De forma delicada para não acordá-la, ele retirou um de seus cachos avermelhados que estava caído sobre o rosto de sua amada, em seguida acariciou sua bochecha exposta. Conan sabia que algo havia mudado, não apenas com a família, mas com ela.
Ele sentiu a nuvem de escuridão que a cercava, algo ruim, tinha alguma coisa nos olhos da mulher que amava que agora o assombrava, e isso era inteiramente culpa dele, não de sua mãe, não da sociedade, dele, e somente dele. Uma parte de si, queria ir embora, acabar com todo o sofrimento dela, mas havia a parte a qual implorava pra ele ficar, para cuidar dela, e era exatamente o que ele faria.
No silêncio naquele noite, ele tinha feito uma promessa a si mesmo, que apenas a deixaria quando enfim, seu coração deixasse de bater.
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Ela estava linda, seu vestido era de tom lilás, o decote era bem acentuado, a maquiagem em seu rosto era leve.
Estava de tirar o fôlego.
Conan mal prestava a atenção sobre o que seu novo amigo falava, assim que ela havia entrado na sala, sua atenção estava totalmente voltada para sua mulher. Os dias haviam se passados calmos, ela estava tentado, mas era visível a dificuldade que tinha ao tentar deixar ele se aproximar.
Quem podia culpa-lá?
O dia em questão era o do aniversário da delicada Hannah, isso significa a chegada de sua família, a qual assumiu a sua atenção assim que o burburinho fora da casa se tornou alto.
– Creio que essa seja sua família – Dàrio soltou sorrindo.
Penelope se levantou cambaleando em direção a porta, quase caindo ao abri-la, ele a seguiu a tempo de a ver envolver sua irmã Eloise em uma abraço caloroso, Gregory e Hyacinth foram os próximos, o restante parecia ter congelado no tempo. Ele desceu as escadas, seus pés pisaram o último degrau quando foi brutalmente envolvido pelos bracos de sua mãe.
– É tão tê-lo novamente em meus braços – ela proferiu chorosa.
Daphne foi logo em seguida, e depois, ninguém mais, todos pareciam ter algo a dizer, mas seus olhos vacilaram, percorrendo Penelope, ainda envolvida pelos três seres.
O abraço se desfez Eloise pegou na mão de Penelope, ambas passaram por ele, indo em direção aos donos da casa, por um momento esperou pelos braços dos menores, mas os mesmos sequer o olharam.
Aquilo lhe doeu, mas quem podia culpar além de si memso?
Todos adentraram a casa indo em direção ao quintal altamente decorado, haviam muitas crianças correndo e brincando, mas ele só conseguia prestar atenção em sua família, Francesca parecia feliz ao lado do marido, apesar de parecer um pouco incomodada com tanto barulho, Hyacinth paparicava a pequena aniversariante, Daphne apenas observa com certa graça ao lado do marido, os meninos tinham a atenção voltada a suas esposas. Ele observou o momento em que Hya deixou Hannah nos braços de sua amada, foi a visão mais linda em toda sua vida. Perdido naquela doce visão, ele mal viu Eloise parar ao seu lado. Ela pigarreiou para chamar sua atenção
– Eloise... – sua voz vacilou.
– Ela lhe contou? – ela o olhou fria.
– Sim... – ele olhou para o ventre volumoso da irmã – Estou feliz pela sua gravidez... – Eloise o olhou com o rosto franzindo.
– Ela não lhe contou! – sua voz soou cortante.
– Do que... do que está falando? – Conan sentiu seu peito apertar. Ele olhou em direção a Penelope, a mesma segurava a pequena Ana nos braços enquanto fazia caretas para a menina rir.
– Não cabe a mim contar. Sabe... você estragou tudo... eu entendi que só tentou protegê-la, mas... você a matou, eu vi... – sua voz já carrega um choro a muito tempo guardado – eu vi minha melhor amiga adoecendo, e não pude fazer nada além de sentar e esperar um mínimo sinal de vida seu, eu penso que... ela teria sido muito mais feliz se sequer tivesse conhecido nossa família, e muito mais viva se não tivesse lhe encontrado com vida – suas mãos pousaram ao ventre, uma fina lágrima escorreu pelo rosto da irmã.
Ele sentiu a última frase como um soco no estômago.
– Eu... – sua boca estava seca, seus olhos queimavam para não deixar lágrimas saírem.
– Você arruinou tudo... trate de consertar, de ficar, de fazer o seu papel, de ser o marido que Penelope merece, a proporcione um altar digno, uma vida a qual ela realmente merece, sem mentiras, sem afastamentos, sem frieza, apenas a verdade. – Eloise limpou o resquício de lágrima em sua bochecha e se afastou logo em seguida, indo em direção a cunhada.
Ele finalmente permitiu que as lágrimas escorrerem livremente. Três anos haviam sido perdidos, três anos marcado por um sofrimento que ele mesmo havia causado. Conan se retirou silenciosamente do quintal, retornando para dentro da casa, ele desceu ao porão, a gravata o apertava como uma corda em seu pescoço, ele a removeu sem exitar, seu palito foi tirado com brutalidade, e então, a primeira coisa que estava em seu campo de visão foi a tirada em direção a parede, ouve uma segunda, e uma terceira, sua respiração já estava descompassada, ele desproferiu o primeiro tapa em si mesmo com força, o segundo foi em seu peito, mas nada, nada, se comparava a dor que tinha causado nela.
Conan nem sequer havia ouvido os passos se aproximarem quando já estava de joelhos do chão, lutando para respirar, o toque dela fez efeito imediato ao entrar em contato com a pele dele. Penelope segurou suas bochechas entre as mãos dela, suas testas se colaram, ela não precisou falar nada, ela a abraçou como se sua vida dependesse disso, e dependia.
Ela era tudo o que ele tinha.
– Me desculpe... desculpe-me... me perdoe – a cada súplica sua voz soava mais quebrada, mais desespeda. Ele a sentiu o abraçando com mais força.
– Eu te amo... ainda temos muito o que resolver. – sua voz saiu abafada.
– Não me deixe... – ele já não sabia como implorar.
Ela desfez o abraço, segundo mais uma vez o rosto dele em suas mãos.
– Temos que voltar a Londres... – ela sorriu para ele.
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Darkness
أدب الهواة- Eu odeio você. - Eu amo você. Depois de ser alvo de zombaria por quem pensava ser seus amigos, Penelope se encontrava cada vez mais distante de tudo e de todos ao seu aredor, e naquela noite a garota não estava muito diferente, era o seu segundo a...
