XXX. consequences are hard to face

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A MANHÃ NAQUELE DIA ERA CINZA, característica incomum nos céus da Califórnia, reconhecidos pelo mundo todo como azuis e brilhantes. Carina já estava acordada, enrolada nos lençóis, encarando a janela semiaberta. Não conseguia dormir direito, e quando conseguia, tinha um pesadelo com Miguel. O barulho da coluna vertebral dele se estilhaçando na quina da escada ainda a assombrava, era assustador pensar na dor que ele sentia.

Bom, sentirá quando acordad, porque até agora Eli não havia ligado para avisar se Miguel saiu da cirurgia ou se acordou do coma. Era uma situação terrível.

— Carrie, posso entrar? — Ali bateu à porta, com um sorriso desajeitado. Nas mãos ela segurava uma tigela com seus biscoitos favoritos e uma caneca de chocolate quente. A mulher também não parecia ter dormido muito, mas ainda usava seu pijama e um hobby. Ela se sentou na ponta da cama da filha. — Meu amor, eu não consigo te ver desse jeito.

— Estou bem, mãe. É só... preocupação. — ela murmurou, num tom baixo. A mais nova pegou um cookie do pote apoiado na cama.

— Eu sei, eu entendo você. Sabe, na minha profissão, lidamos com esse tipo de sentimento todos os dias. Mas, no final das contas, é muito gratificante ver o quanto ajudamos as pessoas, e acaba compensando. — ela buscou as mãos da filha, a trazendo para mais perto de si. — Eu dei uma olhada nos exames, não vou mentir, o estado do Miguel é quase irreversível. Mas não é impossível de recuperar! Ele é um menino forte, vai superar isso num piscar de olhos. Além disso, ele está em boas mãos, okay? — disse Ali, com pesar. Carina sentiu mais algumas lágrimas salgadas rolarem por seu rosto, e depois conferiu de novo o celular, mas nada de diferente. — Nada do Eli?

— Não. — ela resmungou, agarrando mais um biscoito. — Ele ficou comigo a tarde inteira ontem, e depois foi pro dojô. Daí ele não falou mais nada, nem boa noite, nada. Eu não sei como ele estava com cabeça pra treinar, mãe! Sabendo que foi isso que botou o Miguel no hospital!

Ali respirou fundo antes de alisar as mãos da filha mais uma vez. Precisava pensar duas vezes no que falar num momento tão delicado, ou poderia piorar tudo.

— Filha, na vida a gente tem que entender que as pessoas lidam com as dores de jeitos diferentes. — ela deu uma pausa antes de continuar. — Olha, não fala para o Johnny que eu contei isso, mas... quando ele perdeu a mãe dele, era quase impossível tirar o menino daquele tatâme. Ele podia passar a semana inteira, sábado e domingo ali, treinando. Acho que esfriava a cabeça dele, sentir que tinha um pouco de controle da vida dele. As pessoas lidam com o que sentem de um jeito diferente, e é assim quando se ama alguém, é respeitar isso também.

|| 𝐘𝐎𝐔 𝐆𝐈𝐕𝐄 𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐀 𝐁𝐀𝐃 𝐍𝐀𝐌𝐄                   𝗵𝗮𝘄𝗸 𝗳𝗮𝗻𝗳𝗶𝗰𝘁𝗶𝗼𝗻 Onde histórias criam vida. Descubra agora