muito mal gosto não acha? – sua voz suavisou.
– Desculpa, mas, o que aconteceu exatamente? – a garota perguntou curiosa, isso era algo que ela não estava esperando, de fato não havia sido ela, o que a deixou em alertar, ela desconfiava que tinha algo a ver com a visita do homem ontem a noite, mas por que ele iria querer matar Jack?
– Ouve um incêndio no bordel onde seu primo estava, foi um grande, ninguém que estava lá saiu com vida – Portia a contou enquanto se sentava em sua cama.
– E você achou que tinha sido eu? Mãe, nem faz sentido – ela a olhou.
– Eu sei, eu sei, mas na hora que recebi a notícia fazia sentido – sua mãe a olhou feio – O que esperava que eu pensasse depois de ontem? Você mudou muito querida, aliás, temos muito o que conversar sobre Lady Whistledown, ainda estou me mantendo calma, mas primeira antes de termos essa conversa quero que a senhorita vá tomar um banho e se vestir adequadamente, e depois tomar um copo com ovos cruz, temos uma conversa para esclarecer as coisas e um funeral para organizar.
Penelope vez uma careta ao pensar nos ovos cruz, mas acentiu querendo ficar sozinha logo, sua mãe se levantou e saiu do quarto a deixando solitária, sua mente ainda girava em confusão, a morte de Jack estava em seus planos, mas era pra ela o matá-lo, aquele bastardo estava ocupando um posto que era seu por direito, é ela tinha achado um jeito de tomá-lo de volta, só não achou que seria tão fácil assim.
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Ele a viu se dar conta do papel que queimava sua preciosa mão, aproveitando o momento de distração de sua mulher ele começou a andar em direção ao bordel.
Havia meses que ele estava planejando a morte daquele homem inoportuno, ele sabia que aquele era um plano dela, mas ele não suportaria vendo ela sujar suas mãos com um homem que claramente não merecia que ela o matasse, o que na visão do dele seria uma dádiva dos deuses.
Ele entrou no local sem ser percebido como tinha planejado, deixando rastros de óleo de rícino que estava na garrafa que segurava, ele segui por dentro da grande casa que era feita de madeira, haviam meretrizes por todos os lugares, com homens que a sociedade com certeza ficaria horrizados se os visem, outros nem tanto.
Algumas das mulheres o notaram, se esfregando no homem ou o puxando para algum quarto, o que ele prontamente recusava, não era como se alguma daqueles mulheres fossem quem ele realmente queria. Chegando ao seu destino final, o homem entrou e se deparou com a cena nojento do bastardo esparramado em uma cama que provavelmente tinha milhares de doenças, seu olhar percorreu o quarto e parou assim que viu a vela parada em cima da mesa perto da cama, ele terminou de jogar o restante do óleo ao arredor da cama.
Pegando a vela, o homem fez seu caminho novamente para fora da casa, cuidando ao máximo para a chama em sua mão não apagar. Já do lado de fora, ele parou em frente a saída dos fundos do bordel onde começava o rastro de óleo.
Ele deixou a vela cair, apreciando o fogo se instalar, o homem fechou a porta e começou a andar novamente pela estrada, ao fundo ele podia ouvir o barulho de gritos e o fogo queimando, sabendo que tinha feito um ótimo trabalho ao trancar todas as saídas do bordel.
Ele faria de tudo por ela, e tirar a vida de outras pessoas que não agradavam sua mulher era apenas o começo.
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Darkness
Fanfiction- Eu odeio você. - Eu amo você. Depois de ser alvo de zombaria por quem pensava ser seus amigos, Penelope se encontrava cada vez mais distante de tudo e de todos ao seu aredor, e naquela noite a garota não estava muito diferente, era o seu segundo a...
