Capítulo 24

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A noite seguinte havia caído sobre a cidade como um véu pesado e abafado.

A Grécia se arrastava sob uma fina garoa, e as carruagens deixavam rastros de lama por onde passavam. As criadas se apressavam para tirar os tapetes do varal, os floristas tentavam proteger suas rosas com tecidos, e as damas de luvas finas se protegiam com sombrinhas frágeis demais para o mundo em que viviam.

Penelope observava tudo calmamente pela janela. Ela apertou o pequeno frasco em sua mão com força. Seus pensamentos foram interrompidos ao escutar leves batidas em sua porta.

Era hora de ir.

O salão era pequeno, com paredes cobertas por tapeçarias orientais e espelhos envelhecidos. No centro, um pequeno palco. Ao fundo, um piano. A iluminação vinha de candelabros baixos e velas em castiçais dourados. A atmosfera parecia feita para confissões.

Quando Penelope entrou, o salão silenciou.

Era noite de gala.

Uma daquelas que prometiam tudo e não entregavam nada.

Penelope vestia um tom esmeralda. Era um vestido novo, mais justo que os anteriores, com um decote ousado apenas o bastante para arrancar olhares — mas não para provocar escândalo. Os cabelos, soltos em ondas controladas. Os olhos, delineados como espadas curvadas.

Ela caminhou até a mesa principal. Havia uma variedade de comida e apenas uma fonte de bebida.

Patético.

Ela serviu-se de um copo, dando a ele uma golada generosa. Não soube ao certo por quanto tempo ficou encarando o copo, mas foi o suficiente para sentir uma presença desagradável.

— A senhorita veio — a voz masculina proferiu.

Ela virou-se para encará-lo.

— Nunca recuso convites — disse, sem se importar muito.

Ele apenas assentiu, aproximou-se dela e se serviu de uma taça que já existia em suas mãos. Tomou o líquido de uma só vez e, em seguida, lhe estendeu a mão.

— Me daria a honra de uma dança, senhorita Featherington? –

Ela o encarou firme e agarrou a mão dele de forma bruta.

— Como sabe meu nome? — a música começou lenta, assim como seus passos. Eles se mantiveram próximos, como os demais casais.

— Do mesmo jeito que sei o que veio procurar — ele se afastou. Ela cerrou os dentes.

— Então por que não me dá logo o que quero e podemos parar com esse joguinho sujo? — ela sussurrou.

— Porque, minha cara, o que você tanto deseja... já não está mais entre os vivos — um sorriso irônico surgiu em seus lábios.

— Do que está falando? — ela perguntou, com a respiração falha.

Ele a girou e a trouxe de volta com força, fazendo seus corpos colidirem.

— Ele está morto — proferiu de forma baixa em seu ouvido, soltando-a de forma brusca em seguida. Ela cambaleou.

— Está mentindo! — ela gritou, se aproximando dele, ficando cara a cara com o homem. Suas mãos tremiam, seus olhos brilhavam em lágrimas não derramadas. O vestido de repente pareceu mais pesado, e o espartilho, apertado demais.

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