Capítulo 23

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Penelope andava com passos incertos pela floresta escura, seu corpo inteiro doía de uma forma a qual não conseguia explicar, era se estivesse correndo por horas.

Passos pesados surgiram atrás de si, ela virou-se de forma bruta, quase caindo, não havia nada, apenas a escuridão. Um pequeno toque em seu cabelo a fez com que saísse correndo por qualquer lado. Quando seu corpo cedeu, ela caiu de joelhos, ela olhou ao seu aredor, os passos pararam, e agora olhando para frente, ela encontrou uma igreja.

Ela a adentrou sem nem pensar duas vezes, era um lugar velho, caindo aos pedaços, chegava  a mofo, a comida estragada.

– Olá? – sua voz saiu trêmula.

– Você veio bonequinha – a voz rouca atrás de si ecoou.

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Penelope acordou em um sobre salto, seu coração batia de forma desigual, seus cabelos estavam molhados do suor.

Desde de sua chegada a Grécia, os sonhos sempre eram os mesmos, a floresta, a igreja, o reencontro, era sempre na mesma ordem, era sempre do mesmo jeito. Conan ainda a assombrava como ninguém, ele ainda tinha um poder sobre ela depois de anos.

Ela levantou-se da cama e pediu para sua criada preparar seu banho. Ela adentrou a água morna, seus músculos relaxaram instantaneamente. Penelope tentou manter os pensamentos baixos, mas quando o assunto era Conan, isso nunca foi possível.

Ela ainda se lembrava como as mãos dele eram firmes em seu corpo, a voz rouca em seu ouvido, seus lábios contra o corpo dela. Suas mãos começam a acariciar o próprio corpo, primeiro os seios, Penelope os apertou com força, lhe arrancando um gemido, seus mamilos já estavam rígidos com o toque, com uma mão ainda sobre o peito , ela desceu a outra para o meio das pernas, a quais se abriu de forma involuntária, ela lembrou-se como era a sensação pecaminosa de ter ele a tocando, a mulher fechou os olhos com força quando adentrou dois dedos em si, ela imaginou serem os dedos dele, os movimentos de vai e vem se tornaram intensos, ela também passou a dar atenção ao clitóris, seu corpo já estava pronto, um gemido do nome dele saiu de sua boca e um suspiro trêmulo de prazer ecoou pela sala de banho quando ela se desfez nos próprios dedos enquanto pensava nele.

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A pousada a qual se hospedará era grande, carregada por artefatos antigos e com o cheiro velho de madeira. Ela observava a movimentação do centro da cidade pela janela do quarto. Desde que havia chegado, foi recebida por um ar tenso, era como se a cidade soubesse o que tinha vindo buscar.

Uma semana.

Já fazia uma semana, sem pistas, sem sequer um rastro sobre ele. Com um suspiro frustrado ela arrumou suas luvas e se olhou pelo reflexo da janela, se certificando que estava apresentável. Batidas em sua porta ecoaram pelo quarto sem vida, ela abriu a abriu, sabia que já estava na hora.

Havia uma igreja a não muitos metros da pousada a qual começou a frequentar, ela não sabia explicar exatamente o porque, apenas que algo a chamava, era como um imã, era como se esse voto de castidade pudesse o trazer de volta.

Como já de costume, ela adentrou a igreja sozinha, gostava de ter esse momento a sós com quem a estivesse ouvindo, por isso, sempre ia quando sabia que o lugar estava vazio. Ela ajoelhou-se, abaixou a cabeça e cruzou suas mãos em forma de reza.

O vazio em seu peito era cada vez mais crescente, ela sentia que estava cada vez mais perto de morrer, talvez, se o encontrasse, esse sentimento melancólica sumisse, e então ela pudesse sentir seus dias coloridos de novo, e não dias cinzentos com cheiro de morte. Ele era a única coisa que a mantia viva.

Quando estava prestes a levantar-se, uma presença ao seu lado se fez presente, algo quase inocente, mas, bastou levar o olhar para quem estava ali para saber que aquele homem tem passagem direta para o inferno.

Evans Gilbert.

Ela suspirou pesado. O homem ergueu a cabeça de sua "reza".

– Nova na cidade senhorita? – sua voz era rouca, e nojenta aos olhos dela.

– Não lhe ensinaram que atrapalhar a oração dos demais e falta de educação senhor? – ela o respondeu seca o olhando de cima a baixo, ela levantou-se, agora já de pé.

– Desculpe-me senhorita, não foi minha intenção, apenas queria ver com os meus próprios olhos sobre a senhorita a qual todos estão comentando – ele lhe deu um sorriso charmoso.

Patético.

– Isso é um tanto desrespeitoso não acha? – ela perguntou já sem paciência.

– Tem razão, mas a curiosidade me venceu, peço perdão pelo meio indecoro, mas deixe-me perguntar, o que uma mulher tão bela faz sozinha em uma cidade perigosa como essa? — ele proferiu enquanto se aproximava, estava na cara que aquele bastardo estava tentando a intimidar.

Idiota.

– Quem disse que estou sozinha? – desta vez, ela deu um passo a frente, com a cabeça erguida, olhos firmes e o nariz empinado.

O homem em sua frente vacilou, Penelope sorriu e o olhou de cima a baixo com desgosto mais uma vez virou-se em direção a porta e saiu.

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A baixo da igreja, a parede a qual havia uma corrente, encontrava-se com rachaduras feias, e ligada a corrente, havia Conan Torbrige.

Ele a sentiu.

Todos os dias.

Por uma semana.

Ele a sentiu.

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Naquele mesmo dia, Penelope recebeu um convite para o baile na residência Gilbert.

Era oficial.

Evans Gilbert havia assinado sua sentença de morte.

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