𝐂𝐚𝐫𝐫𝐢𝐞 𝐌𝐢𝐥𝐥𝐬 | onde Carrie tem que lidar com toda a história do caratê se quiser ter uma adolescência normal em Los Angeles
𝗛𝗮𝘄𝗸 𝗮𝗻𝗱 𝗧𝗵𝗲 𝗖𝗼𝗯𝗿𝗮 𝗞𝗮𝗶'𝘀
☠🥋
ᵃ ᵖᵃʳᵗⁱʳ ᵈᵃ ˢᵉᵍᵘⁿᵈᵃ ᵗᵉᵐᵖᵒʳᵃᵈᵃ
• . @𝑐𝑜𝑏𝑟𝑎𝐾𝑎𝑖 𝑎𝑙𝑡𝑒𝑟𝑛...
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DEPOIS DA DISCUSSÃO — que não foi exatamente uma discussão, mas mais uma conversa hostil — entre Carina e Eli, os dois não se falaram por dois dias. Se viram na escola na sexta-feira, Eli sendo ele mesmo tentou se aproximar dela em todas as oportunidades que teve mas não obteve sucesso. Tanto é que Carina não conseguiu ter vontade suficiente de dirigir até o dojô à tarde e treinar com ele ali, a encarando. Preferiu ficar em casa, com uma xícara de chocolate quente e alguns filmes de romance. Estava até repensando se ia na visita à faculdade que marcaram de ir juntos amanhã.
Seu celular vibrava constantemente, com mensagens de Tory e Eli, mesmo que tenha dado a todos a desculpa de que estava com cólica e por isso não havia ido treinar. A verdade é que ela estava ótima fisicamente, mas não mentalmente. Se sentia fraca, inútil, irrelevante para o resto do time. Um gosto amargo na boca de que talvez ela realmente nunca seria tão boa quanto os outros.
Ela se enfiou mais fundo na cama, se enrolou no cobertor fofinho e deu um gole no chocolate enquanto tentava voltar a ter foco na cena do filme na sua frente, mesmo que sua mente constantemente voltasse à noite passada.
Carina se sentia mal por ter exagerado. Ela sabia que Eli não queria dizer nada daquilo, mas também sabia que no fundo era isso que ele e todo o resto pensavam. Que ela era inteligente, bonita, agradável, mas não que era boa no caratê. Que não deveria estar ali.
Algumas batidinhas na porta do seu quarto indicaram que era Ali, do lado de fora. A mãe enfiou a cabeça para dentro do quarto, sabendo de toda a história estava compadecida com a deprê da filha.
— Filha, tem alguém lá na porta querendo te ver...
— Eu não quero ver o Eli, mãe. Pode inventar alguma coisa pra me livrar dessa? — o tom de voz da mais nova era quase que uma súplica, o que normalmente faria Ali dar risada, se não fosse o momento atual.
— Eu até poderia, mas não é o Eli lá embaixo.
As sobrancelhas de Carina se franziram, num misto de surpresa e curiosidade, e esse sentimento foi responsável por a fazer descer da cama e sair correndo até a sala, curiosa com quem poderia estar lá.
— Como você está, Barbie?
Nunca, em mil universos, ela imaginou que seria Johnny quem viria a consolar em casa depois dessa situação. Imaginava Miguel, Tory, até Demitri... não Johnny. Principalmente depois que o laço entre eles começou a de desgastar de um tempo pra cá.
— Sensei? O que tá fazendo aqui? — ela se aproximou dele, que estava parado no meio dos dois sofás da sala.
— Eu notei que você não parecia bem ontem, e que faltou hoje e decidi dar uma passadinha — ele respirou fundo antes de continuar. — E também o seu namorado tava um caco hoje. Eu posso ter ouvido uma palavra ou duas do desabafo dele com o Miguel.
Carina abaixou a cabeça, a ocorreu de sentir um pouco de vergonha do assunto.
— Eu só vim conversar, na verdade. Fiz isso algumas vezes com o Miguel e pareceu ter funcionado. — ele se sentou no sofá, e ela imitou o movimento no sofá ao lado.
— É que eu sinto — ela hesitou, antes de continuar. — Sinto que não sou boa o bastante. Que todos os meus colegas são muito melhores nisso do que eu e que... que eu não sou útil em nada pro grupo.
Johnny a encarou de forma séria, o mais sério que ela já o viu ser na vida inteira. Ele não era exatamente uma figura de sabedoria, mas transmitia ensinamentos muito bons de vez em quando, mesmo que com as palavras erradas.
— Você é boa o bastante, só te falta acreditar nisso. O mundo é feito 50% de autoconfiança, e se você não tem isso, não tem nada. Sem querer cutucar a ferida mas, o seu namorado é o exemplo perfeito disso. — Carina arqueou uma sobrancelha, achando extremamente incomum que Johnny elogiasse Eli em algo. — Deus sabe que eu não sou tão fã do cara mas isso tem que ser dito. Ele era um lixo, um merda, um inútil, um...
— Já saquei, Johnny, vai com calma aí — interrompeu ela, sentida com os adjetivos para Eli mesmo que não estivessem se falando.
— Mas é verdade, ele era um bostinha qualquer. De repente, tudo bem, talvez pelos motivos errados, ele virou um valentão. Isso era ruim? Em partes sim. Mas a vida do cara mudou totalmente. Ele pegou a menina que sempre quis, ficou famoso na escola, ganhou um torneio... tudo porque começou a confiar em si mesmo. E talvez seja nisso que você tenha que prestar atenção nele, e não no que ele disse ontem à noite.
Carina estava em choque, não tinha como definir de outro jeito, afinal Johnny elogiando Eli era algo muito utópico. Outra coisa, como diabos ele sabia da discussão?
Ela não tinha o que responder a não ser balançar a cabeça enquanto o ouvia com atenção, tentando realmente penetrar aquelas palavras no seu cérebro, calar aquela vozinha irritante que dizia que ela não sabia o que estava fazendo.
Se ela chegou até onde estava, então era capaz de ir para Barcelona junto com eles.
— Ele disse para eu não ficar chateada se eu não entrasse no Sekai Taikai com vocês, foi por isso que a gente brigou. Eu exagerei na hora, devia ter entendido o que ele quis dizer, mas eu não quero voltar atrás de nada e abrir mão.
Johnny quase rosnou ao ouvir o que ela disse, ela sabia muito bem que só havia contribuído para que ele não gostasse ainda mais de Eli.
— Você dá muito ouvidos pras pessoas. Pergunta se ele ficaria feliz de ter nascido sem uma cicatriz horrorosa. — respondeu imediatamente, certeiro no comentário, que fez Carina gritar.
— JOHNNY! Eu não vou falar isso pro meu namorado!
— Seria irado pra caralho — ele deu uma risada interna enquanto Carina mirou uma almofada no braço esquerdo dele. — Mas se você não tá afim de partir o coração do moleque, então você se importa com ele. Não to dizendo pra ir atrás dele, mas também não impeça ele de chegar em você.
E quando ela achou que o homem já havia terminado, ele a puxou pelo joelho para cochichar algo baixinho.
— Não faça igual eu, que perdi sua mãe por orgulho. E mesmo que eu ame a Carmen hoje em dia, na época isso estragou minha vida. Não cometa o mesmo erro, Carrie.
Ele deu uma piscadinha esperta, que a fez dar um sorrisinho de lado, mentalmente estava agradecendo por ter um sensei como Johnny na vida. Mesmo que ele fosse um brutamontes ignorante, por dentro era feito de açúcar.
As palavras dele ficaram ecoando em sua mente por tanto tempo que mesmo depois de algumas horas, ela ainda se lembrava do som da voz dele. Johnny tinha razão, isso não podia ficar assim por uma insegurança dela.
— Então, decidiu se vai ou não amanhã? — perguntou Ali, enquanto as duas dividiam uma pizza mais tarde da noite.
— Vou, vou me resolver com o Eli antes que... antes que seja tarde.
Ali não verbalizou nada, mas a deu um sorriso encorajador, do tipo que faz a gente entender quando está no caminho certo. As vezes tudo que uma garota precisa é de um sorriso afirmador como esses.
Notas: Vem aí talvez o melhor plot que eu já bolei nessa fic inteira muahahahaha