Ela não sabia quanto tempo havia ficado ali, parada, apenas observando o movimento da rua pela janela, mas sabia que a noite havia se feito presente quando sentiu o frio do entardecer atravessar sua pele, a arrepiando, seus olhos tinham a combinação perfeita de azul e vermelho, em sua pele, ainda eram evidentes as marcas de lágrimas já secas, seu rubor desaparecerá, a deixando com o rosto pálido. Não só parecia morta, mas também como se sentia morta.
Desde de pequena aprenderá ser invisível, não por escolha dela, e sim por escolha da sociedade. Em si, sempre ouve um anseio por ser vista, por ser admirada, por ser amada, um anseio por atenção, mas não qualquer atenção, uma atenção básica, um beijo de boa noite vindo de seus pais ou quem sabe, um acolhimento das irmãs, ou talvez, um reconhecimento de ser apenas quem é, um que nunca chegou.
Ela aprendeu a ser educada, a ser quieta, a escutar calada, a se esconder, aprendeu ser forte em um mundo que sempre demonstrou ser cruel com a jovem, aprendeu a confiar cegamente, mas do que adiantava se o final era sempre o mesmo? Lady Whistledown havia sido seu grito mais alto, todos da sociedade almejam a escritora, mas, a almejam pois não sabiam sua verdadeira face, por que se soubesse, ainda quando era jovem, provavelmente a desprezariam ainda mais.
E por que?
Por que era uma Featherington?
Por que era acima do peso?
Por que não se encaixava nos padrões de beleza da sociedade?
Por que era idiota apaixonada por um amor que sequer era correspondido?
Amor não correspondido...
Disso ela sabia falar muito bem. Apesar de Conan ser o seu único e verdadeiro amor, ouve um tempo, a qual Colin Bridgerton também era o único amor em seu mundo cor de rosa, um mundo a qual foi sendo tingido por um vermelho tenso, não pelas mortes em sua mãos, e sim pelas mentiras.
Ah, as mentiras.
Ela as odiava, embora estivesse sendo um pouco hipócrita, porque, dizer que não está machucada ou ferida, também era uma mentira, sem contar Lady Whistledown, mas isso estava mais para uma omissão do que realmente uma mentira. Penelope ainda as abominava, talvez não a mentira em si, mas quem as contava.
Ela não sabia o que fazer. Mas, será que alguém um dia soube o que fazer quando o único homem a qual confiou e se entregou de corpo e alma a enchia de mentiras?
Ela o amava.
Deus ela o amava.
Mas até onde esse amor estaria disposto a aguentar? Ela estava cansada de tantas mentiras, tantos enganos, ela pensou tê-lo perdido, o procurou por anos. Uma parte de sua alma se sentia bem, sentia que poderiam voltar a ser o que eram, mas a outra parte, a outra parte nem sequer tinha forças para reconstruir o que estava quebrado, e era exatamente essa mesma parte que estava a dominando, a parte que não sentia nada, ela achou que esse sentimento mudaria quando estisse frente a ele, mas não... e se ela apenas acabasse com toda essa dor?
Sua atenção voltou-se ao presente quando ouviu batidas a porta, ela caminhou até o móvel, a abrindo, sentiu-se surpresa ao ver a mesma mulher de hoje mais cedo.
– Olá querida, será que posso entrar? – Penelope apenas a deu espaço e deixou a mulher de cabelos loiros adentrar o quarto e fechando a porta em seguida.
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Darkness
Fiksi Penggemar- Eu odeio você. - Eu amo você. Depois de ser alvo de zombaria por quem pensava ser seus amigos, Penelope se encontrava cada vez mais distante de tudo e de todos ao seu aredor, e naquela noite a garota não estava muito diferente, era o seu segundo a...
