Capítulo 26

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A manhã seguinte havia chego gelada. Seu corpo ainda reclama de dor quando tentou levantar-se, sua cabeça latejava. Sua mão passou pelo lado esquerdo da cama, procurando por ele, mas apenas encontrou a cama mais fria do que o próprio clima.

Ele...

Suas pernas já estavam firmes quando colocou seus pés no chão, diferente do dia anterior. Ela olhou pelo quarto, não reconhecia aquele local, nunca estivera ali antes, disso tinha certeza. Havia um robe pendurado a cabeceira da cama, ela o pegou sem exitar se cobrindo, suas pernas a guiaram até a porta a abrindo. Haviam quadros ao longo do corredor, uns bem coloridos outros nem tanto, a casa em si tinha uma decoração vibrante e reservada ao mesmo tempo.

Seus passos a levaram ao que parecia ser a sala de jantar, que agora estava sendo usada para o café da manhã, seus olhos percorreram o cômodo até caírem na mesa que ficava no centro, a deixando surpresa. Conan segurava em seus braços uma linda garotinha de não mais que alguns meses, suas bochechas eram tão vermelhas quanto maçãs, ela sorria para as caretas divertidas que ele fazia, não muito distante estava uma mulher de cabelos loiros que falava sem parar e ao seu lado, prestando atenção em cada palavra que a mulher dizia, estava o Sr. Zardini. Sua atenção voltou-se novamente para o bebê que a olhava com grandes olhos castanhos e batia palmas em sua direção.

– Bom dia... – sua voz saiu arrastada e baixa, mas não o suficiente para não notarem.

A mulher antes falante calou-se de imediato e Penelope mal a viu chegar quando sentiu braços ao arredor de seu corpo a apertando em um forte abraço.

– É tão bom finalmente conhecê-la querida, seu marido fala muito bem de você, venha, vamos nós sentar, deve estar faminta – a loira não tardou em a puxar pela mão e a colocar sentada ao lado de Conan e logo em seguida pegar a pequena criaturinha em seu colo, que protestou mas logo se viu distraída com os cabelos da mãe.

Um toque em sua mão fez com que sua atenção volta-se para o homem ao seu lado, ele inclinou-se em direção a ela, deixando um beijo amoroso em sua testa.

– O que... pensei que não tivesse um antídoto – ela afastou-se dele, voltando sua atenção ao Sr. Zardini.

– Não tinha – ele respondeu dando um gole em seu café.

– Então porque estou viva? – seus olhos arderam em lágrimas não derramadas, ela sentiu o olhar dele em si.

– Bom, eu disse que não tinha, não que não poderia ser feita – ele respondeu calmo, dando a filha uma pequena fruta.

– Por que? – sua voz soou fraca.

– Meus serviços vão muito mais além de investigações senhorita Featherington – ele proferiu a olhando.

Penelope abaixou o olhar suspirando pesadamente.

– Quando voltamos para casa? – ela perguntou ainda com o olhar perdido.

– Quando você estiver bem – Conan segurou sua mão firme.

– Ótimo, voltamos hoje mesmo – ela levantou-se, afastando sua mão da dele de forma brusca.

Havia algo errado. Era como se ainda estivesse morta, estava feliz por ele estar vivo, o queria vivo, mas, as mentiras, o abandono, tudo a matava por dentro. Toda aquela angústia que sentirá no passado estava retornando de forma desagradável. Penelope entrou ao quarto, sentando-se no chão, com as costas apoiadas na cama.
Deseja estar morta, isso era um fato.

Anos atrás... 1823

O céu acima de si estava brilhante aquela noite, Penelope não sabia por quanto tempo ficou apenas o olhando. Os pesadelos estavam ficando cada vez mais frequentes. O cheiro do sangue ainda a perseguia, a raiva em seu corpo corria sem parar, as lembranças.

Ah, as lembranças.

O pior de tudo, era que ela havia gostado. Cada golpe da faca. Cada mínima gota de sangue. Ela odiava a sensação insaciável de querer mais, de querer matar mais, mas não qualquer um, ele. Ela odiava ainda mais o fato de que essa sensação não a tornava melhor do que aqueles que mataram seu pai. A mulher voltou sua atenção para o lago a sua frente e começou a dar passos em direção a ele.

Tudo era demais.

As mortes.

Os sentimentos.

Os pesadelos.

O passado

Tudo.

Antes que seus pés tocassem a água, ela abaixou-se, pegando duas pedras grandes e pesadas, as entrelaçando no vestido. A água estava fria, mas o seu corpo também, tudo estava tão quieto, o silêncio da noite a atraia. Penelope olhou uma última vez para o céu antes de ficar submersa pela água gélida.

Ela sentiu lentamente a água tomar conta do seu corpo. A menina se sentia finalmente em paz, tudo tão em silêncio, do jeito que sempre amou, sua mente antes barulhenta, aos poucos se tornava calma, a dor em seu corpo, sumia lentamente, os bons momentos de sua vida, embora eram poucos, começaram a passar por sua cabeça como um filme. Ela podia ouvir ao fundo gritos, mas a sensação de paz, pela primeira vez em seis anos, a dominava por completo.

Sua mente voltou-se ao presente quando ouviu o barulho da porta se abrir, não precisou olhar para saber de quem se tratava, ela fechou os olhos ao sentir o perfume dele.

– Está mesmo certa de que quer voltar ainda hoje? – ele sentou-se ao seu lado. Penelope apenas acentiu com a cabeça, ainda de olhos fechados. Conan segurou uma de suas mecha de cabelo ruivo em seus dedos. Ela levantou-se de forma brusca o encarando.

– Não ouse me encostar, acha mesmo que um simples beijo e um pedido de desculpas será o suficiente para o estrago que fez? – ela exclamou furiosa.

– Meu Amor... – ele levantou-se.

– Não... você não tem esse direito, você me destruiu Conan... mentiu para mim, quando eu confiei em você, confiei que não me machucaria, que não me abandonaria. Você não tem ideia do que fez comigo. – ela se aproximou, lhe apontando o dedo já com a raiva a dominando.

– Eu... eu não sei mais o que fazer... já lhe pedi perdão, eu... eu sinto tanto – sua voz saiu falha, ele estava quebrado tanto quanto ela.

– Me mostre... em atitudes, não em palavras, me mostre que merece o meu perdão, que merece me tocar, me ter novamente como sua, me mostre que merece o meu perdão, por que não irá ser fácil – ela respondeu com a voz embargada.

Ele tentou aproximar-se.

Ela recuou um passo.

– Sabe o que me machuca Conan?  E eu não conseguir odiá-lo, mesmo depois de tudo, do engano, das mentiras, ainda depois de tudo, a única coisa que eu quero e correr para seus braços e fingir que nada nunca aconteceu, mas não posso... por favor, me deixe um momento a sós. – Penelope virou-se de costas indo em direção a janela, ouvindo a porta ser aberta e fecha-se logo em seguida, ela deixou em fim, as lágrimas escorrerem.

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